19 de junho de 2026

Para atacar Lula, Editorial do Estadão manipulou conclusões de trabalho acadêmico

Sobre as conclusões acerca do que seria a nomeada "segunda métrica de efetividade", na verdade, o artigo original, publicado na Revista de Administração Pública, não faz referência alguma a efetividade do governo.

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Recebo do professor Frederico Bertholini, da UnB (Universidade de Brasileira) a seguinte mensagem, referente ao artigo “A lógica inacreditável do Estadão e seus templários anti-Lula

Caro Nassif,

Fui duplamente surpreendido esta manhã com uma citação nominal em um Editorial do Estadão e em uma resposta e este Editorial postada em seu Blog no Jornal GGN. 

O Editorial do Estadão, do qual discordo em maior parte, faz citações indiretas a discussões tratadas em dois artigos acadêmicos distintos, coautorados com meu orientador de doutorado, Carlos Pereira. Embora destaque superficialmente achados destes dois trabalhos, o Estadão tece uma série de conclusões e emite opiniões que não se encontram nos artigos acadêmicos publicados. Especialmente a conclusão presente no título se afasta de qualquer razoabilidade, na minha opinião. Notei que seu texto no Blog trata algumas das opiniões do Estadão equivocadamente como resultados dos meus artigos, pelo que eu gostaria de esclarecer alguns pontos.

Nenhum dos artigos citados faz menção alguma a reformas, e tampouco defende que “bom administrador é o que cede ao mito” delas. Por isso mesmo, não haveria a menor possibilidade de meus artigos defenderem que “Lula não tinha grandes reformas a propor”. Não seria, assim, uma “primeira métrica define que a efetividade” presente em meus trabalhos.

Sobre as conclusões acerca do que seria a nomeada “segunda métrica de efetividade”, na verdade, o artigo original, publicado na Revista de Administração Pública, não faz referência alguma a efetividade do governo. Ele apenas estima custos. Inclusive, o ponto levantado em sua coluna, sobre a maior disponibilidade de recursos nos governos Lula, é ótimo. Há várias discussões interessantes e pertinentes sobre este índice e suas possíveis interpretações, mas considero o esforço de apresentar esta realidade relevante e de interesse social. Não acho que valha entrar aqui nos problemas conceituais de compreensão da métrica de custos de governo – como na interpretação de que, por FHC ter destinado percentualmente o dobro de Lula a aliados, os custos seriam maiores no total. 

Evidente que o que se escreve pode não circular apenas no meio acadêmico, ambiente em que se tem interações respeitosas, não jocosas e centradas nos argumentos do trabalho, diferente da internet. Mas entendo que uma interação intelectualmente honesta – como você bem destaca – se dá a partir da bem-vinda reação crítica aos artigos e não a citações praticamente “quarterizadas” dos mesmos. Muito menos a partir de extensões conceituais absurdas, como dizer que segundo o “critério dos ilustres pesquisadores, o presidente que mais se aproximou das preferências do Congresso foi Bolsonaro” em termos de gerência de coalizões, algo que sequer cheguei próximo de dizer, até porque não faz nenhum sentido.

Não sou midiático e muito menos, mas muito menos mesmo, antilulista. Eu realmente agradeceria demais se pudesse retirar minha foto de seu artigo no site – por razões óbvias. Ainda, se pudesse fazer referência em sua réplica, quando trata de elementos não presentes em nenhum dos dois artigos acadêmicos, apenas aos autores do Editorial – Estadão – e da coluna com a qual dialoga o Editorial – Carlos Pereira. Peço também, respeitosamente, que você solicite ao portal Brasil247 o mesmo, em matéria que repercutiu seu Blog.

Muito obrigado,

Frederico Bertholini

Instituto de Ciência Política

Universidade de Brasília

Resposta – prezado Bertholini, minha afirmação sobre Bolsonaro evidentemente foi uma ironia em cima das conclusões exaradas no editorial do Estadão. Ficam aí seus esclarecimentos. 

Quanto às minhas críticas dirigidas aos autores do trabalho, foi fruto de uma ingenuidade minha: julgar que os editorialistas do Estadão seriam anacrônicos, mas não que pudessem manipular opiniões de trabalhos alheios como foi feito. Por elas, peço desculpas e publico seus esclarecimentos.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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1 Comentário
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  1. Marcio

    24 de fevereiro de 2022 10:55 am

    Estou aqui me lembrando de uma “passeata” na Av. Paulista tempos atrás, onde um dos “Herdeiros” do Estadão Empunhava um Cartaz….” Foda-se a Venezuela”….então Eu digo….” Fodam-se os do Estadão”…

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