4 de junho de 2026

Banco Central culpa governo Bolsonaro por inflação e juros altos

Ata do Copom, divulgada nesta terça, afirma que aumento dos gastos é principal responsável pelos atuais índices negativos, e também traz críticas à PEC dos Combustíveis, assinada recentemente pelo senador Flávio Bolsonaro
Agência Brasil

Foi divulgada nesta terça-feira (8/2) a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), na qual se registraram importantes críticas por parte do Banco Central tanto ao Palácio do Planalto quanto ao Congresso Nacional.

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A projeção feita pelos participantes da reunião indica que o Brasil poderia enfrentar um quadro ainda pior de inflação e de aumento da taxa de juros, devido ao importante incremento dos gastos estatais neste ano eleitoral.

A ata afirma que o principal fator responsável pelos atuais – e já bastante altos – índices de inflação é o aumento dos gastos previstos no orçamento sancionado há duas semanas pelo presidente Jair Bolsonaro. Segundo matéria de Patricia Faermann para o GGN, o Orçamento de 2022 conta com mais de 16 bilhões de reais em verbas para o chamado “orçamento secreto”, além de 1,74 bilhão de reaispara o reajuste dos servidores e outros custos públicos de interesse eleitoral, como o fundo eleitoral e o Auxílio Brasil.

Na semana passada, o BC aumentou a taxa Selic de 9,25% para 10,75% ao ano, medida que foi justificada pelo aumento da inflação de alimentos, combustíveis e energia. Esta foi a primeira vez nos últimos cinco anos que a taxa de juros supera a barreira dos dois dígitos – a ocasião anterior foi em julho de 2017, quando estava em 10,25%, segundo informação da Agência Brasil.

A reunião do Copom também foi marcada por críticas aos diferentes projetos para tentar conter o aumento dos combustíveis, especialmente a PEC dos Combustíveis, projeto que conta com apoio do governo de Jair Bolsonaro, e que foi assinado nesta segunda pelo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo a ata, o argumento que sustenta a proposta de emenda constitucional – de que suas medidas para frear os aumentos dos combustíveis conteria também a inflação – é equivocado, porque ignoraria um possível efeito adverso a longo prazo.

“Mesmo políticas fiscais que tenham efeitos baixistas sobre a inflação no curto prazo podem causar deterioração nos prêmios de risco, aumento das expectativas de inflação e, consequentemente, um efeito altista na inflação prospectiva”, diz o texto, segundo trecho repercutido pela coluna de Álvaro Gribel em O Globo.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

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