5 de junho de 2026

William Shakespeare pode ter usado Cannabis para escrever suas peças

Enviado por Stanilaw Calandreli

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William Shakespeare pode ter usado Cannabis para escrever suas peças

Do The Independent

FRANCIS THACKERAY, sábado 08 de agosto de 2015

             

             Cachimbos com resíduos de cannabis foram encontrados no jardim de escritor.

A tecnologia forense da África do Sul, um verdadeiro estado da arte, foi usada para tentar desvendar o mistério daquilo que foi fumado nos cachimbos encontrados no jardim de William Shakespeare em Stratford-upon-Avon.

Resíduos encontrados nos cachimbos de argila com mais de 400 anos de idade no jardim do dramaturgo foram analisados em Pretória, usando-se uma técnica sofisticada chamada cromatografia gasosa acoplada à espectrometria de massa.

Os produtos químicos dos fornilhos e das piteiras que foram escavados no jardim de Shakespeare e nas áreas adjacentes foram identificados e quantificados durante o estudo forense. Os artefatos foram cedidos em emprestimo pelo “Shakespeare Birthplace Trust” para as análises.

A técnica do gás é muito sensível à presença de resíduos preservados em cachimbos, mesmo que tenham sido fumados há 400 anos.

O que teriam eles fumado?

Havia vários tipos de tabaco no século 17, incluindo a Nicotiana da América do Norte (da qual se extrai a nicotina) e cocaína (Erythroxylum), extraída de folhas de coca peruanas.

Alega-se que Sir Francis Drake pode ter trazido as folhas de coca para a Inglaterra depois de sua visita ao Peru, e também que Sir Walter Raleigh trouxera “folhas de tabaco” (Nicotiana) da Virginia, na América do Norte.

Em uma edição recente da revista Country Life, Mark Griffiths demonstrou grande interesse em “O Herbário de John Gerard”, publicado em 1597, um livro de botânica que inclui imagens esculpidas de várias pessoas no seu frontispício. Um deles (referido como “o quarto homem”) é identificado por Griffiths como William Shakespeare, mas esta identificação é questionável.

                      

                         O quarto homem do “Herbário de John Gerard”.

Possivelmente, a gravura representa Sir Francis Drake, conhecido de Gerard.

O Herbário de Gerard faz referências a vários tipos de “tabacos”, introduzidos na Europa por Drake e Raleigh nos dias de Shakespeare, na Inglaterra elisabetana.

Certamente há uma ligação entre Drake e plantas do Novo Mundo, nomeadamente o milho, a batata e “tabaco”. Além disso, pode-se associar Raleigh com a introdução de “tabaco” da América do Norte na Europa (nomeadamente no contexto da planta do tabaco Nicotiana, da Virgínia e outros lugares).

O que foi encontrado:

Houve inquestionável evidência de fumo de folhas de coca, no início do século 17 na Inglaterra, com base nas evidências químicas em dois cachimbos da área de Stratford-upon-Avon.

Nenhum dos cachimbos com cocaína veio do jardim de Shakepeare. Mas, em quatro dos cachimbos oriundos desse jardim foi encontrado cannabis.

Up in flames: the 450th birthday of William Shakespeare in 2014 was a smoke-filled celebration. REUTERS/Suzanne Plunkett

Os resultados deste estudo (24 exemplares de fragmentos de cachimbos) indicam cannabis em oito amostras, nicotina em pelo menos uma amostra, e em duas amostras com evidência definida de cocaína peruana das folhas de coca.

Shakespeare pode ter tido consciência dos efeitos nocivos da cocaína como um composto estranho. Possivelmente, ele preferiu a cannabis como uma erva com propriedade estimulante da mente.

Estas sugestões baseiam-se nas seguintes indicações literárias. Em Soneto 76, Shakespeare escreve sobre uma “invenção de uma celebre erva”. Isso pode ser interpretado que Shakespeare pretendia usar a “erva” (cannabis como uma espécie de tabaco) para uma escrita criativa (“nvention”).

No mesmo soneto parece que ele prefere não ser associado a “compostos estranhos”, que pode ser interpretado, pelo menos potencialmente, em “drogas estranhas” (possivelmente cocaína).

O Soneto 76 pode referir-se a um jogo complexo de palavras referindo-se  em parte à drogas (compostos e “ervas”), e em parte a um estilo de escrita, associado com roupas (“ervas”) e compostos literários (palavras combinadas para formar uma outra, como no caso da palavra “Philsides” de Philip Sidney).

Este artigo foi publicado originalmente no The Conversation. Leia o original aqui. E baseado na publicação do South African Journal of Science de julho de 2015.

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6 Comentários
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  1. Gilberto Cruvinel

    11 de agosto de 2015 10:20 am

    O gênio permanece

     

    Como outras teorias que afirmam que Shakespeare não fazia mais do que reescrever temas e fábulas que já existiam antes dele, também aqui se pode dizer: se  o Bardo inglês fumou e se isso teve alguma influência no que escreveu, seu talento e criatividade permancecem. Muitos outros na Inglaterra Elizabethana fumaram e nem por isso escreveram o que Shakespeare escreveu, nem mesmo com uma fração do gênio que ele foi.

    Peças como “Rei Lear” (atualmente em cartaz em São Paulo na forma de monólogo brilhante conduzido por Juca de Oliveira) são a prova de como pode ser intricado um enredo com dezenas de personagens e situações. Se já é difícil ao espectador acompanhar a trama cheia de detalhes, que dirá para quem teve que criá-la sem se perder na profusão de situações e ainda mantendo o ritmo, a métrica e as rimas perfeitas de textos inacreditavelmente belos. A cannabis neste caso só atrapalharia.

    Interessante que o artigo desfaz hipótese muito celebrada há alguns meses na imprensa britânica de que a figura na capa do livro de botânica “O Herbário de John Gerard” seria o único registro conhecido do rosto de Shakespeare. 

     

    1. Odonir Oliveira

      11 de agosto de 2015 11:40 am

      Concordo em tudo, Gilberto.

      E aquelas belezas que por tudo ainda eram populares, à época.

  2. JoaoMineirim

    11 de agosto de 2015 11:05 am

    Se Leonardo dá vinte, Por que

    Se Leonardo dá vinte, Por que é que eu não posso dá dois?..

     

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=ImYKhcY_k8o%5D

  3. Flavio Martins e Nascimento

    11 de agosto de 2015 12:09 pm

    Bom, se os estudiosos seguem

    Bom, se os estudiosos seguem discutindo qual foi, de fato, a verdadeira identidade de Shakespeare, cabe a pergunta: Quem fumou a erva?

    http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/em-busca-do-verdadeiro-shakespeare-3itl6g69z3wvihr15a26pqclq

  4. vera lucia venturini

    11 de agosto de 2015 1:57 pm

    Não!!! Porque pra mim não

    Não!!! Porque pra mim não funcionou? Será que ainda dá tempo?

     

    1. Anarquista Lúcida

      11 de agosto de 2015 9:23 pm

      Vale a pena ir ao link

      E tb em clicar em outros a respeito do mesmo tema que há dentro dele. Interessante.

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