Desde 18 de abril, centenas de estudantes universitários ocuparam os campi de universidades renomadas, como Columbia e Yale, para protestar contra o genocídio em andamento cometido na Faixa de Gaza, assim como a parceria dos Estados Unidos com Israel, para onde são enviadas muitas das armas que mantém o conflito.
Além dos protestos, que podem comprometer a reeleição de Joe Biden e trazer de volta à presidência o bilionário republicano Donald Trump, entra em discussão a substituição do dólar como moeda padrão nas transações internacionais.
Para comentar o cenário político atual dos Estados Unidos, o programa TVGGN 20H contou com a participação do cientista político Pedro Costa Jr na última segunda-feira (29).
O entrevistado conta que o poder dos EUA está alicerçado em dois segmentos: o poder das armas e o poder da moeda. “O poder militar não resolve mais as guerras do século XXI. EUA perderam mais essa [Guerra em Gaza] agora. Eles não podem perder a hegemonia do dólar, por isso o Trump dá esse ataque raivoso. Não é o Trump falando é aquilo que nós chamamos de deep state, é o estado profundo norte-americano dizendo ‘olha, não brinque com o dólar. Isso nós não vamos aceitar’.”
Neste cenário, a presidente do Banco dos Brics, Dilma Rousseff, ganha mais importância, tendo em vista que pelo estatuto da instituição as negociações são feitas em dólar, mas por ser um banco em que a maioria dos países são do sul global, a mudança do estatuto entra em pauta, especialmente porque, em 2025, o Brasil assume a presidência do bloco econômico e os russos, a do banco.
Manifestações
Pedro Costa Jr. chama a atenção ainda para o fato de que a insatisfação dos estudantes em relação ao apoio e financiamento de Joe Biden às ações de Israel em Gaza criou algo inacreditável: uniu jovens progressistas e a extrema direita norte-americana em uma mesma causa, que é a de não apoiar a reeleição do progressista.
“Como é que os Estados Unidos conseguem produzir essas anomalias, esses fenômenos? Porque essa juventude agora que está acampada nas universidades, em Harvard e outras universidades dos Estados Unidos, e que tá sendo expulsa pela polícia, com professores universitários sendo detidos pela polícia, está criticando a política externa do Biden”, aponta o convidado da TVGGN.
Desta forma, por ser facultativo, os estudantes já deram o recado de que não vão apoiar Donald Trump, mas também não deixarão suas casas para reeleger o presidente democrata.
Enquanto os EUA sofrem um declínio no papel de articulador mundial, Lula se destoa como voz da maioria global, uma vez que Rússia e Índia não têm legitimidade na comunidade internacional.
“Não é só o que ele significa para o Brasil, para 210 milhões de pessoas, mas é o que ele significa para uma comunidade internacional, porque vamos pensar: daqui a dois anos tem eleições. E se o bolsonarismo volta, perde-se essa voz que é a única hoje no sistema internacional e perde-se é uma uma voz que foi construída numa biografia única, numa luta única, numa política externa de oito anos atrás única e está sendo retomada agora com êxito em termos de política externa”, continua Pedro Costa Jr.
Em declínio, o mundo ocidental ainda não sabe quem pode emergir como liderança, conclui o cientista político.
Assista a participação de Pedro Costa Jr. no TVGGN 20H:
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Fábio de Oliveira Ribeiro
30 de abril de 2024 8:38 pmComentários leigos em assuntos militares deveriam ser menos assertivos e mais humildes. A guerra moderna mecanizada, empoderada ou não por Inteligência Artificial, depende fundamentalmente da logística, da capacidade de projetar poder militar à grande distância. Isso pressupõe tanto a existência de especialistas em planejamento militar, quanto estoques de armamentos, munições, soldados treinados, alimentos e meios de transportes, combustível recursos econômicos para arcar com as despesas oriundas da guerra. Os EUA não está nem morto, nem derrotado, nem desarmado, nem falido.
DOUGLAS BARRETO DA MATA
1 de maio de 2024 1:10 pmDeve ser por isso que eles subjugaram o Vietnam, Iraque, Afeganistão, etc.
Se comparar com a capacidade logística dos pé rapados do varejo do tráfico no Rio, os especialistas são piada.
Na favela não faltam armas, munição e o produto, e dá um trabalho danado para subir a colina.
Imagine esse pessoal em um estado maior, com mais equipamentos, alguma leitura e dinheiro?
Os especialistas de Hitler deixaram ele com as calças na mão em Stalingrado.
Se não fossem os civis e o mau tempo, que protegeu os barcos de resgate das patrulhas da Luftwaffe, Churchill tinha ficado na merda em Dunkirk.
Erros grosseiros empacaram os aliados em Anzio.
Os homens da 101a. Divisão aerotransportada (aqueles da série Band of Brothers) foram espalhados a quilômetros fora dos alvos.
Enfim, eu citaria um monte de outros exemplos que provam:
Tudo que é planejado e treinado na guerra acaba no estourar do primeiro tiro.
Guerra se define na maior capacidade de fazer a carne que vai ser morta (soldado) que ele luta por algo que valga a pena, e que ele não deve temer a morte, porque, de verdade, já nascemos mortos.
É isso.
Hehehe.
O que os especialistas e os não especialistas não dizem, talvez porque não façam a menor ideia, é que no capitalismo “vencer” a guerra, nos dias atuais, é
mero detalhe.
Hoje é só destruir para recriar, e às vezes, o que é recriado, como no Iraque, é muito pior do que existia, salvo para Halliburton e etc.
“Vencer” fazia sentido, talvez, até a metade do século XX, quando houve realinhamento do tabuleiro capitalista, quando o esforço de guerra, assim como o próprio capitalismo, não podiam existir sem os Estados Nacionais.
Hoje, com a transição para o pós capitalismo, os conflitos serão corporativos (mercenários) e segmentados, tipo milícia contra milícia.
Os EUA não só estão falindo, como estão esfarelando.
Quanto aos “especialistas”:
Zeus, bastam meia dúzia de matemáticos, umas duas dúzias de engenheiros e alguns cozinheiros para calcular essas variáveis logísticas.
Chama os meninos do morro, ou o pessoal de Tihuana, se quiserem algo mais “hard”.
Rui Ribeiro
16 de janeiro de 2025 7:52 am“O que os especialistas e os não especialistas não dizem, talvez porque não façam a menor ideia, é que no capitalismo “vencer” a guerra, nos dias atuais, é
mero detalhe.
Hoje é só destruir para recriar, e às vezes, o que é recriado, como no Iraque, é muito pior do que existia, salvo para Halliburton e etc”. – Douglas da Mata
“Come you, masters of war
You that build the big guns
You that build the death planes
You that build all the bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks
You that never done nothin’
But BUILD TO DESTROY
You play with my world
Like it’s your little toy
You put a gun in my hand
And you hide from my eyes
And you turn and run farther
When the fast bullets fly…” – Bob Dylan, Masters of War
DOUGLAS BARRETO DA MATA
30 de abril de 2024 8:44 pmUai, mas a única guerra que o poderio estadunidense resolveu foi a secessão.
A Segunda Guerra foi resolvida pelos soviéticos.
Tanto é que tiveram que “apelar” para a little boy e fay boy.
Não conseguiram n subjugar japoneses famintos e entocados em cavernas.
Depois de 45, foi só ladeira abaixo.
Coréia resultou em divisão do país, sem hegemonia dos EUA.
Vietnam, fiasco.
Iraque I, piada, Iraque II, piada.
Afeganistão, idem.
Ah, sim, eles ganharam em Granada.
Tá certo.
JOSE OLIVEIRA DE ARAUJO
1 de maio de 2024 7:55 amMetaforicamente, a extrema direita são gases tóxicos do corpo em decomposição do ocidecadente. O efeito nocivo desses gases afetam os sentidos das pessoas, que ao invés de buscarem uma alternativa política que nos livre da decomposição, nos arrasta para uma luta fraticida que pode nos levar à ruina total. No entanto, no nosaso horizonte turbado, surge um país que nos indica o caminho a ser seguido e que embora seja impelido a se fortalecer belicamente para defender-se das águiss tresloucadas, a sua agenda é de paz e progresso, que ao invés de ofereceraos países a instalação de bases militares para fomentar a guerra, oferece a montagem de infra estruturas que conduzirão ao progresso num jogo de ganha-ganha.
Rui Ribeiro
1 de maio de 2024 8:21 amBiden progressista? Então, para não se alinhar à extrema direita, os estudantes progressistas devem cruzar os braços e deixar o genocídio correr solto em Gaza, com o apoio e financiamento do progressista Biden??
Rui Ribeiro
1 de maio de 2024 9:45 am“[…] Não vou deixar que vocês estraguem a minha guerra.
Dizem que ela extermina os fracos, mas na paz eles também estão perdidos.
Só que a guerra alimenta melhor nossa gente.
A guerra não é nada além de um negócio
E em vez de queijo, é com chumbo”. Brecht
Jackson da Viola
1 de maio de 2024 2:43 pmNão vi o vídeo ainda mas destaco duas afirmações, no texto, que na minha opinião, parecem carecer de “fundamentação”…
A primeira, que já ouvi vários intelectuais(ocidentais sobretudo)é:
“O poder militar não resolve mais as guerras do século XXI”…
Me parece que na guerra do século XXI Rússia-Ucrânia(ocidente/otan) a Ucrânia esta sendo “resolvida”.(para a desgraça dos ucranianos e ucranianas)…
E eu tenho a impressão que nestes últimos tempos, o poder militar, infelizmente, é, se não o único poder determinante mas bem central…
A outra afirmação é esta aqui:”uma vez que Rússia e Índia não têm legitimidade na comunidade internacional.”
Me pergunto se o Putin/Modi, realmente, não tem legitimidade no sul global e quem seria a tal comunidade internacional…O ocidente/otan/g7 eu imagino…
Rui Ribeiro
2 de maio de 2024 8:11 amJackson, o poder militar nunca vai ser o poder determinante. Os Militares existem em função do poder econômico. Engels escreveu no Anti-Dühring:
“[…} A violência não é capaz de criar dinheiro. A única coisa que ela sabe é arrebatar o que já foi criado, o que também de pouco nos servirá, como já o sabemos pela pungente experiência dos famosos cinco mil milhões da França. Em última análise, é sempre a produção econômica que subministra a quantidade necessária de dinheiro. Voltamos a nos encontrar, aqui, com a idéia de que a violência está condicionada pela situação econômica, da qual ela deve receber os meios necessários para se equipar com instrumentos, bem como para conservá-los. E não termina aqui a nossa história. Nada pode depender tanto dos fatores econômicos como o exército e a marinha. O armamento, a composição, a tática e a estratégia, dependem, antes de tudo, do grau de produção imperante e do sistema de comunicações. Não foram as “criações livres da inteligência” de chefes geniais que revolucionaram a estratégia militar, mas a invenção de armas mais perfeitas e as mudanças sofridas pelo material humano. O máximo que um estrategista genial pode fazer é adaptar os métodos de luta às novas armas e aos novos lutadores”.
https://www.marxists.org/portugues/marx/1877/antiduhring/cap17.htm