5 de junho de 2026

Discurso de seca contrasta com lucros do setor elétrico, diz MAB

Entidade afirma que discursos escondem esvaziamento de reservatórios das usinas hidrelétricas para aumentar lucros dos empresários
Marcello Casal Jr - Agência Brasil

Jornal GGN – O discurso de seca na região Sudeste do Brasil tem sido usado para justificar o recente aumento da conta de luz e, ao mesmo tempo, para favorecer o lucro dos empresários do setor.

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A afirmação é do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), que também aponta o esvaziamento proposital dos reservatórios em plena pandemia. Em artigo, a entidade diz que “o esvaziamento dos reservatórios das usinas foi provocado principalmente durante o ano de 2020, em plena pandemia, quando ocorreu uma queda média de 10% no consumo nacional de eletricidade desde o início do Covid-19 em nosso território. Os reservatórios foram esvaziados sem que houvesse necessidade de atender a um aumento na demanda, uma vez que ela diminuiu”.

Desta forma, a operação em diversas usinas hidrelétricas foi realizada com interesse em gerar escassez – e, assim, aumentar as tarifas cobradas. “Toda essa água vertida poderia ter sido armazenada ou transformada em energia, sem aumento dos custos. Mas não foi o que aconteceu. Os donos das hidrelétricas não perderam dinheiro com isso, pois o chamado déficit hídrico é cobrado integralmente nas contas de luz da população”.

“Os dados do Operador Nacional do Sistema (ONS) revelam que o volume de água que entrou nos reservatórios das usinas hidrelétricas brasileiras durante o último ano é o quarto melhor ano da última década, equivalente a 51.550 MW médios”, diz a entidade.

“No entanto, o volume de energia produzida por hidrelétricas ficou em 47.300 MW médios, ou seja, 4.250 MW médios abaixo da quantidade de água que entrou nos reservatórios no mesmo período, o equivalente a uma usina de Belo Monte”, pontua o movimento, ressaltando que “entrou mais água nos reservatórios (energia natural afluente) do que saiu pelas turbinas para gerar energia (vazão turbinada)”.

O MAB ressalta que o esvaziamento dos reservatórios também permite ao governo Bolsonaro autorizar o funcionamento de todas as usinas termelétricas (a gás, petróleo, carvão, bagaço-de-cana, etc), inclusive as mais caras – “e sabemos que, em geral, os donos das hidrelétricas também são donos das termelétricas”, diz o movimento.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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