Xadrez de como será o golpe da urna eletrônica, por Luís Nassif

Ameaça de Jair Bolsonaro ao processo eleitorado, à sombra das Forças Armadas, é o golpe mais antecipado da história

Publicado originalmente em 9/5/2022 às 9h00

Peça 1 – como será o golpe

O golpe será estritamente dentro dos princípios da guerra híbrida. O tema, mais que conhecido, serão as suspeitas sobre a votação eletrônica. Em algum momento, surgirá algum fato de impacto, ou um factoide ou um fato plantado digitalmente por alguma empresa inadvertidamente contratada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para ajudar na segurança..

O episódio deflagará uma guerra de informações, tendo como fornecedores principais a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) e o CDCiber (Defesa Cibernética do Exército Brasileiro).

No meio da guerra, aparecerá a notícia de que Fulano de Tal, membro do Partido Tal, esteve no TSE no dia X, às XX:XX horas, encontrou-se como o Ministro Ypisolene e tratou do tema Alhures, devidamente grampeado. E Beltrano, advogado do político Y, esteve no Supremo Tribunal Federal e se encontrou no dia XXX, às XX:XX horas com o Ministro Dabliú. Em outro momento trocou a mensagem XXX com a autoridade ZZZ, e foi gravado dando informações reservadas para um jornalista.

E tudo isso será despejado em três grupos de mídia. O primeiro deles é francamente bolsonarista; o segundo é sem critério algum para filtragem de notícias, como se conferiu na cobertura da Lava Jato. O terceiro são as redes sociais.

E toda essa atoarda visará a opinião pública em geral, mas, principalmente, atrair para o golpe os componentes das Forças Armadas e das milícias armadas.

Tudo isso já é possível com os sistemas à disposição da da ABIN (Agência Brasileira de Inteligência)  e da CDCiber (Defesa Cibernética do Exército Brasileiro).

Peça 2 – o acordo com Israel

Nos últimos dias, duas reportagens colocaram foco nos dois principais personagens  militares desse jogo.

general Héber Garcia Portella

Um deles é o comandante de (CDCiber), general Héber Garcia Portella, incluído no grupo de análise das urnas pela ingenuidade absurda do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso.

No dia 6 de maio, o repórter Paulo Motoryn, do Brasil de Fato, deu a reportagem política mais importante do ano. A reportagem “General que questiona eleições contratou empresa israelense de ex-chefe de TI de Bolsonaro” conta as estripulias foi general Portella, , assinando um acordo de cooperação com a CySource, empresa de cybersegurança israelense para monitorar as eleições brasileiras.

A firma tem como um de seus executivos o analista de sistemas Hélio Cabral Sant´anna, ex-diretor de Tecnologia da Informação da Secretaria Geral da Presidência da República no governo Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, o acordo foi assinado presencialmente em 25 de março, em Tel Aviv. A nota da empresa dizia que haveria capacitação do exército em “análise de malware, fundamentos de rede, respostas a incidentes cibernéticos, red team, perícia forense digital e testes de intrusão a sistemas críticos”.

General Guido Amin Naves

O segundo personagem é o general de Exército Guido Amin Naves, que comanda o DCT (Departamento de Ciência e Tecnologia), que aparece na Folha de hoje, em reportagem de Vinicius Sassine e Marianna Holanda, “Bolsonaro tumultua eleição com dados de urnas tratados com discrição pelo Exército” que, apesar do título temeroso do jornal, traz boas informações. Inclusive a de que o general Portella – do CDCiber -, embora não tenha 4 estrelas, participa das reuniões com as cúpulas militares.

Não se trata apenas de mais um negócio envolvendo militares que passam para a reserva para poder negociar com o Estado brasileiro. Uma análise dos sistemas adquiridos pela ABIN e pela CDCiber reforçará a tese do golpe, dentro dos padrões da guerra cibernética..

Peça 3 – os sistemas adquiridos 

Todas as hipóteses imaginadas na Peça 1 já estão sob controle das duas instituições.

A ABIN teve um começo precário, em termos digitais. Com a entrada de novas pessoas, passou a se modernizar. Após 2016, o jogo digital mudou de escala, especialmente após as manifestações dos caminhoneiros em 2017. Mas a escalada começou definitivamente em 2018, o que reforça a suspeita, manifestada por alguns especialistas, da interferência de ambas as organizações na guerra digital das eleições de 2018.

As duas reportagens não avançam na descrição dos sistemas dominados pela ABIN e pelo CDCiber. Mas uma análise do que existe, hoje em dia, mostra um alcance que vai muito além da missão institucional das Forças Armadas, de defesa do território nacional contra inimigos externos. Os sistemas adquiridos permitirão um controle total sobre todas as atividades digitais internas, uma versão ampliada do chamado “capitalismo de vigilância” ou, para os mais antigos, dos “mil olhos do dr. Mabuse”, o clássico do cineasta Fritz Lang.  

Pesquisa em Fontes Abertas – Solução de busca em fontes abertas em geral, mas com funcionalidades adicionais, como a possibilidade de infiltração em grupos, perfis falsos criados em redes específicas para ter acesso a comunidades fechadas e inclusão de bots.

O que mais chama a atenção é a escala da aquisição. O contrato padrão permite monitorar 500 pessoas. O sistema adquirido permite 60 milhões de perfis, 2/3 da população digital brasileira com diferentes abordagens, como monitorar perfis específicos ou termos específicos.  Provavelmente foi desse  sistema que saiu a lista de funcionários públicos colocados em lista de suspeitos, por suas convicções políticas. Bastou colocar a relação de servidores no sistema, acionar algumas palavras-chave, para listar aqueles com comentários críticos a Bolsonaro.

Transcrição de áudios e reconhecimento facial – permite transcrever áudios por mais horas e traz funcionalidades de identificação facial.

Monitoramento físico –  Funcionalidades de tracking, com monitoramento físico de pessoas. A partir do código IMEI do celular – que é implantado em todo celular -, permite rastrear as pessoas, à medida que se deslocam fisicamente.Trata-se de um heackeamento de uma funcionalidade normal das operadoras. Cada operadora precisa saber a localização da antena do celular para mandar o sinal e cobrar a tarifação. Esse sistema criou uma operadora de telefonia fake para compartilhar as informações do sistema. O sistema pode ser operado a partir de qualquer computador, e não de terminais dedicados. Essa funcionalidade impede a identificação do servidor que opera o serviço e até abre a possibilidade de responsabilizá-lo por utilizações tratadas como indevidas.

O Geosense – Permite uma cerca geográfica em volta de um terreno. Quando algum número monitorado entra no terreno, o sistema acende um alerta. Digamos que haja um mapeamento do Instituto Lula. E uma lista ilimitada de pessoas sob acompanhamento. Qualquer uma delas que chegue no local será imediatamente identificada.

Rastreamento digital – Permite rastrear o investigado não pelo número de telefone, mas pela navegação na Internet. A partir de seu endereço de origem, pode-se levantar todas as buscas feitas no Google ou em serviços específicos, inclusive em nível institucional.

O mapeamento de IPs – Tribunais, instituições, todas têm IPs fixos. Com esse sistema, pode-se monitorar uma organização inteira. E com o tratamento do metadados, pode-se extrair todo tipo de informações. Esse sistema foi inspirado no vazamento da NSA. Uma empresa privada percebeu que poderia implementar uma parte da tecnologia. O Brasil proíbe que as operadoras divulguem os blogs da Internet. Mas a empresa alega ter mapeado 93% de todo tráfego de Internet em suas bases e fornece – ilegalmente – para seus clientes, entre os quais, a ABIN e o CDCiber.

Hackeamento de celulares – Também foi adquirido o sistema Pegasus, israelense, que permite invasão e hackeamento de celulares.

Peça 4 – contratos sigilosos 

Alguns dos contratos são mantidos sob sigilo no Diário Oficial, sem aparecer o nome da empresa. Uma das soluções mais invasoras  foi adquirida em dezembro de 2020. A legislação interna obriga a publicação do extrato com valor e nome da empresa. Para impedir a divulgação, o contrato foi celebrado fora do território nacional, embora com empresa brasileira. No Diário Oficial da União aparece apenas a compra, o valor, e o dia, sem menção à empresa.

Em 2021, essa mesma empresa celebrou contrato com o TSE, oferecendo serviços de segurança por valores muito baixos. Essa mesma empresa tem contratos mais antigos com a própria ABIN. Ela fechou o primeiro contrato que apresentou como motivo para dispensa da licitação a segurança nacional.

As ilegalidades não param aí. Há dois anos, a ABIN adquiriu drones. Seis meses atrás esses drones começaram a sobrevoar a residência do governador do Ceará. A família percebeu, chamou a polícia que prendeu a dupla que operava os drones. Descobriu-se que eram da ABIN. A agência preferiu jogar a responsabilidade nos dois servidores.

Em outubro de 2021 uma comitiva de 7 pessoas da ABIN viajou para os emirados, na mesma época em que Carlos Bolsonaro seguiu para lá com uma enorme comitiva. Dois meses depois soube-se da aquisição de sistemas para monitoramento de fontes abertas.

Peça 5 – as providências a serem tomadas

Em país democrático, as providências óbvias seriam os procuradores do Ministério Público Federal levantarem os sistemas e definirem regras claras de uso e de garantia da privacidade dos cidadãos.

Se o STF, a Procuradoria Geral da República e o Ministério Público do Distrito Federal não agirem a tempo, as cenas desenhadas na Peça 1 serão concretizadas. Será o golpe mais antecipado da história, sem tanque nas ruas, mas com um grande acordão, que garanta os privilégios, os empregos e os negócios militares na vida nacional e o comprometimento irreversível do modelo democrático no país.

Leia também:

General Paulo Sérgio ou Portella: quem quer o golpe?, por Luis Nassif

34 Comentários

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Antonio Veras

- 2022-05-11 23:15:33

Acho que o grande golpe será dado com hackers. Esta ideia de querer acompanhar um teste estadual e um nacional parece que dará motivo para checar uma possível invasão.

Antonio Veras

- 2022-05-11 22:05:27

Creio que um dos grandes problemas serão também os Hackers com ação na alteração dos dados.

Charles Diamantino de Souza

- 2022-05-10 17:14:49

Leio e releio o artigo e chego a mesma conclusão: O processo de uma forma ou de outra continua andando... e o tempo não para. Prefiro assistir aos debates que deverão acontecer em tempo hábil e aguardar outubro. Em outubro, a vontade da sociedade se manifestará a favor de x ou y. Não acredito em golpe e não acredito também que ninguém seja suficientemente onipotente para perpetuar eternamente (desculpe o pleonasmo) no poder.

GalileoGalilei

- 2022-05-10 15:53:12

Aconteceram alguns erros de digitação em meu comentário anterior. Nada que impeça a sua compreensão. De qualquer maneira, peço que relevem a minha pressa em não tê-lo corrigido antes.

Renato Cruz

- 2022-05-10 15:53:09

Não haverá golpe nenhum. Já passou essa época da história. Pode haver alguma confusão, como a que houve no Capitólio em 6 de janeiro de 2021, mas golpe não fica de pé sozinho. Lula será eleito, TALVEZ, porque Bolsonaro não pára de subir nas pesquisas, ainda que lentamente, e tomará posse em janeiro. Aí sim é que vai começar a montanha russa, o terceiro governo Lula, mas sem o dinheiro da China dessa vez. NÃO haverá golpe nenhum, isso é coisa dos anos 50, 60 e 70. Acabou.

GalileoGalilei

- 2022-05-10 15:47:57

O comentário do Carmélio deveria virar post. É a síntese mais completa do golpe em andamento. Até aqui, pelo menos. Há muitos possíveis desdobramentos ainda. Fico surpreso em ver a oficialidade das forças armadas sendo seguida e recorrentemente humilhada por Olavo de Carvalho, pelos filhos do Presidente e pelo presidente, sem nenhuma reação e ainda insistindo em se submeter de maneira tão sabuja ao reconhecido mau militar. Se golpe houver, e tudo indica que ele está a caminho, me surpreenderia que essa oficialidade ficasse sob o comando de uma figura totalmente desequilibrada e desprovida de um mínimo de capacidade lógica e de raciocínio. O mais provável é que eles encontrariam algum meio de se livrar da família do Presidente, ganhando com isso o apoio de algumas pessoas mais ingênuas que também não o suportam mais. Um golpe militar (e sim é preciso dizer m i l i t a r com todas as letras) precisaria ser feito antes (e não durante nem depois) das eleições e com alguma engenhosidade. A guerra híbrida ensinada nas esferas militares já se encontra em andamento desde a instauração da Comissão da Verdade. Só um "incêndio ao Reichtag permitiria a tomada do poder sem uma reação da sociedade que, hoje, está, ao contrário de 1964, muito longe de apoiá-los numa aventura dessas. A culpa toda seria jogada no Lula, no PT, no PSOL, nos comunistas e nos esquerdopatas, de um modo geral. Um atentado, desta vez bem bem sucedido, "resolveria" todas as questões acima e ajudariam a criar um clima de apoio que hoje não existe. Isso já foi feito antes e deu certo. Se eu fosse o presidente pensaria duas vezes antes de embarcar nessa cilada.

Alvaro Borba

- 2022-05-10 13:23:16

Sugestão de título para a preciosa e dramática apuração, em 5 atos, do ilustre jornalista Nassif: "A infâmia: história suja de uma família com pretensões imperialistas"

LUIZ CLÁUDIO CUNHA

- 2022-05-10 12:33:58

Caraca, Nassif! Brilhante, necessária, indispensável matéria de alerta! O retrato expressionista em preto e branco do golpe mais antecipado da História, magistralmente desenhado por ti nesse xadrez do GGN, é assustador. Compraram o sistema de vigilância Pégasus , de Israel, e ninguém soube nada? Uma operação secreta, envergonhada... Quem comprou, quando comprou? Os brasileiros precisam conhecer esses detalhes. O quinto comentário ao texto, de um tal Carmélio Reynaldo Ferreira, pelo encadeamento lógico de fatos que já banalizamos, é ainda mais apavorante. O roteiro amadurecido do golpe está todo ali. E vamos esperar tudo isso sentados, inertes? O que o STF, o Congresso, a OAB e o inútil Aras vão fazer para evitar o apocalipse e o crime anunciado? Vamos depender da cavalaria do Biden, da ONU, da Cruz Vermelha, do Papa para salvar o Brasil do abismo? Esta matéria alarmante do GGN não é suficiente para nos tirar da inércia? Nassif, não aguento mais o abominável capitão e seus comparsas fardados nos sufocando!... E, se for assim, o sufoco não será só por mais 4 anos regulamentares de um novo mandato. Ditadura de milico, como se sabe, não tem limite temporal, nem moral. Acho que a tua articulada, fundamentada denúncia, Nassif, é uma das mais importantes matérias jornalísticas do ano. A única vantagem é que nos dá seis meses de tempo, até outubro, para pensar em alguma providência política saneadora para amplificar nossa indignação, unir corações e mentes e evitar o horror. Aos 71 anos, Nassif, minha cota de golpes já está esgotada. Um abraço do amigo e admirador, LUIZ CLÁUDIO CUNHA - Brasília, DF

Guilherme Freitas

- 2022-05-10 11:27:08

Nassif, uma possibilidade de golpe não seria uma convulsão social incentivada direta e indiretamente pelas FA para que se apresentem como a solução institucional do problema?

Alcivam

- 2022-05-10 10:04:08

Prezado Ivaneck... O que Nassif aponta é o golpe "justificado". Não seria um golpe com argumentos ideológico, mas com "fatos" jurídicos... este é o "x" da questão. O discurso do golpe não explicita se explicita (como nunca o fez) nada contra a democracia. O argumento da narrativa, ao contrario diz defende-la e para isso questiona a democracia os operadores da democracia. Nesse caso, a Justiça eleitoral e a política estruturante da democracia. é o mesmo que fez Trump..

Alcivam

- 2022-05-10 09:57:22

Excelente artigo. Uma verdadeira vacina com endereço certo. Parabéns Nassif. Já divulguei para todos os meus contatos.

Cássio. Luís Veríssimo.

- 2022-05-09 23:24:29

Então é melhor parar de fazer campanha! Os demais candidatos e partidos devem abrir mão de suas candidaturas e Bolsonaro já ganhou? Para tudo? Bola de Cristal?

joão batista nunes

- 2022-05-09 23:00:44

O Barroso é o homem da lava jato, que recebia visitas de Mouro e Dallagnol em sua casa para articular medidas jurídicas.

César Cantu

- 2022-05-09 22:53:22

Inacreditável.

Carmélio Reynaldo Ferreira

- 2022-05-09 21:58:19

O golpe vem sendo planejado há tempo: 1 - o filho do capitão anuncia que basta um cabo e um soldado para fechar o STF; 2 – o capitão toma posse e libera as armas 3 – o capitão aumenta a quantidade de armas que cada cidadão “de bem” pode comprar, inclusive armas automáticas; 4 – o capitão aumenta a quantidade de munição que pode ser comprada anualmente por cada cidadão “de bem”; 5 – o capitão cancela o sistema de rastreamento de munição pelo exército; 6 – o capitão autoriza que guardas municipais portem arma; 7 – na semana da pátria de 2019 um amigo bolsominion (tenho vários) postou no storie do Facebook foto em que aparece com farda camuflada e um fuzil de assalto, com a seguinte legenda: “Indo a campo treinar para defender nosso presidente”. Algumas semanas depois, esse amigo postou fotos treinando em academia de tiro nos EUA; 8 – o capitão interfere na reforma da previdência de forma que militares e policiais, em vez de prejudicados, se beneficiem; 9 – ao longo do seu mandato, o capitão empenha-se em conceder benefícios salariais vantajosos a militares e policiais; 10 – ao mesmo tempo, o capitão permite o sucateamento das forças armadas como instrumento do Estado e, sempre que oportuno, desmoraliza publicamente generais; 11 – o capitão é notoriamente ligado à milícia carioca, organização onde um sargento tem com seu subordinado hierárquico um coronel comandante de batalhão, segundo narra Bruno Paes Manso em “A República das Milícias – dos esquadrões da morte à era Bolsonaro”; 12 – o STF condena um deputado oriundo da PM carioca e o capitão anula a condenação. O STF ordena que o deputado condenado use tornozeleira eletrônica, ele se recusa e nada acontece; 13 – jornalista ligado ao capitão circula com farda camuflada e medalha no peito e a reação da sociedade, inclusive da esquerda, é fazer piada. Ninguém reage, ninguém leva em conta que ele transgrediu o Código Penal Militar e estava sujeito a processo e prisão. Portanto, se o resultado da eleição for desfavorável ao capitão, ele terá apoio dos integrantes das forças armadas, das polícias federais e estaduais e das milícias, além de grande contingente de cidadãos “de bem” que, categorizados como Caçadores/Atiradores/Colecionadores têm seus arsenais em casa e estão prontos para fazer valer a vontade do capitão sob o preceito de “Brasil acima de todos, Deus acima de tudo”. Para defender as instituições, as Forças Armadas terão apenas a sucata de tanques queimando óleo sem contingente suficiente para sua missão.

Ronaldo Braga

- 2022-05-09 19:35:16

Eu só fico com uma dúvida: por que o Nassif classifica de "ingenuidade" a conduta do Barroso ao incluir um militar no grupo de análise das urnas? Por que o Nassif não classifica essa conduta do Barroso como parte do golpe?

Ivaneck Perez Alves

- 2022-05-09 18:22:48

1. Uma coisa é Bolsonaro querer dar o golpe (ele sempre quis, desde o momento em que tomou posse); outra coisa muito diferente é ele conseguir dar o golpe. 2. Nessa eleição está em jogo não apenas a eleição presidencial, mas diversos outros cargos (governador, senadores, deputados federais, governadores, deputados estaduais. Um golpe passa, necessariamente por articular um conjunto de interesses muito mais amplo do que simplesmente a questão Lula-Bolsonaro. E articulação política não é a praia do bolsonarismo, considere-se aqui as reações dentro do Congresso às teses do Bolsonaro. 3. A falta de apoio dos EUA ao golpe repercute fortemente dentro do exército brasileiro, que não vai marchar unido nesta questão. 4. Para o golpe ser viável, será preciso que a disputa esteja acirrada (como foi Dilma-Aécio). Não é o cenário que vem sendo apontado pelas pesquisas. 5. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, daí a importância desse tipo de matéria. Mas tem que ficar claro que o nela relatado é vontade do bolsonarismo, não um fato. 6. As teses golpistas devem crescer, pois é um instrumento permanente para a "elite" tentar ditar os rumos da candidatura Lula, formatando-a dentro das linhas econômicas de interesse do "mercado".

John Gaunt

- 2022-05-09 18:10:31

Me perdoe o ilustríssimo Nassif, mas esse processo que ele descreve me parece inexorável. Não há onde nós nos apoiarmos para resistir a isso.

Casca G

- 2022-05-09 17:21:15

O que me parece é realmente uma grande armação. Com tanta gente de IT envolvida, será fácil manipular o resultado das eleições. Assim, o bozo faz a propaganda contra a urna eletrônica até se dar por vencido e diz que acredita no sistema eleitoral e... por um milagre ele falsamente ganha a eleição. Tecnicamente aí teria um impasse. Mas não, ele tem uma comprovação (falsa) de que ganhou e aí quem quiser dar um golpe vai ser o outro lado. Mas agora as eleições já vão estar legitimadas. O grande golpe já foi dado, agora falta a manutenção e endurecimento do mesmo o que virá em breve.

Salvio Kotter

- 2022-05-09 16:33:05

Tudo isso poderia ser pouco, se não houvesse 30% dos eleitores apoiando de forma aguerrida o caos. Na política a matemática delira, 30% é mais que 70%, se os primeiros forem muito ruidosos e estiverem dispostos a tudo, enquanto bem armados. Ruas, camaradas; avenidas, companheiros... essa é nossa última pálida chance, me parece, querendo muito estar bem errado.

José de Almeida Bispo

- 2022-05-09 16:28:09

E os banqueiros? Tão de que lado? Isso é que realmente importa. O resto é misto de distração e especulação.

AFONSO ANDRADE

- 2022-05-09 16:20:40

O GOLPE FOI DADO EM 2016 E 2018 ... AGORA É SÓ A MANUTENÇÃO DO STATUS ATUAL ... LUIZ ESTÁ CORRETISSIMO ..

Marco Antônio CAPARROZ Penteado

- 2022-05-09 16:16:40

Meu Deus!!!

jucemir rodrigues da silva

- 2022-05-09 15:57:02

Enquanto isso, no QG Eleitoreiro do PT... Nonada. Não há com que se preocupar: o amor vencerá o ódio. Até a CIA já disse que não quer golpe.

Marco Paulo

- 2022-05-09 15:04:15

Pedra mais que cantada! Faz muito tempo que nossas eleições correm perigo. Como não será possível embargar a candidatura favorita nesse pleito, outras formas de manipulação serão encontradas, sempre nesse foco das eleições, seja excluindo um candidato legítimo ou desacreditando o sistema. Em 2014 tivemos um press release, com o candidato perdedor denunciando uma fraude inexistente. Em 2018 uma interferência direta em candidaturas, nesse ano ao que parece, interferência direto no pleito. Apesar de todo o discurso, um certo país do norte apoiará amplamente tal processo. Podemos concordar que não há apoio a golpes puramente militares, desde os anos 80, mas a esse tipo de interferência será totalmente apoiado, como foi em 2018, sem esquecer como foi feito na Venezuela, na Bielorrússia, só para citar alguns, sempre nesses moldes. No final, ao que parece, certas instituições federais também apoiarão, como apoiaram em outros ocasiões. Não temos a quem recorrer. Fim dos tempos!!

Marcia Q Santos Duarte

- 2022-05-09 15:00:43

Nassif. Seu relato tem que ser levado até as instâncias superiores. Não pode ser apenas mais um texto sobre possíveis golpes. Consiga um jeito de promover encontros e debates com as instituições do sistema de justiça e que seja gente confiável. Agilidade nessa questão,pf.

Marcia Q Santos Duarte

- 2022-05-09 14:59:01

Nassif. Seu relato tem que ser levado até as instânciS superiores. Não pode ser apenas mais um texto sobre possíveis golpes. Consiga um jeito de pro.over encontros e debates com as instituições desistem de justiça e que seja gente confiável. Agilidade nessa questão,pf.

Antonio Sobreira

- 2022-05-09 14:47:54

Caro Nassif, Assusta basante o artigo, pois sabemos que tudo relatado já é conhecido da imprensa e agora reunido aqui. Esse passo a passo, que já está radiografado por ti e iniciada uma solução, não deveríamos nós fazer uma manifestação ao MPF? Pelo o que conhecemos de políticos com formação em direito, senadores de partidos que apoiam Lula na eleição, tudo isso não pode começar a ser desencadeado com teu artigo. Por fim, como todas essas investigações não foram e nem estão aprovadas pelo STF e TSE não serão cedo ou tarde anuladas por terem sido feitas sem aprovação? Prova obtida ilegalmente anula qualquer processo, não é?

Alvaro Santi

- 2022-05-09 12:21:53

Brasil no rumo de virar um Egito. Complicado.

Eu sou o j.marcelo

- 2022-05-09 12:04:04

Nassif acerta na mosca,de um jeito ou de outro haverá fraude eleitoral,se Lula ganhar ou Bolso terá Auê afinal militar gosta é de guerra/agitação precisaremos voltar ao passado(cédulas)para evitar a volta da era. Medieval econômica (reis, príncipes cheios de banquetes protegidos em seus imponentes castelos enquanto o povo do lado de fora aos farrapos "O MUNDO NÃO SERÁ MAIS O MESMO!"kkkk sim,concordo!)Obs.: CADÊ O GUEDES?TOMOU DORIL E SUMIU!(Igualzinho a muitos postos Ipiranga em sp)Mas sei q Guedes dará um jeito e nossa economia vai bombar,só fazer umas reformas ou vender alguma estatal !

Renato N. Rangel

- 2022-05-09 11:52:42

Caso tudo isso se concretize será o fim. A volta à democracia será um processo longo e trabalhoso.

Bruno Cabral

- 2022-05-09 11:22:41

Num país democratico a chapa que teve financiamento empresarial ilegal por caixa 2 que pagou as mentiras pelo whatsapp em 2018 tinha sido casdada e estavam todos inelegíveis

Fábio de Oliveira Ribeiro

- 2022-05-09 10:47:29

O controle: quem critica a bandidagem do vagabundo Jair Bolsonaro e dos generalocos viciados em viagra e lubrificante anal do Exército recebe imediatamente ligações identificadas como Spam. Talvez seja coincidência, talvez não. Mas o fato é que minha operadora tem passado mais tempo identificando ligações Spans do que os minutos que eu gasto falando ao telefone com meus amigos e clientes.

Fred

- 2022-05-09 10:21:00

Não há dúvida de que STF, PGR e MP do DF deveriam tomar iniciativas para limitar as ações dos sistemas de informação dos órgãos públicos. Legislações como o LGPD devem ser levadas em conta. O problema no momento é que o atual Procurador Geral é omisso e deveria ser afastado pelo Senado, por prevaricação (ele não analisa as queixas-crime contra o presidente e simplesmente as ignora).

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