4 de junho de 2026

Ministra Damares concorda com veto de Bolsonaro à distribuição de absorventes

Ministra usa falso dilema para apoiar veto a projeto aprovado no Senado: “A prioridade é a vacina ou o absorvente?”
Damares Alves, senadora e ex-ministra de Mulher, Família e Direitos Humanos. | Foto: Valter Campanato/Ag. Brasil

da Rede Brasil Atual

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São Paulo – A ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), Damares Alves, saiu em defesa do veto do presidente Jair Bolsonaro à distribuição de absorventes para mulheres. Em evento em Francisco Beltrão, no Paraná, Damares disse: “Hoje a gente tem que decidir, a prioridade é a vacina ou é o absorvente? As mulheres pobres sempre menstruaram nesse Brasil e a gente não viu nenhum governo se preocupar com isso. E agora o Bolsonaro é o carrasco, porque ele não vai distribuir esse ano”.

Na proposta, avalizada pelo Senado, os itens básicos de higiene deveriam ser distribuídos para estudantes de baixa renda de escolas públicas e mulheres em situação de rua ou de vulnerabilidade extrema. A decisão trouxe novamente ao debate o conceito de “pobreza menstrual” – agravada pela pandemia – e a dificuldade de promover políticas públicas capazes de acolher esses públicos.

O governo quis justificar o veto, ontem, com publicação no Diário Oficial sob o argumento de que o projeto vindo do Congresso não estabeleceu as fontes de custeio.

Falso dilema

Entre as autoridades que não aprovaram a postura de Bolsonaro, o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), criticou a decisão do governo federal. “O combate à pobreza menstrual é um tema que requer a atenção de todos os agentes públicos, principalmente, quando afeta a educação, provocando a ausência das estudantes durante o ciclo”, disse nas redes sociais. “Questões sociais, biológicas e emocionais que afetam da vida da mulher nesse período. É inaceitável qualquer movimento que estimule a desigualdade de gênero e classe”, afirmou ainda.

Ao Portal g1, Carlos Lula, presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), disse que a ministra coloca em discussão um “falso dilema”.

“Se a disputa se dá por espaço no orçamento, é só verificar o custo que seria para termos um programa que dá dignidade às mulheres e o custo de eventos sem nenhum significado prático para o país, como motociatas. O dilema posto é falso. Poderia ser cortado gastos com propaganda institucional, por exemplo. Mas nunca afirmar que o veto se dá porque não haveria recursos para vacinação. Isso não faz nenhum sentido.”

Contudo, a ministra Damares, manteve a argumentação, afirmando que o governo federal ofertará absorventes íntimos “na hora certa”, pois atualmente todo orçamento do Ministério da Saúde é direcionado para remédio e vacina. “Não vamos tirar o arroz da cesta básica para colocar um absorvente, mas estamos muito preocupados com isso sim.”

Com informações do Portal g1

Redação

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