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Jornal GGN – O motoboy Ivanildo Gonçalves negou o compartilhamento espontâneo de dados de seu aparelho celular à CPI da Covid, na manhã desta quinta (1/9). Relator da CPI, o senador Renan Calheiros requereu as “providências cabíveis” à presidência, para quebrar o sigilo telemático do funcionário da VTCLog.
A VTCLog é a empresa que presta serviços de logística ao Ministério da Saúde na distribuição de insumos e vacinas pelo País. Ivanildo narrou que recebia ordens de Zenaide de Sá Reis, responsável pelo financeiro da empresa, para sacar recursos financeiros em caixas eletrônicos, realizar depósitos ou pagar boletos. “Eu não fazia transferências bancárias”, acrescentou.
Ivanildo chamou atenção da CPI por ter movimentado quase 5 milhões de reais da VTCLog nos últimos anos. Ele confirmou que recebe salário de R$ 1,7 mil e trabalha na empresa de logística, como motoboy, desde 2009.
O depoente informou que o dinheiro sacado em espécie nos bancos eram entregues diretamente à Zenaide.
Questionado sobre o maior valor retirado “na boca do caixa” a pedido da empresa, ele informou que “no começo já saquei 430 mil” reais. A maior parte das transações se deram em uma agência da Caixa Econômica Federal, em um aeroporto.
O funcionário disse que utilizou o montante para pagar boletos no mesmo banco e não se lembra do quanto sobrou para devolver ao financeiro. A resposta não convenceu os senadores.
O senador Renan Calheiros revelou que Ivanildo sacava “muito dinheiro” com certa frequência para a VTClog. Há registros de que ele retirou do caixa eletrônico, mais de uma vez ao mês, quantias que ultrapassam 100, 200 mil e 300 mil reais.
Omar Aziz, presidente da CPI, estranhou a movimentação. O parlamentar lembrou que operações financeiras deste porte geralmente são programadas pelos bancos e feitas em caráter reservado, e não “na boca do caixa”, para evitar assaltos.
MINISTÉRIO DA SAÚDE
Ivanildo negou que tenha entregue dinheiro em mãos de terceiros. Ele afirmou que esteve no quarto andar do Ministério da Saúde entregando faturas, boletos, cartas de créditos, em algumas oportunidades, mas não recorda o nome de funcionários da Pasta. Segundo o senador Randolfe Rodrigues, no quarto andar da Saúde trabalhava Roberto Ferreira Dias, pivô do escândalo Covaxin.
PAGAMENTOS A ROBERTO DIAS
Ontem, a CPI mostrou indícios de que Ivanildo pagou boletos para Roberto Ferreira Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde. Para a CPI, Dias era homem de confiança de Ricardo Barros, líder do governo Bolsonaro na Câmara. Ele só foi afastado do cargo após a comissão revelar que ele supostamente cobrou propina para fechar contratos de compra de vacinas na pandemia de Covid-19.
Em breve, mais informações.
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