5 de junho de 2026

Invasão da Rússia à Ucrânia chega ao 15º dia sem promessa de fim

Putin admitiu que sanções do Ocidente "criaram problemas e dificuldades", mas disse que a Rússia irá solucionar
"Não temos a oportunidade de enterrá-los em valas particulares", disse Vadym Boichenko, vice-prefeito de Mariupol, que calcula ao menos 1.200 mortos por bombardeios - Foto: Reprodução/Sky News

A guerra entre a Rússia e a Ucrânia chega ao 15º dia, com mais mortes e feridos e declarações do presidente russo Vladimir Putin, admitindo que as sanções do Ocidente “criaram problemas e dificuldades” ao país.

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Em anúncio público, Putin admitiu os obstáculos das inúmeras sanções comerciais e de relações diplomáticas da Europa e Estados Unidos impostas à Rússia, afirmando que “criaram alguns problemas e dificuldades”. Entretanto, acrescentou que estes problemas “serão resolvidos”.

A fala pela manhã do líder russo também contestou os motivos para os países decratarem as sanções, descrevendo-os como “sei lá o que”, e tratou de levantar os aspectos positivos dessas medidas: que a Rússia terá um “aumento da independência e da soberania a longo prazo”.

De acordo com relatório da Castellum.AI, plataforma de compliance e diplomacia, a Rússia hoje registra mais sanções do que todos os outros países já sofreram do Ocidente, acima do que o Irã, Venezuela, Mianmar e Cuba obtiveram juntos de bloqueios econômicos.

Ainda no 15º dia de guerra na Ucrânia, 3 civis morreram no ataque a um hospital infantil ontem e outros 17 ficaram feridos em tentativas de evacuação na cidade de Mariupol, no sul do país.

Calcula-se 65 mil pessoas que foram evacuadas da Ucrânia, até agora, no cessar-fogo temporário. Nesta quarta (09), a maior parte das pessoas fugiram da cidade de Sumy, no nordeste da Ucrânia, e também de Enerhodar, ao sul, e da capital Kiev.

Para permitir a evacuação e fuga de ucranianos, mais 5 corredores foram abertos nesta quinta-feira: em Mariupol, Volnovakha, Izium, Sumy, Trostianets e Krasnopil. Apesar de não ser oficialmente uma rota de suspensão de ataques militares, diversas cidades ao redor de Kiev, a capital, também registram evacuações.

No total, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) estima 2,3 milhões de pessoas que fugiram da Ucrânia desde o início do conflito. Nesta quinta (10), o Ministério de Relações Exteriores da Ucrânia divulgou balanço falando em mais de 12 mil militares mortos:

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Ainda, de acordo com atualizações da agência britânica Sky News, os bombardeios continuaram na cidade portuária de Mariupol, apesar do anúncio de cessar-fogo. O vice-prefeito da cidade, Vadym Boichenko, fala em 1.200 ucranianos mortos nos bombardeios da cidade desde o início do conflito.

Em outro ponto de tensão, a usina nuclear de Chernobyl, que é usada pela Ucrânia para o fornecimento de energia elétrica e foi cercada pelas forças russas, recebeu novos comandos de atuação.

Desta vez o presidente Alexander Lukashenko, de Belarus – que tem atuado como intermediário-chave no conflito – determinou que especialistas bielorrussos ingressassem na usina e garantissem o fornecimento de energia, para impedir que um esfriamento gere risco de vazamento de radiação.

Pela manhã, representantes de ambos os governos, os ministros de Relações Exteriores da Ucrânia e da Rússia, tentaram negaciações sobre um cessar-fogo definitivo. Mas não houve respostas positivas.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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