10 de junho de 2026

A arte a serviço da molecagem e do oportunismo, por Izaías Almada

Examinemos o lado invisível do fascismo caboclo, cuja “astúcia” de alguns de seus representantes só é comparável à idiotia política nacional

A arte a serviço da molecagem e do oportunismo

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por Izaías Almada

Se for possível, caro, leitor, deixemos de lado a chacina do Rio de Janeiro e a câmara de gás da Polícia Rodoviária Federal por instantes, atos dignos do fascismo que vai aos poucos aumentando a sua agressão à população brasileira.

Sei que é difícil ignorar, mas traz à tona o lado mais visível do caos em que se encontra o país desde o golpe de 2016 e a ascensão da milícia anticorrupção…

Examinemos o lado invisível do fascismo caboclo, cuja “astúcia” de alguns de seus representantes só é comparável à idiotia política nacional, sobretudo aquela que circula entre a classe média alta, sua elite predadora e entreguista e seus armados vigilantes. 

A arte brasileira, de enorme riqueza criativa em qualquer uma de suas manifestações, sempre que pode e tem oportunidade para isso, tem se colocado ao lado do povo, não só naquilo que produz, mas também em manifestações de caráter político e ideológico, escolhendo o lado de sua gente mais simples e trabalhadora, sua identidade cultural sem preconceitos de raça, de classe social e do saber.

Como exemplos podemos citar a já lendária Semana de 22, comemorando seu centenário este ano, bem como os anos 60 do século XX, quando o cinema, o teatro, as artes plásticas, a música popular, a literatura, as artes em geral tiveram massiva participação no combate ao golpe civil militar de 1964 e a ditadura imposta ao país, sobretudo com a edição do Ato Institucional nº 5 em dezembro de 1968.

Contudo, o brasileiro não é exatamente um cultor da memória, o que nos impede de enxergar o mundo lá fora como ele se desenvolve, a não ser pelo nauseabundo vomitório dos jornais televisivos e também as revistas e jornais de papel (higiênico). 

É o caso, por exemplo, do cineasta José Padilha, um dos apoiadores de Moro e da Lava Jato, em entrevista a uma revista semanal. Seu filme “O Mecanismo” mostra bem em quais águas navegavam a sua criatividade e o seu pensamento… Está lá na entrevista: “O Moro é a maior decepção que já tive na Justiça e na política brasileira”.

E disse mais: “Com Bolsonaro e Lula no segundo turno, eu voto no Lula. Voto nele sem pestanejar. Pois não adianta viver no mundo ideal, abstrato, descolado do que ocorre. A escolha está dada para o brasileiro”.

Tem toda razão o Sr. Padilha, pois não adianta mesmo viver naquele mundo abstrato e intencionalmente descolado da realidade de “O Mecanismo”.

A nossa justiça, apesar de manca, conseguiu colocar as coisas em seus lugares, absolvendo o ex-presidente Lula e tornando a Lava Jato uma espécie de pinga gotas da imoralidade… Vamos em frente.

“Entre les deux mon coeur balance”… O francesismo gratuito do autor vem a propósito da atriz Regina Duarte e suas dúvidas entre o bolsonarismo e as novelas que lhe deram fama. Foi para as redes sociais a elogiar o diretor que a ajudou conquistar o título de namoradinha do Brasil.

Com os elogios ao B., vejam só: “Vocês já devem ter percebido que existe a era a.B. e a era d. B. Não? Isto é: a era antes do Boni e a era depois do Boni. Contestável? Claro que não. Incontestável! Bem na base da liberdade de expressão, manda aí a sua”, foi o recado da atriz para o seu antigo diretor.

Ou seja: dá uma força que estou precisando. Em seguida (se não for fake news) pediu 500 mil reais para fazer a próxima novela, valor que nem de longe ganhou como a secretária de cultura do “ele não”, cargo que exerceu por quanto tempo mesmo? Uma semana, um mês? Confesso que já não me lembro. E também não lhe deu nenhuma novela para “estrelar”…

Como escrevi lá em cima, o lado invisível do fascismo caboclo anda à solta… Dizem as más línguas que daqui até outubro a cobra vai fumar… A ver, vamos.

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro nascido em BH. Em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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