22 de junho de 2026

Covid-19 – Montanha-russa brasileira: A imprensa brinca com a guerra e os governantes, com a pandemia, por Felipe Costa

Na semana encerrada ontem (7-13/3), foram registrados 319.763 novos casos – um aumento de 14% em relação à semana anterior (28/2-6/3: 280.909).

Covid-19 – Montanha-russa brasileira: A imprensa brinca com a guerra e os governantes, com a pandemia.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Por Felipe A. P. L. Costa [*].

RESUMO. – Este artigo atualiza os valores das taxas de crescimento (casos e mortes) publicados em artigo anterior (aqui). Entre 7 e 13/3, os valores ficaram em 0,1565% (casos) e 0,0642% (mortes). Após cinco semanas de queda, a taxa de casos tornou a subir. É preocupante. Ainda mais no contexto atual em que estamos: (1) a imprensa passou a brincar de cobrir a crise na Ucrânia; e (2) os governantes (nada preocupados com a saúde pública) decidiram suspender (precocemente) as medidas de proteção sanitária. Para sairmos da montanha-russa em que estamos, é imperativo (1) ampliar a cobertura vacinal; e (2) manter de pé as medidas preventivas, notadamente o uso de máscara em espaços públicos e a cobrança do passaporte vacinal.

*

1. O RITMO DA PANDEMIA NO PAÍS.

Ontem (13/3), de acordo com o Conselho Nacional de Secretários de Saúde, foram registrados em todo o país mais 18.642 casos e 133 mortes. Teríamos chegado assim a um total de 29.368.776 casos e 655.078 mortes.

Na semana encerrada ontem (7-13/3), foram registrados 319.763 novos casos – um aumento de 14% em relação à semana anterior (28/2-6/3: 280.909).

Entre 7 e 13/3, infelizmente, foram registradas 2.935 mortes – uma queda de apenas 2% em relação ao que foi anotado na semana anterior (28/2-6/3: 3.009). Após três quedas significativas, foi uma queda quase inexpressiva.

2. TAXAS DE CRESCIMENTO.

Os percentuais e os números absolutos referidos acima ajudam a descrever a situação. Todavia, para monitorar o ritmo e o rumo da pandemia [1], sigo a usar as taxas de crescimento no número de casos e de mortes. Ambas estão agora desencontradas – a taxa de casos subiu, enquanto a de mortes meio que estancou (ver a figura que acompanha este artigo).

Vejamos os resultados mais recentes.

A taxa de crescimento no número de casos subiu de 0,1389% (28/2-6/3) para 0,1565% (7-13/3) – interrompendo assim uma série de cinco quedas consecutivas [2, 3].

A taxa de crescimento no número de mortes, por sua vez, caiu de 0,0661% (28/2-6/3) para 0,0642% (7-13/3) – é quase um estancamento, após três quedas consecutivas.

*

FIGURA. A figura que acompanha este artigo ilustra o comportamento das médias semanais das taxas de crescimento no número de casos (pontos em azul escuro) e no número de óbitos (pontos em vermelho escuro) em todo o país (valores expressos em porcentagem), entre 6/6/2021 e 13/3/2022. (Para resultados anteriores, ver aqui.) Alguns pares de pontos são coincidentes ou quase isso. A elipse e a seta associada (em azul escuro) chamam a atenção para a queda observada na taxa de casos em cinco das últimas seis semanas.

*

3. CODA.

As médias semanais das taxas de crescimento (casos e mortes) interromperam as trajetórias simultaneamente declinantes que exibiram em três das últimas quatro semanas (ver a figura que acompanha este artigo).

É preocupante.

Ainda mais no contexto atual em que estamos. Chamo a atenção aqui para dois aspectos. Primeiro. A imprensa brasileira (preocupada em normalizar e abandonar de vez a pauta pandemia) passou a cobrir a crise na Ucrânia. A julgar pela pequena amostra que já tive acesso, é um trabalho vergonhoso, de quinta categoria. Uma brincadeira de criança rica e mimada cujo propósito é o de sempre: desinformar e manipular.

Segundo. Os governantes (mais preocupados com as urnas do que com a saúde pública) decidiram suspender as medidas de proteção sanitária. É uma medida precipitada e potencialmente criminosa. (Mais mortes evitáveis serão provocadas.) A esta altura dos acontecimentos, para sairmos da montanha-russa em que estamos (i.e., as escaladas evitáveis durante a pandemia), é imperativo [4]: (1) ampliar a cobertura vacinal; e (2) manter de pé as medidas preventivas, notadamente o uso de máscara em espaços públicos e a exigência do passaporte vacinal.

*

NOTAS.

[*] Há uma campanha de comercialização em curso envolvendo os livros do autor – ver o artigo Ciência e poesia em quatro volumes. Para mais informações ou para adquirir (por via postal) os quatro volumes (ou algum volume específico), faça contato pelo endereço [email protected]. Para conhecer outros artigos e livros, ver aqui.

[1] Para capturar e antever a dinâmica de processos populacionais, como é o caso da disseminação de uma doença contagiosa, devemos recorrer a um parâmetro que tenha algum poder preditivo. Não é o caso da média móvel. Mas é o caso da taxa de crescimento. Para detalhes e discussões a respeito do comportamento da pandemia desde março de 2020, tanto em escala mundial como nacional, ver qualquer um dos três primeiros volumes da coletânea A pandemia e a lenta agonia de um país desgovernado, vols. 1-5 (aqui, aqui, aqui, aqui e aqui).

[2] Entre 21/12/2021 e 13/3/2022 (para as semanas anteriores, ver aqui), as médias semanais exibiram os seguintes valores: (1) casos: 0,0345% (27/12-2/1), 0,1472% (3-9/1), 0,2997% (10-16/1), 0,6359% (17-23/1), 0,7576% (24-30/1), 0,6544% (31/1-6/2), 0,5022% (7-13/2), 0,3744% (14-20/2), 0,2812% (21-27/2), 0,1389% (28/2-6/3) e 0,1565% (7-13/3); e (2) mortes: 0,0151% (27/12-2/1), 0,0196% (3-9/1), 0,0245% (10-16/1), 0,0471% (17-23/1), 0,0859% (24-30/1), 0,1212% (31/1-6/2), 0,1388% (7-13/2), 0,1320% (14-20/2), 0,1071% (21-27/2), 0,0661% (28/2-6/3) e 0,0642% (7-13/3).

[3] Sobre o cálculo das taxas de crescimento, ver referências citadas na nota 1.

[4] Cabe ressaltar que o ritmo da vacinação caiu muito ao longo dos últimos meses. Levamos 34 dias (24/8-27/9) para ir de 60% a 70% da população com ao menos uma dose da vacina. (Hoje, 14/3, este percentual está ainda em 84%.) Antes disso, porém, levamos 25 dias (9/7-3/8) para ir de 40% a 50% e apenas 21 dias (3-24/8) para ir de 50% a 60%. Sobre os percentuais, ver ‘Coronavirus (COVID-19) Vaccinations’ (Our World in Data, Oxford, Inglaterra).

Como escrevi em ocasiões anteriores, uma saída rápida para a crise (minimizando o número de novos casos e, sobretudo, o de mortes) dependeria de dois fatores: (i) a adoção de medidas efetivas de proteção e confinamento; e (ii) uma massiva e acelerada campanha de vacinação.

* * *

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados