Viajando pela vida
no rastro da maionese,
teve um lampejo, uma chispa
e descobriu, mesmo em tese:
que com juízo viveu
enquanto não percebeu
que juízo não tivesse.
Portanto, juízo teve
enquanto pensou que tinha;
mas quando soube não tê-lo
saiu dos trilhos, da linha;
agora se o trem quisesse
pegá-lo que cá viesse
aonde a lucidez não vinha.
Sempre fora assim – soubera,
mas jura que não sabia;
até que alguém lhe alertou
de sua mente vazia:
que ele era doido varrido,
toda a vida tinha sido,
somente um louco não via.
Como saber se era doido
se o saber requer juízo?
E se até a lucidez,
louca, mente de improviso?
Passional, às vezes cega,
sem razão a razão nega,
desatina, perde o siso.
Lucidez, mente, juízo…
nenhum dos três é preciso
pra quem um sonho carrega.
Guarujá, 11/8/2010
Odonir Oliveira
17 de maio de 2015 1:45 pmBelo poema
Faço minha a sua rima:
“Lucidez, mente, juízo…
nenhum dos três é preciso
pra quem um sonho carrega.”