O artigo “Lula, recorra ao AA, por Ivan Colangelo Salomão”, publicado há pouco, faz parte do esforço do GGN para ampliar o leque de opiniões. Mas a receita não é recomendada.
Há dois perigos na guerra política. O primeiro, é a minimização do adversário. O segundo, o pânico em relação ao adversário.
Um governo, ainda mais na quadra política atual, precisa alargar sua base de apoio. Mas se é o organizador da base, o polarizador, o que tem potencial de vencer a eleição, o pacto óbvio é resguardar as funções estratégicas e negociar as demais funções com os aliados.
Assustado com a horda bolsonarista, Ivan propõe que se entregue as duas principais cidadelas – o Banco Central e a Fazenda – ao mercado, nas figuras de André Lara Rezende (que nem é mais mercado), Pérsio Arida, Armínio Fraga, como se a saída fosse recriar um pacto pré-Constituinte, com personagens do passado. Ou seja, repetindo a mesma fórmula que levou ao desmonte da estrutura política, pela incapacidade de promover o desenvolvimento, de romper com a armadilha da dívida pública.
Ora, pacto não é a mesma coisa que baile em que todos dançam com todos.
Há um enorme desafio pela frente, o de restaurar a democracia inclusiva e romper com as amarras que impediram o país de crescer nas últimas três décadas. O pacto tem que trazer propostas novas, ideias novas, conceitos novos e uma nova geração de pensadores.
O mundo atravessa as mudanças mais radicais das últimas cinco décadas. Há desafios enormes para a montagem do novo modelo, que leve em conta cadeias produtivas, movimentos sociais, parcerias grandes e pequenas empresas, agronegócio e agricultura familiar. A governabilidade, com Faria Lima e tudo, é da velha ordem, que já mostrou seu fracasso.
Em um palco entregam-se os anéis, não os dedos.
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