5 de junho de 2026

Comparativo econômico entre Argentina, Brasil e Venezuela, por Diogo Costa

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PARA ALÉM DA RETÓRICA – Há uma eterna mania de alguns grupos em tecer comparações entre a política e a conjuntura nacionais com estes mesmos elementos presentes em países vizinhos, notadamente na Venezuela e na Argentina.

Os setores ditos de esquerda, que desde tempos imemoriais urram de prazer em fazer tais comparações, batem sempre na mesma tecla: a Argentina e a Venezuela tem “governos revolucionários” e estão muito mais avançados que o Brasil em todos os aspectos possíveis e imagináveis. Persiste sempre um tom rançoso nestas comparações, como se o Brasil fosse um padrão ruim e desprezível na comparação com nuestros hermanos.

Em primeiro lugar, esse tipo de análise desconhece, desde sempre, a questão da correlação de forças existente no Brasil e em outros países do globo terrestre.

Em segundo lugar, as análises atuais a respeito da economia política nacional, continental e mundial não levam em consideração nenhuns aspectos como os ciclos econômicos, a debacle do preço das commodities minerais e agrícolas, a iminente normalização da política econômica nos EUA, a queda na economia chinesa, etc.

Em terceiro lugar, pintam um quadro do Brasil, de forma comparada ao país de Gardel e de Bolívar, como se nossos vizinhos estivessem em situação infinitamente superior. Principalmente tratando-se de quesitos como inflação, taxa de juros e emprego, é necessário e urgente revelar a verdade factual a respeito da situação brasileira.

Façamos isso, portanto:

1) Taxa de juros

-Argentina: 22,5% ao ano;
-Venezuela: 19,6% ao ano;
-Brasil: 14,25% ao ano.

2) Inflação

-Venezuela: 68,5%;
-Argentina: 15%;
-Brasil: 9%.

3) Desemprego

-Venezuela: 7,9%;
-Argentina: 7,1%;
-Brasil: 6,9%.

Não seria de todo ruim enveredar também pela comparação do Brasil consigo mesmo, até para dissipar as teorias dos profetas do apocalipse, que trombeteiam sobre o fim dos tempos em Pindorama.

Para tanto, a régua adequada é comparar os índices do Brasil nos últimos 03 ajustes macroeconômicos (1999, 2003 e o atual de 2015).

1) Taxa de juros

-Em julho de 1999, ajuste de FHC/PSDB: 19,5% ao ano;
-Em julho de 2003, ajuste de Lula/PT: 24,5% ao ano;
-Em julho de 2015, ajuste de Dilma/PT: 14,25% ao ano.

2) Inflação

-Em 1999, inflação de FHC/PSDB: 8,9%;
-Em 2003, inflação de Lula/PT: 9,3%;
-Em 2015, inflação de Dilma/PT: 9%.

3) Desemprego

-Em 1999, desemprego de FHC/PSDB: 8%;
-Em 2003, desemprego de Lula/PT: 12%;
-Em 2015, desemprego de Dilma/PT: 6,9%.

Todos esses dados trazidos a baila servem apenas para contestar o clima de final do mundo que se instalou no Brasil atual. E servem também para evidenciar que o debate econômico, para além dos slogans, das frases de efeito ou das palavras de ordem, necessita de um mínimo de racionalidade na análise da situação concreta e objetiva dos fatos.

O Brasil vive hoje o terceiro ciclo econômico dos governos do Partido dos Trabalhadores (pró-cíclico entre 2003 e 2008 e a partir de 2015; e anticíclico entre 2009 e 2014). O fim da política econômica anticíclica trás dissabores mas é uma necessidade, até porque nenhum país da face da terra mantém políticas anticíclicas de forma indefinida. Não há orçamento que aguente.

Nos últimos 06 anos o mundo tem se mantido a partir de doses cavalares e descomunais de afrouxamento monetário, expansionismo fiscal e política agressivamente anticíclica. A reversão dessas políticas está em adiantado estágio nos EUA e no Brasil, ao passo que ainda estão sendo levadas a efeito na Zona do Euro.

Cedo ou tarde a maioria dos países terá que desembarcar do expansionismo monetário e fiscal, algo que nós estamos a fazer desde já.

Para finalizar, no que é mesmo que, em termos econômicos, a Argentina e a Venezuela estão melhor que o Brasil?

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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20 Comentários
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  1. oneide

    31 de julho de 2015 12:56 pm

    Os numeros oficiais não são

    Os numeros oficiais não são confiáves na Argentina e na Venezuela, o Brasil esta indo para o mesmo buraco de falta de confiança.

    Porque não colocou o PIB?

    1. michel bauer

      31 de julho de 2015 1:05 pm

      confiáveis mesmo, só os

      confiáveis mesmo, só os números apresentados por oneide.

      como diria minha mãe: “tem gente que acha bonito ser feio”.

    2. Diogo Costa

      31 de julho de 2015 1:06 pm

      .

      São os números conhecidos e aceitos pelos órgãos internacionais. 

       

      Quanto ao PIB, o do Brasil cairá entre 1,5 e 2 por cento; o da Venezuela cairá mais de 6 por cento e a Argentina terá crescimento zero ou um pouco superior a isso. 

       

      O Brasil tem índices infinitamente superiores aos da Argentina e da Venezuela, principalmente em se tratando de orçamento e reservas internacionais. 

       

      A Venezuela terá que mudar a sua política de subsídidos diversos, principalmente o do petróleo, se não quiser implodir. É absolutamente impossível um país prosperar se mantém de forma artificial e insustentável, como é agora, o litro da gasolina incomensuravelmente mais barato do que um litro d’água. 

       

      Na Argentina estão segurando a desvalorização do peso, que virá logo depois da eleição. E terão que rever também a política de subsídios, principalmente no setor elétrico. 

      1. oneide

        31 de julho de 2015 2:00 pm

        “tem índices infinitamente

        “tem índices infinitamente superiores” disso eu acho que ninguém duvida, não importa quanto se maquie os dados.

        A opção ideológica pelo socialismo especialmente na Venezuela não vai permitir qualquer avanço econômico e social nestes países.

        Os “regimes” estão passando de autoritário, para totalitário a passos largos, (o Brasil é intervencionista). 

        1. Gunter Zibell - pró-Rede

          31 de julho de 2015 2:28 pm

          Felizmente

          Não há risco do Brasil passar para autoritário ou totalitário. A Mídia é atuante, a Classe Média conscientizada dos problemas na economia e o Legislativo não seria conivente com isso.

          1. oneide

            31 de julho de 2015 2:48 pm

            Sim , felizmente.
            Mas que tem

            Sim , felizmente.

            Mas que tem uns que desejam o controle de tudo e de todos há.

            Prender o juiz Moro e melar a lava jato não falta desejo.

          2. Heart

            31 de julho de 2015 4:31 pm

            Meu deus como esses trolls
            Meu deus como esses trolls jogam para a platéia.

            Quando Fausto de Sanctis prendeu Daniel Dantas por tentativa de suborno comprovada, foi um ataque ao Estado de Direito.

            Quando Moro prende preventivamente sem provas é democracia.

            Não entendo como esses posts passam na moderação.

        2. oneide

          31 de julho de 2015 2:44 pm

          (Sem título)

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=AiECWKxgD-Y%5D

      2. Juliano Santos

        31 de julho de 2015 2:23 pm

        Diogo, não dê confiança para

        Diogo, não dê confiança para o(a) Oneide. É trolll que gasta espaço do Nassif, sem necessidade alguma

  2. Antonio Rico

    31 de julho de 2015 1:40 pm

    Ser um pouco melhor que

    Ser um pouco melhor que Argentina e Venezuela não é mérito nenhum, pois é uma comparação com os piores.O problema é que a dinâmica da nossa ecnonomia está piorando com recessão,  aumento de desemprego, déficit primário, inflação em alta  , eminente perda da nota de investimento e empobrecimento do país.

    Estamos retrocedendo pergiosamente numa espiral que pode nos remeter aos anos 80.

     

     

     

     

    1. Orlando Soares Varêda

      31 de julho de 2015 6:23 pm

      “Estamos retrocedendo

      “Estamos retrocedendo pergiosamente numa espiral que pode nos remeter aos anos 80.”

      Não entendi Antonio Rico.  Se esta previsão vir a se confirmar, como  seria ruim se nós ficaremos 3 décadas mais jovem?

      Orlando

  3. Renato Lazzari

    31 de julho de 2015 1:43 pm

    Se não for estorvo, poderia,

    Se não for estorvo, poderia, por obséquio, trazer as fontes desses índices, caro Diogo? São índices médios ou pontuais? Digo assim: quando e durante quanto tempo, por exemplo, a taxa de desemprego durante a gestão Lula ou FHC foram de 12% e 8%, respectivamente? E assim, se não for incômodo, com os outros números que aqui são reportados. Poderia?

    Grato.

    1. Diogo Costa

      31 de julho de 2015 2:05 pm

      .

      Os índices são do IBGE e do Trading Economics.

       

      A diferença no índice de desemprego entre os anos de 1999 e 2003 se deve a mudança na metodologia da análise feita pelo IBGE. Em 2002, último ano de FHC, sob a égide da nova metodologia, o índice de desemprego já estava em 12 por cento.

       

      A metodologia mudou novamente em 2015 e a partir do ano que vem a série histórica de 2002 até 2015 ficará prejudicada para comparações futuras, em função da referida nova metodologia de cálculo do desemprego. 

      1. Renato Lazzari

        31 de julho de 2015 2:21 pm

        Grato novamente. E se a

        Grato novamente. E se a metodologia mudou, esses números não são confiáveis, é isso? Digo, será que a divulgação desses números – prá lá ou prá cá, tanto faz – não pode estar mesmo é a serviço de alguma ideologia? Acima até de se pretender um panorama realista e verdadeiro?

        1. Diogo Costa

          31 de julho de 2015 2:30 pm

          .

          As correções metodológicas para o cálculo do PIB, da inflação e de outros índices diversos são normais. Normais e periódicas. 

    2. Juliano Santos

      31 de julho de 2015 2:36 pm

      Me permita Diogo, responder

      Me permita Diogo, responder as dúvidas do Renato. Os números, corretos, estão colocados de forma que confundem.

      Na verdade para comparar os governos do FHC e Lula no quesito emprego, é preciso dizer que o primeiro entregou o país ao segundo com uma taxa de + ou – 12% de desemprego, índice de 2003, ainda sob o efeito da política economica tucana. E Lula entregou a sua sucessora, Dilma, com uma taxa de entorno de 6%, ou seja, a metade. Nesse intervalo não houve mudança de metodologia

  4. DanielQuireza

    31 de julho de 2015 2:01 pm

    O Brasil está melhor que

    O Brasil está melhor que Venezuela e Argentina.

    Qual a novidade e qual a vantagem nisso ?

     

  5. Rogerio Acquadro

    31 de julho de 2015 3:25 pm

    Quem disse?

    Quem foi o gênio que disse que Argentina e Venezuela estão melhores que Brasil???

    As comparações com outros países são absurdas, na maioria dos casos. Comparar Brasil a México, por exemplo. São realidades completamente diferentes, acordos comerciais etc.

    Mas então, porque não comparar com um pais bem vizinho nosso, o Chile? Com taxa básica de juros a 3% ao ano. Ou o Uruguai, a 9.25%?

    O IPC no Chile é 4,4%, no Uruguai 8,53%.

    Escolher Argentina e Venezuela para dizer que a situação econômica do Brasil não está tão ruim é o mesmo que comparar os índices de violência do Brasil com algum país em guerra civil na África e dizer que estamos até que bem.

    Se bem que se fizerem essa comparação é capaz de tomarmos um 7×1….

  6. basílio

    31 de julho de 2015 5:46 pm

    Chega de manipulação
    Estatísticas servem para demonstrar qualquer coisa que se queira previamente.
    O primeiro ano do segundo mandato de Dilma e Fhc devem ser comparados ao primeiro ano do segundo mandato de Lula, não ao do primeiro mandato dele,
    Por coerência.
    Outra coisa, para que essa comparação com a Venezuela e Argentina, e porque a escolha desses índices, juros, inflação e desemprego, e não crescimento do PIB ou valor do salário mínimo ou outro?
    O resultado poderia ser bem diferente?
    Por exemplo, a Argentina cresceu mais que o Brasil desde 2002 em TODOS os anos, posso então usar esse dado para demonstrar outra coisa?
    Chega de mistificação, chega de manipulação.

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