5 de junho de 2026

Governo Bolsonaro enviesa enfrentamento da pandemia para virar discurso de reeleição

Enquanto Queiroga anunciava "vitórias" do governo na pandemia na OMS, Bolsonaro derrubava decretos de políticas públicas para a Covid-19
Foto: Divulgação/PR

Como esperado, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga minimizou o impacto da pandemia conduzida por Jair Bolsonaro, que matou 665 mil pessoas, em discurso hoje (23) na Organização Mundial da Saúde (OMS). E enquanto o ministro declamava as “vitórias” do Brasil no suposto combate ao coronavírus, o presidente derrubava o Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19.

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Os dois ocorreram na manhã desta segunda (23). Segundo Jamil Chade, do Uol, o discurso de Queiroga foi mais uma “propaganda eleitoral”, que omitiu os dados de vítimas de Covid-19 no país e comemorou os supostos “avanços”. E sem ser conduzido a falar do tema, levantou a bandeira “anti-corrupção” de Bolsonaro na saúde.

“Queiroga, como se não estivesse na sede da ONU, ignorou todos os principais temas da agenda internacional, como a negociação de um novo tratado global contra pandemias, não citou a reforma da OMS (Organização Mundial da Saúde), o debate sobre o regulamento sanitário internacional e não tocou no tema da guerra na Ucrânia”, relatou o jornalista, em sua coluna.

E no tom da campanha de reeleição de Bolsonaro, sem ser convidado a falar sobre o aborto, disse que o governo “defende, de forma intrasigente, a vida desde a sua concepção”.

Sendo o Brasil o segundo país com mais mortes por Covid-19, a reunião da OMS em Genebra, nesta semana, tinha o objetivo de traçar novas metas para o combate do vírus e diminuir as desigualdades de acesso a vacinas e recursos para o enfrentamento.

Mas na linha do que vem adotando de forma eleitoral, Queiroga participou do evento com a missão de desfazer a imagem negativa que o Brasil recebeu no exterior. Sem contextualizar o impacto de todas as políticas negacionistas do governo Bolsonaro, Queiroga disse que o Brasil reduziu “em 90% os óbitos pela Covid-19 no último ano”.

“Desde o início da pandemia de COVID-19, o governo do presidente Jair Bolsonaro atuou para preservar vidas, conciliando oequilíbrio econômico e a justiça social”, elogiou.

Conforme o GGN mostrou, entre os temas de importância para o eleitorado brasileiro atual, a pandemia deixou de ser chave e motivo de preocupação. Em pesquisa Ipespe divulgada na semana passada, 56% dos entrevistados afirmam que não estão “com medo do coronavírus” e somente 11% estão “com muito medo”.

Ao mesmo tempo que o ministro pronunciava as “vitórias” do governo Bolsonaro na pandemia, o próprio presidente publicava no Diário Oficial da União (DOU) desta segunda a revogação do Comitê de Coordenação Nacional para Enfrentamento da Pandemia da Covid-19.

Trata-se do grupo criado em março de 2021, já com um ano de atraso do governo, para lidar com a emergência e adoção de políticas para a pandemia. Também foram publicados outros 22 decretos que revogam todas as estruturas da administração pública federal para o combate à Covid-19, desde as regulamentações para o isolamento, exportação de produtos hospitalares, etc.

Nas redes sociais, também minimizando o fim das políticas do governo Bolsonaro para o enfrentamento da pandemia, Queiroga contraditoriamente disse que “nenhuma política pública de saúde será interrompida”.

Entretanto, a própria pasta de Queiroga estima que mais de 2 mil normas caíram com o fim do estado de Emergência em Saúde Pública de Importância Nacional (Espin) pela Covid-19.

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Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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