10 de junho de 2026

Luiz Marinho e o pacto pela retomada da indústria brasileira

Em entrevista, ex-ministro e presidente do PT de São Paulo aborda importância de grupos de trabalho para estimular retomada do setor
Luiz Marinho, sindicalista, presidente do PT de São Paulo e ex-ministro do Trabalho. Foto: PT.org,br

O próximo presidente deve ter como um de seus focos a reformulação de grupos de trabalho entre o setor produtivo, movimentos sindicais e trabalhadores, como forma de reinventar setores econômicos em um cenário que promete ser desafiador.

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Em entrevista exclusiva à TV GGN 20 horas, o ex-ministro e atual presidente do PT de São Paulo, Luiz Marinho, aponta aos jornalistas Luis Nassif e Marcelo Auler a necessidade de se colocar luz em tal questão – que vem sendo abordado pelas centrais sindicais com alguma frequência.

Os últimos eventos também pontuam tal necessidade, como o desmonte da estrutura da Petrobras em meio à disparada dos preços do petróleo e do combustível. “Se falava do preço da Petrobras, das refinarias, do refino – tudo o que nós fizemos durante o governo Lula/Dilma, e daí veio o golpe, veio Temer, Bolsonaro, fecha refinaria, inverte toda a lógica do preço dos combustíveis”.

Com essa inversão, o país passa a importar combustível. “Parece que é bonito importar, mas nós estamos pagando o preço do gás, o preço da gasolina, do diesel, impactando na vida em especial do povo pobre, dos menores salários. Enfim, uma tragédia”.

Na visão de Marinho, a possibilidade de se discutir a formação de câmaras é algo a ser visto de maneira muito positiva. “Um debate que olha para a indústria brasileira e fala ‘nós precisamos reforçar a indústria brasileira, reindustrializar o país. Nós precisamos pensar em conversão de produção em produtos’”.

Segundo o ex-ministro do Trabalho no governo Lula, a pandemia trouxe, “talvez”, uma grande oportunidade de reformular o setor industrial do Brasil caso o país “tivesse um governo sério, orientando o debate correto”, já que o país possui inteligência e tecnologia para tal.

“Poderíamos pensar em como nacionalizar a produção dos equipamentos de saúde, por exemplo. É um absurdo a quantidade de importação que a gente faz de equipamentos de saúde – para citar uma cadeia produtiva”, ressalta Marinho.

“Então, eu vejo com muito bons olhos a possibilidade de um debate muito sério em relação a isso. Pensar as inovações tecnológicas, aprimorar as produções, pensar na nossa indústria, como nascer novas indústrias”, diz o ex-ministro. “Você tem um conjunto de possibilidades que nós estamos perdendo muito tempo”.

Para o ex-ministro, é fundamental olhar para o cenário e a conjuntura política do país, “e ver com esperança um debate porque acho que o (ex-presidente Luiz Inácio) Lula representa essa grande esperança para criar condições de por à mesa os atores econômicos e sociais para refletir, discutir e ajudar encontrar saída”.

Câmara setorial no governo Collor

Os trabalhadores e representantes da indústria já tiveram a oportunidade de trabalhar em conjunto pela retomada do setor, como lembra Marinho – que integrou a câmara setorial organizada pela ex-ministra Dorothea Werneck durante o governo Collor.

“Se a gente recuperar um pouco, a Ford Tratores estava fechando no Brasil, a Ford Motores, e aí o Vicentinho (então presidente do Sindicato) foi aos Estados Unidos, na Ford, lá ele encontrou o Rubens Ricúpero, que era o embaixador brasileiro nos EUA”, diz o sindicalista.

“Eu (Marinho) era da diretoria, da executiva do Vicentinho – eu, Carlos Grana (ex-prefeito de Santo André), e nós participamos desse processo – na verdade, eu carregava o piano para o Vicentinho tocar naquele processo da câmara setorial”, disse Marinho.

De acordo com o ex-ministro, Ricupero foi intermediário no contato dos trabalhadores com o governo federal.  “O Rubens Ricupero liga para o Marcílio Marques Moreira, então ministro do Collor (ministro da Fazenda) e diz ‘olha, tem o Vicentinho aqui, muito sério, com muitas ideias importantes para refletir sobre a indústria brasileira. Receba ele aí'”.

“O Marcílio Marques Moreira delegou para a Dorothea Werneck receber o Vicentinho, deu carta branca, e acho que o Collor nem soube o que aconteceu, mas acabamos fazendo ali um belo trabalho na câmara setorial”, afirma o presidente do PT de São Paulo.

Acompanhe a íntegra da entrevista com Luiz Marinho e uma análise aprofundada dos últimos acontecimentos na íntegra da TV GGN 20 horas. Clique abaixo e confira!

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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  1. Paulo Dantas

    19 de março de 2022 2:03 pm

    O único “pacto” que gera industria é o Tio Patinhas , fora isto só trabalho no governo , Executivo e Legislativo , para gerar condições de investimento.
    O Judiciário ajuda com Segurança Jurídica.

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