Enviado por Odonir Oliveira
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Guerras nos fazem refletir sobre que destino temos dado a nossas vidas.
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O que vale a pena? Que esperanças tenho na vida?
Mas não se tratam daquelas questões “metafísicas” que bêbados se fazem em mesas de bar, são indagações individuais, sociais, nacionais, mundiais mesmo.
O que queremos?!
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O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e representantes de 100 países estavam entre as 55 mil pessoas que compareceram à cerimônia
Os sinos tocaram em Hiroshima às 08h15 local desta quinta-feira (6, 23h15 de quarta, 5, em Brasília), exatamente 70 anos após o lançamento da bomba atômica por um bombardeiro americano, no primeiro ataque nuclear da História, que levou o Japão à capitulação e encerrou a Segunda Guerra Mundial.
Em 6 de agosto de 1945, um B-29, denominado Enola Gay, que voava a grande altitude sobre a cidade, lançou uma bomba de urânio, dotada de uma força destrutiva equivalente a 16 quilotoneladas de TNT. O número de mortos é estimado em 140.000, no momento do impacto e posteriormente por efeito da radiação. (Do Uol)
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A ROSA DE HIROXIMA
Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.
Vinícius de Moraes (Rio de Janeiro , 1954)
http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/poesia/poesias-avulsas/rosa-de-hiroxima
https://www.youtube.com/watch?v=isHScJrbDoE
A Bomba
A bomba
é uma flor de pânico apavorando os floricultores
A bomba
é o produto quintessente de um laboratório falido
A bomba
é estúpida é ferotriste é cheia de rocamboles
A bomba
é grotesca de tão metuenda e coça a perna
A bomba
dorme no domingo até que os morcegos esvoacem
A bomba
não tem preço não tem lugar não tem domicílio
A bomba
amanhã promete ser melhorzinha mas esquece
A bomba
não está no fundo do cofre, está principalmente onde não está
A bomba
mente e sorri sem dente
A bomba
vai a todas as conferências e senta-se de todos os lados
A bomba
é redonda que nem mesa redonda, e quadrada
A bomba
tem horas que sente falta de outra para cruzar
A bomba
multiplica-se em ações ao portador e portadores sem ação
A bomba
chora nas noites de chuva, enrodilha-se nas chaminés
A bomba
faz week-end na Semana Santa
A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose, de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continua a envenená-las no curso da vida
A bomba
respeita os poderes espirituais, os temporais e os tais
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera
A bomba
tem a seu serviço música estereofônica e mil valetes de ouro, cobalto e ferro além da comparsaria
A bomba
tem supermercado circo biblioteca esquadrilha de mísseis, etc.
A bomba
não admite que ninguém acorde sem motivo grave
A bomba
quer é manter acordados nervosos e sãos, atletas e paralíticos
A bomba
mata só de pensarem que vem aí para matar
A bomba
dobra todas as línguas à sua turva sintaxe
A bomba
saboreia a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopeia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo
A bomba
declare-se balança de justiça arca de amor arcanjo de fraternidade
A bomba
tem um clube fechadíssimo
A bomba
pondera com olho neocrítico o Prêmio Nobel
A bombav é russamenricanenglish mas agradam-lhe eflúvios de Paris
A bomba
oferece de bandeja de urânio puro, a título de bonificação, átomos de paz
A bomba
não terá trabalho com as artes visuais, concretas ou tachistas
A bomba
desenha sinais de trânsito ultreletrônicos para proteger velhos e criancinhas
A bomba
não admite que ninguém se dê ao luxo de morrer de câncer
A bomba
é câncer
A bomba
vai à Lua, assovia e volta
A bomba
reduz neutros e neutrinos, e abana-se com o leque da reação em cadeia
A bomba
está abusando da glória de ser bomba
A bomba
não sabe quando, onde e porque vai explodir, mas preliba o instante inefável
A bomba
fede
A bomba
é vigiada por sentinelas pávidas em torreões de cartolina
A bomba
com ser uma besta confusa dá tempo ao homem para que se salve
A bomba
não destruirá a vida
O homem
(tenho esperança) liquidará a bomba.
Carlos Drummond de Andrade
(Reunião, Ed. José Olympio, 4ª edição, p. 273)
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 11:55 amNo Brasil …
[…];
“A bomba
saboreia a morte com marshmallow
A bomba
arrota impostura e prosopeia política
A bomba
cria leopardos no quintal, eventualmente no living
A bomba
é podre
A bomba
gostaria de ter remorso para justificar-se mas isso lhe é vedado
A bomba
pediu ao Diabo que a batizasse e a Deus que lhe validasse o batismo […]
Liduina
6 de agosto de 2015 12:45 pmE ainda corremos o risco de
E ainda corremos o risco de ver a barbárie se repetir.
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 5:23 pmSobreviventes de Hiroshima estigmatizados no Japão
Da FORUM
Por Suvendrini Kakuchi, da IPS
A japonesa Toshiko Hamamako se ergueu trêmula e se dirigiu ao público, mas não por pânico diante das pessoas. Seu problema começou há décadas. No dia 6 de agosto de 1945, quando era menina, os Estados Unidos lançaram a bomba atômica sobre a cidade japonesa de Hiroshima, 700 quilômetros a oeste de Tóquio. Três dias depois lançaram outra sobre Nagasaki e pôs fim à agressão japonesa e ao conflito no Pacífico.
Toshiko só recentemente se atreve a falar em público sobre sua vida, 60 anos após o ocorrido. “Ficava aterrorizada ao falar de pé, diante do público, mas também foi uma experiência pessoal importante”, disse a mulher de 66 anos, na conferência sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear (TPN), realizada em maio em Nova York.
Junto a ela havia outros hibakusha, sobreviventes da bomba atômica. Seus relatos sobre doenças e tratamentos dolorosos continuam sendo uma prova poderosa da devastação causada por essa arma letal.
Seu sofrimento não foi apenas pelas queimaduras da radiação e os consequentes problemas médicos, mas pela estigmatização e discriminação que sofrem os sobreviventes e suas famílias.
“Somos evitados porque estávamos contaminados”, contou Toshiko. Os filhos dos sobreviventes também são estigmatizados. “Contei o quanto é horrível ser uma hibakusha”, relatou Toshiko, que agora vive com o marido e a filha em Saitama, bairro da zona oeste de Tóquio.
“Minha mãe nunca me falou daquela época porque não gostava de recordar o prolongado sofrimento que viveram ela, minha irmã e toda a vizinhança. A radiação as afetou muito, têm queimaduras que nunca se curaram”, acrescentou.
Quando Toshiko se casou, seu marido a fez prometer manter segredo de sua condição para não serem discriminados. “Respeitei seu desejo. Foi há dois anos que decidi falar e estou contente por isso. Agora me dou conta da importância que tem minha história para o mundo”, acrescentou.
“Sabia que chegava a eles”, disse Hiroshi Nakamura, de 67 anos, que falou na mesma conferência que Toshiko. “Minha mensagem sobre os horrores da bomba atômica teve muito mais efeito do que muitos livros e filmes”, afirmou.
Os relatos dos sobreviventes não serão sobre a catástrofe propriamente dita porque eram muito jovens, mas os ativistas afirmam que realçam as consequências do bombardeio e da exclusão social que duraram anos.
“Pessoas como Toshiko são fundamentais para que o mundo aprenda a lição de Hiroshima”, disse o professor Mitsuo Okamoto, responsável pelo Centro para a Paz e a Não Violência, de Hiroshima. “Seus relatos são uma continuação do trabalho desempenhado pela geração mais velha de sobreviventes, cujas narrações daquele dia fatídico impulsionaram ações globais pela paz”, acrescentou.
Segundo as estatísticas, são 162 mil sobreviventes reconhecidos oficialmente, mais de 60% têm entre 70 e 80 anos, e sofrem de doenças relacionadas com a radiação, como câncer e estresse.
A bomba de urânio, lançada por aviões norte-americanos sobre Hiroshima, criou uma enorme nuvem de radiação na forma de cogumelo e deixou 140 mil mortos, 40% da população da cidade. O número de vítimas em Nagasaki foi semelhante, 73.884 desapareceram na hora e outras 74.909 ficaram feridas.
Dos 1.500 hibakusha, de aproximadamente 60 anos, entrevistados para uma pesquisa realizada em julho pelo jornal Asahi, 61% disseram que começaram a se abrir e contar suas histórias depois de 2005. Muitos analistas afirmam que o prolongado silêncio se deve ao estigma social e ao medo de não poder casar porque numerosos japoneses acreditam que a saúde dos filhos e netos de hibakusha não é boa.
Hiroshi, de fato, compara sua situação com a de uma condenação à morte porque não sabe quando terá diagnosticada uma doença relacionada com a radiação.
Este ano, Hiroshi se sente animado com a notícia de que o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, decidiu participar da cerimônia de 65 anos do lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima. Também participarão, pela primeira vez, representantes dos Estados Unidos, da França e da Grã-Bretanha. “Nos dá uma grande força para seguir adiante”, disse Hiroshi, que perdeu sua mãe para o câncer.
A reação de seus compatriotas é um dos grandes obstáculos a ser vencido pelos hibakusha. Sobreviventes e ativistas se queixam de que os livros não fornecem informação suficiente sobre o conflito no Pacífico nem sobre a Segunda Guerra Mundial, em especial sobre o papel do Japão e sua cruel colonização dos países da região.
“Muitas vezes sinto que os japoneses acreditam que fomos um aborrecimento porque sempre revivemos o papel do Japão na Segunda Guerra Mundial. É triste, “lamentou Toshiko. “Mas, continuaremos falando”, finalizou.
Por Envolverde/IPS. Fotos: Blog http://bombadehiroshimaenagasaki.blogspot.com
Cidade recorda o horror da bomba
Representantes de mais de 70 países estiveram presentes junto a milhares de pessoas para assistir à emotiva cerimônia no Memorial da Paz, celebrada debaixo de um céu azul similar ao que predominava na manhã de 6 de agosto de 1945 sobre a cidade de Hiroshima, oeste do Japão, antes que a cidade se transformasse num inferno.
França e Grâ-Bretanha, aliados dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, também enviaram, pela primeira vez desde a capitulação do Japão naquele mesmo mês de 1945, representantes à cidade mártir, um gesto de apoio ao movimento a favor do desarme nuclear mundial.
O Japão, único país a ser bombardeado em duas ocasiões com armas nucleares (em 6 de agosto de 1945 em Hiroshima e 9 de agosto de 1945 em Nagasaki) reclama há anos pela abolição de todas as armas de destruição em massa.
Os Estados Unidos, que sempre afirmaram que esses bombardeios foram necessários para acabar com a guerra, jamais se desculparam pelas 210 mil vítimas, em sua maioria civis, que morreram por causa das bombas que explodiram sobre essas duas cidades ou pela radiação e queimaduras.
“A raça humana não deve repetir o horror e os sofrimentos causados pelar armas atômicas”, declarou o primeiro ministro japonês Naoto Kan, em discurso. Os EUA estiveram representados por seu embaixador no Japão, John Roos, que depositou uma oferenda com flores em memória “de todas as vítimas da Segunda Guerra Mundial”.
Tal gesto também reflete o apoio do presidente estadounidense Barack Obama em favor da desnuclearização. “Pelo bem das gerações futuras devemos continuar trabalhando juntos para realizar um mundo sem armas nucleares”, disse Roos em um comunicado.
Às 8p5 foi realizado um minuto de silêncio, no instante preciso em que a bomba explodiu sobra a cidade. Logo o prefeito de Hiroshima, Tadaoki Akiba, dsicursou e depois aproximadamente mil pombas foram soltas em um gesto simbólico de paz. “Saudamos este 6 de agosto com a determinação reforçada de que ninguém mais sofrerá tais horrores”, disse Akiba.
Athos
6 de agosto de 2015 1:57 pmE o grupo de 70.000
E o grupo de 70.000 sobreviventes é o maior estudo vivo sobre os efeitos da radiação em humanos.
Há vivos até hoje…
Porque ambientalistas não citam os estudos Deste grupo, que é único no mundo?
Almeida
6 de agosto de 2015 4:38 pmAh, sim, radioatividade faz bem a saúde.
Não aconteceram padecimentos pelos males da radiação em Hiroshima e Nagazaki. Você deveria escrever uma tese “científica” com sua “descoberta”, quem sabe a academia receba a tese de um contador sobre efeitos da radioatividade? Eles vão “aprender” com um contador de lorotas, que em Hiroshima ninguém foi vitimado, não houve sequelas da radiação. Nunca vi a ousadia de um lobbista nucleocrata ir tão longe, chega às raias do mais asqueroso deboche com o sofrimento alheio.
A história dos Hibakusha é suficientemente documentada para desrever o horror da contaminação radioativa. É exatamente pelo conhecimento das sequelas da radioatividade da bombas lançadas, que os ambientalistas se opuseram às usinas nucleares, muito antes de acontecerem os grandes acidentes nessas usinas. Eu já postei um documentário aqui, que mostra o relato de algumas das vítimas da bomba, o vídeo abaixo mostra outras vítimas afetadas por outra explosão, deixo apenas o link, as imagens são deprimentes:
Vitimas do acidente nuclear de Chernobyl..
Anna Dutra
6 de agosto de 2015 4:58 pmAlmeida
Almeida,
creio que vale ressaltar que a intencionalidade do ato diz muito mais sobre os atores do que as consequências e sequelas reais – inomináveis, todos sabemos. A motivação, os objetivos, a intenção do ato dizem tudo a respeito de seus mandantes e atores, indubitavelmente cientes das possíveis resultantes e que não hesitaram; repetindo a brutal e bárbara violência, sem pejos.
Este tipo de argumentação não merece sequer réplica, pela profunda insensibilidade e inconveniência.
Agradeço a inclusão de tuas observações a nos esclarecer ainda mais sobre o horror que jamais deveríamos permitir repetir-se, estejamos nós sob alcance da “peste invisível” ou não.
Abraço.
Athos
6 de agosto de 2015 9:38 pm…
Cara vc é maluco. Fica contra argumentando o que vc acha que eu penso Mas NÃO DISSE.
Leia novamente o que escrevi. Eu disse dos sobreviventes. Preciso explicar que sobreviventes São AQUELES QUE NÃO MORRERAM?
Vc não acha relevante saber as taxas de canceres no maior grupo de seres humanos que sobreviveu a ENVENENAMENTO POR RADIAÇÃO?
Almeida
7 de agosto de 2015 5:08 amO que você acha sobre energia nuclear é demais conhecido.
O que você pensa sobre ambientalismo também. O que escreveu acima tem nítido conteúdo de provocação aos ambientalistas, que você os considera desonestos, ignorantes ou mal intencionados. O que você escreveu tem o sentido óbvio, de usar essa tragédia e minimizar seus efeitos, para se contrapor aos ambientalistas. Senão, qual outro sentido para a pergunta “Porque ambientalistas não citam …”?
Qual o motivo para mencionar apenas os ambientalistas, nessa preocupação que julga relevante, não seria algo para se indagar a todos? Das duas, pelo menos uma: lançar acusações de falta de fundamentos aos ambientalistas em suas causas, ou querer insinuar que a contaminação radioativa não foi coisa tão horrível assim, coisa que você rotineiramente defende, quando se debate os acidentes nucleares.
Com a palavra, uma instituição que cuida das vítimas há muitas décadas:
Cruz Vermelha: 70 anos depois, explosões atômicas no Japão “ainda ecoam”
“Segundo a instituição, o câncer é a causa da morte de dois terços entre eles”.
Athos
7 de agosto de 2015 3:59 pmKkkkkk mane Cruz Vermelha
Kkkkkk mane Cruz Vermelha rapa.
Acha que engana quem?
Mostre a estatística! Vai lá procurar!
El Cid
6 de agosto de 2015 2:46 pmO Documentário de Oliver
O Documentário de Oliver Stone “A História Não Contada Sobre Os EUA” em seu terceiro capítulo, fala dos bastidores sobre o lançamento da bomba atômica em Hiroshima… poderia ter sido evitado, se não fosse pela fraqueza e inépcia de Truman:
[video:https://vimeo.com/121658836%5D
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 3:16 pmEm 1947, ao fim da guerra, “O bicho”, por Manuel Bandeira
O Bicho
Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.
Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.
O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.
O bicho, meu Deus, era um homem.
Manuel Bandeira (1947)
( Estrela da Vida Inteira, Poesias Reunidas, Ed. José Olympio,12ª edição)
Anna Dutra
6 de agosto de 2015 5:17 pmHiroshima mon amour
Uma casada atriz francesa passa seu último dia na cidade de Hiroshima terminando sua participação em um filme sobre a paz e o seu relacionamento amoroso com um casado arquiteto japonês, que aos poucos a lembra de um trágico amor que ela teve durante a guerra. O filme analisa a memória, a psicologia, o comportamento dos personagens, bem como os traumas que os afligem.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=CLts830aLlw%5D
Fonte: Youtube
Fonte: Wikipedia
Hiroshima mon amour (br: Hiroshima, Meu Amor) é um filme franco-japonês de 1959, um drama e romance dirigido pelo cineasta Alain Resnais, com roteiro de Marguerite Duras. A história é sobre um relacionamento amoroso entre uma mulher francesa e um japonês. O filme fez uso inovador de flashbacks. É considerado um dos filmes mais importantes da história do cinema, o filme ganhou muita polêmica na época de lançamento por possivelmente ofender descendentes alemães e por esse motivo ele foi tirado da competição oficial do Festival de Cannes em 1959, apenas sendo apresentado e sem poder concorrer a Palma de Ouro como os outros.
É um dos grandes ícones do cinema francês e um dos mais famosos e influentes da Nouvelle Vague.
Jean-Luc Godard sobre o filme: “O primeiro filme sem nenhuma referência cinematográfica”, Claude Chabrol sobre o filme: “O filme mais belo que eu já vi”, François Truffaut sobre o filme: “Uma vez que você viu Hiroshima mon amour, se torna impossível fazer filmes da mesma maneira que você costumava fazer”.
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 6:58 pm“Eu sou a bomba”
[…]
” A bomba
tem 50 megatons de algidez por 85 de ignomínia
A bomba
industrializou as térmites convertendo-as em balísticos interplanetários
A bomba
sofre de hérnia estranguladora, de amnésia, de mononucleose, de verborréia
A bomba
não é séria, é conspicuamente tediosa
A bomba
envenena as crianças antes que comece a nascer
A bomba
continua a envenená-las no curso da vida
[…]
A bomba
pula de um lado para outro gritando: eu sou a bomba
A bomba
é um cisco no olho da vida, e não sai
A bomba
é uma inflamação no ventre da primavera”
[…]
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 5:34 pmAinda havia certa esperança nos versos de Drummond
A FLOR E A NÁUSEA
Preso à minha classe e a algumas roupas,
Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjoo?
Posso, sem armas, revoltar-me?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Carlos Drummond de Andrade
(Reunião, José Olympio, 4ª edição)
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 10:57 pmPOEMA DE CORDEL e BETO GUEDES
POEMA DE CORDEL
Para os encantados de Hiroshima
Walter Medeiros
Muita coisa nesta vida
Me causa indignação
Mas não tem comparação
Com a bomba explodida
Numa grande agressão
Contra aquela nação
Que já estava vencida.
Eu agora, nessa rima
Quero homenagear
O povo de um lugar
Que a humanidade estima
Pois soube se levantar
E o grande mal superar
Salve a linda Hiroshima!
Aquela bomba assassina
Que matou gente inocente
Não foi o suficiente
Naquela carnificina
Pois outra bomba potente
Explodiu uma pouco à frente
Foi Nagazaki em ruína.
Pelo sertão brasileiro
Terra de muito calor
Imaginamos a dor
Daquele povo guerreiro
Em dias de tanto horror
O americano acabou
Fazendo um grande cinzeiro.
A bomba de Hiroshima
Num raio de onze mil metros
Matou mulheres e fetos
Idoso e jovem menina
Derrubou todos os tetos
E animais e insetos
Pelas ruas e esquinas.
Mas pra ter a dimensão
Do que o povo passou
Quando a bomba chegou
Jogada pelo avião
Basta dizer que passou
De seis mil graus o fervor
Do imenso caldeirão.
Quando o calor atingia
Qualquer coisa ou pessoa
Pode crer que não é loa
Nem conversa de vigia,
Como um raio que voa
No respingo da garoa
Tudo no lugar sumia.
Não tinha contemplação
A bomba que arrasava
Tudo por onde passava
Pior que um furacão
Quando a bomba tocava
A coisa se tansformava
Pela desintegração.
É muito triste saber
Que antes de atacar
Daria pra evitar
O que ia acontecer
Nada ia ameaçar
A guerra ia terminar
O agressor ia vencer.
Mais triste é ver agora
Que ao falar daquele caso
Que não se deu por acaso
Eles marcaram a hora
Pois com todo aquele arraso
Que destruiu até vaso
Tem gente que não deplora
O povo americano,
Que sofreu com o terror
Ainda não se conformou
Com o ataque insano
Que Nova Iorque abalou
E tanta gente matou
A maioria paisano.
Mas a bomba de Hiroshima
Arrasou dez vezes mais
Levou os filhos dos pais
Mulher, idoso, menina,
Agora pelos jornais
Dizem que não foi demais
Aquela carnificina
É mesmo de lamentar
Que o povo americano
Tenha espírito tirano
E uma ânsia de matar
Pois ainda apóia o plano
No sexagésimo ano
Só falta querer louvar.
Durante anos seguidos
Uma certa simpatia
Pelo americano havia
Pois eles tinham vencido
O mundo da tirania
Que nos ameaçaria
Caso não fosse contido.
Mas depois o mundo viu
Que o império americano
Era um poço de engano
Que muita terra invadiu.
E vive a cada ano
Seguindo de plano em plano
O domínio com ardil.
Desde o Vietnã
E outras guerras criadas
Deixam nações arrasadas
Como uma coisa vã
Cidades bombardeadas
Pessoas assassinadas
Desfazendo cada clã.
Veja o Afeganistão,
Que destruíram completo
Não escapou nenhum teto
Mulçumano ou cristão
Comportamento incorreto
Isso eles fazem direto
É simplesmente agressão.
Bin Laden queria achar
Nas montanhas do país
Isso é o que Bush diz
Para se justificar
Fica um povo infeliz
Sofrido e nada diz
Para não se complicar.
No Iraque foi pior,
Armaram Saddan Hussein,
Diziam que era do bem
Mas depois deixaram só.
Pois quando não mais convém
Não respeitam mais ninguém
Querem transformar em pó.
Inventaram uma mentira
Para fazer nova guerra
Até na sagrada terra
O povo de Bush atira
Não se sabe quando encerra
E muita gente se ferra
Porque em tudo ele mira.
Sessenta anos passados
Naquela terra nipônica
Onde uma bomba atômica
Deixou tudo esfacelado
Foi a mais triste dinâmica
De uma guerra histriônica
Que já se viu relatado.
É preciso enfrentar
Este poderio malvado
Que não escolhe o lado
Mais justo para lutar
Pois o povo ameaçado
Reage e mata soldado
Querendo se libertar.
Cada um de Hiroshima
Que com a bomba tombou
Eu acho que se encantou
Como numa pantomima
Mas aquilo que passou
O mundo todo mudou
De maneira cerebrina.
Hiroshima nunca mais
Vietnã também não
Nem o Afeganistão
Vamos ver o que se faz
Precisamos de ação
Para buscarmos então
Um novo mundo de paz.
FIM
http://www.rnsites.com.br/cordeis-hiroshima.htm
[video:https://www.youtube.com/watch?v=T13xccI2l1M%5D
Odonir Oliveira
6 de agosto de 2015 11:58 pmMordaça- Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro
MORDAÇA
Eduardo Gudin e Paulo César Pinheiro
Tudo o que mais nos uniu separou
Tudo o que tudo exigiu renegou
Da mesma forma que quis recusou
O que torna essa luta impossível e passiva
O mesmo alento que nos conduziu debandou
Tudo o que tudo assumiu desandou
Tudo que se construiu desabou
O que faz invencível a ação negativa
É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Pois tudo é instável e irregular
E de repente o furor volta
O interior todo se revolta
E faz nossa força se agigantar
Mas só se a vida fluir sem se opor
Mas só se o tempo seguir sem se impor
Mas só se for seja lá como for
O importante é que a nossa emoção sobreviva
E a felicidade amordace essa dor secular
Pois tudo no fundo é tão singular
É resistir ao inexorável
O coração fica insuperável
E pode em vida imortalizar