5 de junho de 2026

Avançamos muito, mas ainda não ganhamos, por Gilberto Maringoni

Os números são nossa força, mas também podem resultar em fraqueza. Uma virada de mesa com brutalidade só será impedida com organização e mobilização popular.

Avançamos muito, mas ainda não ganhamos

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por Gilberto Maringoni

Os números do DataFolha são um enorme alento em dias muito difíceis para o país. Bolsonaro desaba e o cenário econômico se deteriora rapidamente (a possível crise no abastecimento de diesel, algo inédito em nossa História, impactará ainda mais a vida dos brasileiros, entre outras consequências do caos liberal).

Apesar de tudo, as eleições não estão ganhas. A extrema-direita continental já deu demonstrações no golpe da Bolívia (2019) de que não age dentro das regras institucionais. Eles possivelmente estão estudando a tática (de guerra) a seguir diante do cenário brasileiro.

A chacina de vila Cruzeiro é um aperitivo de naturalização da morte na sociedade, com claras decorrências na disputa eleitoral. Alia-se a isso o impedimento de uma palestra de Luís Fux no Rio Grande do Sul, que contou com a proverbial covardia do presidente do STF. Os dois eventos são evidências de que os partidários da barbárie vão colocar o pé na porta diante da ascensão firme de Lula.

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Os números são nossa força, mas também podem resultar em fraqueza. Uma virada de mesa com brutalidade só será impedida com organização e mobilização popular. Não há ainda uma “campanha Lula” articulada para além das corretas e hábeis movimentações do ex-presidente junto a aliados e a direção de movimentos sociais.

É hora de intensificarmos a criação de um clima de campanha militante na base da sociedade, com disputa de opiniões e votos. É a única maneira de não sermos surpreendidos pelo sadismo social de Bolsonaro, da canalha fardada que o rodeia e do milicianismo incrustrado no aparelho de Estado. (Vale a pena olhar para as eleições colombianas e ver com essa gentalha age).

O uso do salto alto não é indumentária adequada daqui para a frente. Pelo menos me parece.

Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Gilberto Maringoni de Oliveira é um jornalista, cartunista e professor universitário brasileiro. É professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, tendo lecionado também na Faculdade Cásper Líbero e na Universidade Federal de São Paulo.

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