Jornal GGN – O plenário da Câmara dos Deputados derrotou a proposta da deputada federal bolsonarista Bia Kicis (PSL) para aprovar uma emenda à Constituição (PEC) que tornaria o voto impresso e a contagem pública e manual de votos obrigatórios a partir da próxima eleição.
A resposta da Casa veio no mesmo dia em que Jair Bolsonaro fez uma demonstração desastrada de poder usando um comboio de veículos blindados das Forças Armadas. A atitude foi ridicularizada até na mídia internacional.
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Por volta das 22h da noite de terça-feira (10), o presidente da Casa, deputado Arthur Lira, proclamou o resultado final da votação: foram 229 votos a favor da PEC do voto impresso, ante 218 contra e 1 abstenção. Para ser aprovada, a proposta deveria ter obtido, pelo menos, 308 votos favoráveis. Outros 64 deputados não votaram.
“A democracia do plenário desta Casa deu uma resposta a este assunto e, na Câmara, eu espero que este assunto esteja, definitivamente, encerrado”, finalizou Lira, que levou a discussão ao plenário mesmo após a PEC ter sido rejeitada numa comissão especial.
Parlamentares bolsonaristas, sobretudo do Partido Social Liberal (PSL), tentaram adiar a votação para conseguir reunir os votos necessários à aprovação da matéria, mas a maioria da Casa rejeitou o pedido no início da sessão.
Por questão de estratégia, a oposição ao governo optou por não discursar no começo do debate, para garantir que a votação fosse concluída ainda na terça.
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O deputado Alessandro Molon, do PSB, celebrou a vitória e disse que é a resposta do Parlamento às ameaças de Bolsonaro contra a democracia brasileira.
A deputada Fernanda Melchionna, do PSOL, afirmou, antes da votação, que o voto impresso sequer deveria ser uma discussão no plenário, tendo em vista a importância de outros temas, como o impeachment de Bolsonaro.
Marcelo Freixo, do PSB, avaliou que Bolsonaro tenta, com o voto impresso, lançar uma “cortina de fumaça” sobre as eleições de 2022, já que a sua derrota na urna é provável.
O deputado Carlos Sampaio (PSDB/SP) discursou contra a proposta e afirmou que as urnas eletrônicas já são auditáveis. Mais cedo, o PSDB emitiu nota à imprensa dizendo que havia fechado questão contra o voto impresso. Mas, durante a votação, 20 dos 32 deputados tucanos não rejeitaram a PEC – 1 se absteve, 5 faltaram e 15 disseram sim ao voto impresso. A informação é do jornalista Reinaldo Azevedo.
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(Cintia Alves e Ana Gabriela de Sales)
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