10 de junho de 2026

Há muito de podre no Reino, por Lygia Jobim

Nossos deputados não se vendem. Eles se alugam.
Rene Magritte

Há muito de podre no Reino

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por Lygia Jobim

Costuma-se dizer que o Presidente da Câmara está sentado sobre uma pilha de mais de cem pedidos para que instaure um processo de impeachment.

A realidade não é essa.

Está sentado sobre um país em franca decomposição, onde valores morais não valem mais que um par de setes num pôquer com cartas marcadas para que vença a desfaçatez e obscenidade dos sem caráter.

Está sentado sobre 595.000 mortos por Covid-19, fruto não de uma política sanitária errada, como a princípio se acreditava, mas de uma política deliberada de colocar o lucro acima da morte. Há cinco meses a CPI que investiga os crimes cometidos no enfrentamento à pandemia vem apontando condutas criminosas dos que deveriam combatê-la. A cada dia um novo horror vem à luz, uma nova monstruosidade se apresenta de forma irrefutável.

As descobertas se sucedem com rapidez estas têm sempre por trás o Gabinete Paralelo. Mayra Pinheiro, a Capitã Cloroquina nos brindou com seu carregamento do produto para Manaus, cidade onde faltava oxigênio e as pessoas morriam asfixiadas. Diariamente surgem mais provas da conduta criminosa que, com a aprovação, anuência, concordância e o que mais quiserem de Bolsonaro, transformou a Prevent Senior em sucursal de campo de concentração. Ao fazer experiência em seus pacientes sem autorização dos mesmos ou de seus familiares, obrigando os médicos a receitarem remédios off label para ver que resultados se obtinha, os forçou a agirem como doutores Mengele. Ao deturparem e ocultarem os resultados da pesquisa, para que o tratamento continuasse a ser aplicado, ultrapassaram a fronteira do humano.

As vacinas foram forçadas a aprender a dança da propina o que ocasionou um atraso no início da vacinação e a falta das mesmas até hoje.

O país é vendido a preço de banana, os direitos trabalhistas desaparecem, os empregos também. Em alta só a fome e miséria enquanto a democracia é ameaçada por quem jurou obedecer a Constituição.

Mas nada disto o incomoda pois ele recebeu, em troca de sua omissão, onze bilhões de reais para serem administrados e distribuídos conforme sua caneta desejar. Ao beneficiado cabe votar aquilo que seu mestre mandar.

A liberação do dinheiro se dá de forma simples. Basta que se envie um ofício ao relator do orçamento pedindo a liberação de dinheiro para a compra de tratores ou algo semelhante para um determinado município. Sendo um deputado fiel é solicitada a transferência, não havendo mais nenhuma forma de controle sobre como foi gasto o dinheiro. Tudo é feito de forma sigilosa, sem que se saiba quem pediu nem quanto pediu.

A prestação de contas se dá através do voto obediente.

Se somados aos sete bilhões que cabem ao Senado teremos um total de 18 bilhões. A soma do destinado a cada Casa é maior do que a soma dos orçamentos dos ministérios das Comunicações, Meio Ambiente, Minas e Energia e Turismo.

Esse o valor do aluguel pelo apoio do Centrão a Bolsonaro. Mas não é possível dizer que seus deputados se vendam. Apenas se alugam por prazo indeterminado cabendo-lhes, sem pagamento de multa por quebra antecipada de contrato, decidir por quanto tempo, com seus votos venais, apoiarão o poder da ocasião.

Há muito de podre no reino, mas o Sr. Artur Lira carece de olfato.

Lygia Jobim – Advogada e jornalista

Este texto não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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