30 de junho de 2026

Bolsonaro deve ser investigado por incitar armas e população contra resultado das eleições 2022

Após elogiar o aumento do porte de armas em seu governo, Bolsonaro disse que o "maior Exército é o povo brasileiro"
Jair Bolsonaro e os comandantes das Forças Armadas em 2021 - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Jair Bolsonaro deverá ser investigado por incitar a violência, com o uso de armas pela população, contra o resultado eleitoral de 2022. O PT ingressou, na noite desta sexta (11), duas petições e uma notícia crime contra Bolsonaro por suas declarações em agenda no sul do país, na semana passada.

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Na última sexta (08), em evento em Passo Fundo, interior do Rio Grande do Sul, para a entrega de obras de ampliação do aeroporto, Jair Bolsonaro falou que não acreditava nas pesquisas eleitorais e estimulou o armamento da população.

“Quem acredita em pesquisa, acredita em papai noel também”, satirizou, e afirmou que, após o exponencial aumento do porte de armas no Brasil, o atual “maior Exército” do país é “o povo brasileiro”.

“Uma das coisas da mais importantes: facilitamos a compra de armas de fogo por parte do povo brasileiro. Nos últimos anos, temos dobrado a venda de armas no Brasil. Que eu sempre digo a vocês: povo armado, jamais será escravizado. Reagirá a qualquer ditador de plantão que queira robar a liberdade do seu povo. É o nosso maior Exército que nós temos, que é o povo brasileiro.”

https://youtu.be/LGk72hmiwU0?t=1336

Na mesma agenda pelo sul do Rio Grande do Sul, desta vez em Pelotas, região no qual detém amplo apoio eleitoral, o mandatário voltou a questionar o resultado das urnas do país.

“Os votos, por ocasião das eleições de outubro, serão contados. Não somos obrigados a acreditar em duas ou três pessoas, como se essas fossem donos da verdade.”

Em seguida, incitou novamente a população, ao uso da força, para garantir apoio a ele nas eleições deste ano: “A verdade está com seu povo, e o maior Exército do Brasil, que são vocês, estão conosco também.”

Nos requerimentos protocolados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e na Procuradoria-Geral da República (PGR), as declarações do mandatário deixam claro a motivação de Bolsonaro em criar milícias a favor de seus interesses político-eleitorais.

“As ações do presidente da República constituem estímulos para que o Estado de Direito seja desafiado por meio de violência política”, afirmam os advogados Eugênio Aragão e Cristiano Zanin, que assinam as peças.

“Violência essa que constitui um verdadeiro ativo político do presidente da República Jair Bolsonaro e uma ameaça ao sistema eleitoral, o que torna urgente a atuação da Corte Eleitoral”, completaram.

Eles pedem a investigação das falas do presidente, ainda em conjunto com declarações proferidas ao longo dos últimos meses, desafiando o resultado das urnas eletrônicas.

Segundo eles, as declarações expressam “um projeto e uma estratégia há muito em curso, de acintoso estímulo público de desconfiança nas instituições, no sistema de justiça eleitoral e no processo democrático como um todo”.

Leia as peças, abaixo:

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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