Nas primeiras manifestações públicas contra o governo Dilma aparecia com muita frequência o lema de pedido de intervenção das forças armadas, porém com o tempo esta solicitação de muitos foi se perdendo perante simplesmente o pedido de impeachment, talvez seja necessário uma reflexão sobre o assunto.
Após o governo Geisel as Forças Armadas descolaram da interferência dos Estados Unidos, não podemos esquecer que o primeiro presidente de 64 foi o general preferido pelo governo norte-americano e com o projeto nuclear brasileiro e o acordo com a Alemanha, que não resultou em grande coisa, os governos Geisel e Figueiredo abriram mão do véu protetor do norte e tentaram uma saída um pouco mais nacionalista para o país.
Logo a impressão que restou no sistema político-militar norte-americano foi que as forças armadas brasileiras não são totalmente confiáveis como núcleo da poder no país.
Talvez alguns insistam em denominar os governos Geisel e Figueiredo como governos atrelados ao esquema ocidental da guerra fria, porém vou citar um exemplo de dependência que muda significativamente do governo Castelo Branco para os últimos.
Lembre-se que em 1965 o Brasil enviou tropas para República Dominicana e por detalhes técnicos não se engajou na guerra do Vietnam.
Durante o governo Geisel não só foi assinado o acordo Brasil-Alemanha como foi denunciado pelo governo brasileiro o acordo de cooperação militar com os Estados Unidos, apesar do acordo Brasil-Alemanha não ter trazido frutos que se pensavam, a tecnologia de enriquecimento de Urânio por ultracentrifugação, que era no início proposta pela Alemanha, evoluiu por um projeto nacional de ultra centrífugas.
Como pode se ver uma intervenção militar nos dias atuais, onde os projetos brasileiros de indústria bélica são mais ambiciosos do que em 1977, um governo militar pode levar a diante um projeto mais amplo não dependente da aprovação Norte-americana.
Logo o exército brasileiro para um golpe inspirado de dentro para fora do país, com objetivos claros de desestruturar toda a possibilidade de autonomia tecnológica, pode esbarrar numa forte oposição exatamente nas fileiras militares engajadas neste desenvolvimento tecnológico.
Talvez nos dias atuais um governo militar não satisfaça nem as elites locais engajadas num programa de internacionalização plena da economia brasileira com privatização em todas as áreas possíveis (ensino, previdência social, energia e outras) e perda da soberania perante as vozes distantes e que comandam remotamente os passos de nossa direita.
Raul Longo
11 de maio de 2015 4:59 pmacordos entre Brasil/EUA e Alemanha
Houveram diversos motivos para a indisposição de Geisel com os Estados Unidos e um deles foram os gastos de seus antecessores com a sucata que a Westinghouse vendeu para a Usina de Angra. Geisel ficou indignado com os relatórios dos técnicos alemães sobre os grandes riscos oferecidos pelos equipamentos. Foi necessário desmontar e dispensar muita coisa, com enorme prejuízo para o país que teve de recomprar e, sob supervisão alemã proceder instalações de novos equipamentos. As avaliações dos alemães usavam termos similares à “loucura” e ridicularizaram a ingenuidade dos governantes brasileiros. Geisel não foi nenhum santo, mas há que se rezar a ele, pois se na sequência ao Costa e Silva e o Médici entrasse outro igualmente estúpido e canalha o Brasil teria se consolidado no inferno que um após outro construíram.
Athos
9 de agosto de 2015 4:24 pmSó um detalhe. …
Nossa
Só um detalhe. …
Nossa tecnologia de enriquecimento não é derivada da nos fornecida pela Alemanha.
Os alemães nos forneceram uma tecnologia que não podia ser mais aprimorada, além de anti econômica.
Foi feito assim PORQUE os EUA exigiram que assim o fosse.
Existem diversas fontes…