
PARA ALÉM DA RETÓRICA – Há uma eterna mania de alguns grupos em tecer comparações entre a política e a conjuntura nacionais com estes mesmos elementos presentes em países vizinhos, notadamente na Venezuela e na Argentina.
Os setores ditos de esquerda, que desde tempos imemoriais urram de prazer em fazer tais comparações, batem sempre na mesma tecla: a Argentina e a Venezuela tem “governos revolucionários” e estão muito mais avançados que o Brasil em todos os aspectos possíveis e imagináveis. Persiste sempre um tom rançoso nestas comparações, como se o Brasil fosse um padrão ruim e desprezível na comparação com nuestros hermanos.
Em primeiro lugar, esse tipo de análise desconhece, desde sempre, a questão da correlação de forças existente no Brasil e em outros países do globo terrestre.
Em segundo lugar, as análises atuais a respeito da economia política nacional, continental e mundial não levam em consideração nenhuns aspectos como os ciclos econômicos, a debacle do preço das commodities minerais e agrícolas, a iminente normalização da política econômica nos EUA, a queda na economia chinesa, etc.
Em terceiro lugar, pintam um quadro do Brasil, de forma comparada ao país de Gardel e de Bolívar, como se nossos vizinhos estivessem em situação infinitamente superior. Principalmente tratando-se de quesitos como inflação, taxa de juros e emprego, é necessário e urgente revelar a verdade factual a respeito da situação brasileira.
Façamos isso, portanto:
1) Taxa de juros
-Argentina: 22,5% ao ano;
-Venezuela: 19,6% ao ano;
-Brasil: 14,25% ao ano.
2) Inflação
-Venezuela: 68,5%;
-Argentina: 15%;
-Brasil: 9%.
3) Desemprego
-Venezuela: 7,9%;
-Argentina: 7,1%;
-Brasil: 6,9%.
Não seria de todo ruim enveredar também pela comparação do Brasil consigo mesmo, até para dissipar as teorias dos profetas do apocalipse, que trombeteiam sobre o fim dos tempos em Pindorama.
Para tanto, a régua adequada é comparar os índices do Brasil nos últimos 03 ajustes macroeconômicos (1999, 2003 e o atual de 2015).
1) Taxa de juros
-Em julho de 1999, ajuste de FHC/PSDB: 19,5% ao ano;
-Em julho de 2003, ajuste de Lula/PT: 24,5% ao ano;
-Em julho de 2015, ajuste de Dilma/PT: 14,25% ao ano.
2) Inflação
-Em 1999, inflação de FHC/PSDB: 8,9%;
-Em 2003, inflação de Lula/PT: 9,3%;
-Em 2015, inflação de Dilma/PT: 9%.
3) Desemprego
-Em 1999, desemprego de FHC/PSDB: 8%;
-Em 2003, desemprego de Lula/PT: 12%;
-Em 2015, desemprego de Dilma/PT: 6,9%.
Todos esses dados trazidos a baila servem apenas para contestar o clima de final do mundo que se instalou no Brasil atual. E servem também para evidenciar que o debate econômico, para além dos slogans, das frases de efeito ou das palavras de ordem, necessita de um mínimo de racionalidade na análise da situação concreta e objetiva dos fatos.
O Brasil vive hoje o terceiro ciclo econômico dos governos do Partido dos Trabalhadores (pró-cíclico entre 2003 e 2008 e a partir de 2015; e anticíclico entre 2009 e 2014). O fim da política econômica anticíclica trás dissabores mas é uma necessidade, até porque nenhum país da face da terra mantém políticas anticíclicas de forma indefinida. Não há orçamento que aguente.
Nos últimos 06 anos o mundo tem se mantido a partir de doses cavalares e descomunais de afrouxamento monetário, expansionismo fiscal e política agressivamente anticíclica. A reversão dessas políticas está em adiantado estágio nos EUA e no Brasil, ao passo que ainda estão sendo levadas a efeito na Zona do Euro.
Cedo ou tarde a maioria dos países terá que desembarcar do expansionismo monetário e fiscal, algo que nós estamos a fazer desde já.
Para finalizar, no que é mesmo que, em termos econômicos, a Argentina e a Venezuela estão melhor que o Brasil?
oneide
31 de julho de 2015 12:56 pmOs numeros oficiais não são
Os numeros oficiais não são confiáves na Argentina e na Venezuela, o Brasil esta indo para o mesmo buraco de falta de confiança.
Porque não colocou o PIB?
michel bauer
31 de julho de 2015 1:05 pmconfiáveis mesmo, só os
confiáveis mesmo, só os números apresentados por oneide.
como diria minha mãe: “tem gente que acha bonito ser feio”.
Diogo Costa
31 de julho de 2015 1:06 pm.
São os números conhecidos e aceitos pelos órgãos internacionais.
Quanto ao PIB, o do Brasil cairá entre 1,5 e 2 por cento; o da Venezuela cairá mais de 6 por cento e a Argentina terá crescimento zero ou um pouco superior a isso.
O Brasil tem índices infinitamente superiores aos da Argentina e da Venezuela, principalmente em se tratando de orçamento e reservas internacionais.
A Venezuela terá que mudar a sua política de subsídidos diversos, principalmente o do petróleo, se não quiser implodir. É absolutamente impossível um país prosperar se mantém de forma artificial e insustentável, como é agora, o litro da gasolina incomensuravelmente mais barato do que um litro d’água.
Na Argentina estão segurando a desvalorização do peso, que virá logo depois da eleição. E terão que rever também a política de subsídios, principalmente no setor elétrico.
oneide
31 de julho de 2015 2:00 pm“tem índices infinitamente
“tem índices infinitamente superiores” disso eu acho que ninguém duvida, não importa quanto se maquie os dados.
A opção ideológica pelo socialismo especialmente na Venezuela não vai permitir qualquer avanço econômico e social nestes países.
Os “regimes” estão passando de autoritário, para totalitário a passos largos, (o Brasil é intervencionista).
Gunter Zibell - pró-Rede
31 de julho de 2015 2:28 pmFelizmente
Não há risco do Brasil passar para autoritário ou totalitário. A Mídia é atuante, a Classe Média conscientizada dos problemas na economia e o Legislativo não seria conivente com isso.
oneide
31 de julho de 2015 2:48 pmSim , felizmente.
Mas que tem
Sim , felizmente.
Mas que tem uns que desejam o controle de tudo e de todos há.
Prender o juiz Moro e melar a lava jato não falta desejo.
Heart
31 de julho de 2015 4:31 pmMeu deus como esses trolls
Meu deus como esses trolls jogam para a platéia.
Quando Fausto de Sanctis prendeu Daniel Dantas por tentativa de suborno comprovada, foi um ataque ao Estado de Direito.
Quando Moro prende preventivamente sem provas é democracia.
Não entendo como esses posts passam na moderação.
oneide
31 de julho de 2015 2:44 pm(Sem título)
[video:https://www.youtube.com/watch?v=AiECWKxgD-Y%5D
Juliano Santos
31 de julho de 2015 2:23 pmDiogo, não dê confiança para
Diogo, não dê confiança para o(a) Oneide. É trolll que gasta espaço do Nassif, sem necessidade alguma
Antonio Rico
31 de julho de 2015 1:40 pmSer um pouco melhor que
Ser um pouco melhor que Argentina e Venezuela não é mérito nenhum, pois é uma comparação com os piores.O problema é que a dinâmica da nossa ecnonomia está piorando com recessão, aumento de desemprego, déficit primário, inflação em alta , eminente perda da nota de investimento e empobrecimento do país.
Estamos retrocedendo pergiosamente numa espiral que pode nos remeter aos anos 80.
Orlando Soares Varêda
31 de julho de 2015 6:23 pm“Estamos retrocedendo
“Estamos retrocedendo pergiosamente numa espiral que pode nos remeter aos anos 80.”
Não entendi Antonio Rico. Se esta previsão vir a se confirmar, como seria ruim se nós ficaremos 3 décadas mais jovem?
Orlando
Renato Lazzari
31 de julho de 2015 1:43 pmSe não for estorvo, poderia,
Se não for estorvo, poderia, por obséquio, trazer as fontes desses índices, caro Diogo? São índices médios ou pontuais? Digo assim: quando e durante quanto tempo, por exemplo, a taxa de desemprego durante a gestão Lula ou FHC foram de 12% e 8%, respectivamente? E assim, se não for incômodo, com os outros números que aqui são reportados. Poderia?
Grato.
Diogo Costa
31 de julho de 2015 2:05 pm.
Os índices são do IBGE e do Trading Economics.
A diferença no índice de desemprego entre os anos de 1999 e 2003 se deve a mudança na metodologia da análise feita pelo IBGE. Em 2002, último ano de FHC, sob a égide da nova metodologia, o índice de desemprego já estava em 12 por cento.
A metodologia mudou novamente em 2015 e a partir do ano que vem a série histórica de 2002 até 2015 ficará prejudicada para comparações futuras, em função da referida nova metodologia de cálculo do desemprego.
Renato Lazzari
31 de julho de 2015 2:21 pmGrato novamente. E se a
Grato novamente. E se a metodologia mudou, esses números não são confiáveis, é isso? Digo, será que a divulgação desses números – prá lá ou prá cá, tanto faz – não pode estar mesmo é a serviço de alguma ideologia? Acima até de se pretender um panorama realista e verdadeiro?
Diogo Costa
31 de julho de 2015 2:30 pm.
As correções metodológicas para o cálculo do PIB, da inflação e de outros índices diversos são normais. Normais e periódicas.
Juliano Santos
31 de julho de 2015 2:36 pmMe permita Diogo, responder
Me permita Diogo, responder as dúvidas do Renato. Os números, corretos, estão colocados de forma que confundem.
Na verdade para comparar os governos do FHC e Lula no quesito emprego, é preciso dizer que o primeiro entregou o país ao segundo com uma taxa de + ou – 12% de desemprego, índice de 2003, ainda sob o efeito da política economica tucana. E Lula entregou a sua sucessora, Dilma, com uma taxa de entorno de 6%, ou seja, a metade. Nesse intervalo não houve mudança de metodologia
DanielQuireza
31 de julho de 2015 2:01 pmO Brasil está melhor que
O Brasil está melhor que Venezuela e Argentina.
Qual a novidade e qual a vantagem nisso ?
Rogerio Acquadro
31 de julho de 2015 3:25 pmQuem disse?
Quem foi o gênio que disse que Argentina e Venezuela estão melhores que Brasil???
As comparações com outros países são absurdas, na maioria dos casos. Comparar Brasil a México, por exemplo. São realidades completamente diferentes, acordos comerciais etc.
Mas então, porque não comparar com um pais bem vizinho nosso, o Chile? Com taxa básica de juros a 3% ao ano. Ou o Uruguai, a 9.25%?
O IPC no Chile é 4,4%, no Uruguai 8,53%.
Escolher Argentina e Venezuela para dizer que a situação econômica do Brasil não está tão ruim é o mesmo que comparar os índices de violência do Brasil com algum país em guerra civil na África e dizer que estamos até que bem.
Se bem que se fizerem essa comparação é capaz de tomarmos um 7×1….
basílio
31 de julho de 2015 5:46 pmChega de manipulação
Estatísticas servem para demonstrar qualquer coisa que se queira previamente.
O primeiro ano do segundo mandato de Dilma e Fhc devem ser comparados ao primeiro ano do segundo mandato de Lula, não ao do primeiro mandato dele,
Por coerência.
Outra coisa, para que essa comparação com a Venezuela e Argentina, e porque a escolha desses índices, juros, inflação e desemprego, e não crescimento do PIB ou valor do salário mínimo ou outro?
O resultado poderia ser bem diferente?
Por exemplo, a Argentina cresceu mais que o Brasil desde 2002 em TODOS os anos, posso então usar esse dado para demonstrar outra coisa?
Chega de mistificação, chega de manipulação.
Calvin
31 de julho de 2015 6:21 pmPor falar nisso…
http://www.valor.com.br/internacional/4154464/somente-brasil-e-venezuela-terao-recessao-na-america-do-sul-ve-cepal