Um debate esperado, por Izaías Almada

O humor, feito com inteligência e linguagem civilizada, costuma ser uma arma poderosa contra a arrogância e a oratória construída em bases de ciúmes e invejas

Um debate esperado

por Izaías Almada

         O bate boca entre o candidato Ciro Gomes e o humorista Gregório Duvivier criou, no meu modesto ponto de vista, a possibilidade de um debate sensacional.

         Um debate entre a arrogância e a inteligência, entre o oportunismo político e a sagacidade da crítica sutil.

         E se levarmos em conta que nos últimos anos de eleições presidenciais ouvimos mais os candidatos arrogantes e oportunistas, aqueles que comem pão de queijo pela manhã e arrotam caviar à noite, do que os candidatos que procuram minimamente dar uma visão aproximada e correta daquilo que pretendem fazer, se eleitos, está aí uma excelente oportunidade para se separar o joio do trigo. E haja joio. Não é Janja?

         Se colocarmos lado a lado na tela do nosso computador um “Greg News” e um discurso do candidato Ciro Gomes, chega a ser constrangedora a diferença entre os mundos que habitam essas duas mentes e esses dois corações.

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         Não se trata apenas de uma reles comparação, pois as comparações são feitas entre pares e não entre ímpares. Posso comparar duas maçãs, por exemplo… Ou duas peras, mas fica difícil comparar uma manga e uma melancia ou uma jabuticaba e um melão. Trata-se, isso sim, de dar aos cidadãos e eleitores brasileiros a oportunidade, uma vez mais, de refletir sobre o significado de uma eleição numa democracia representativa…

         Porque numa democracia participativa, o buraco é mais em baixo, como diria o senhor Herculano Almada meu avô paterno.

         Façamos uma corrente de pensamento positivo para que esse esperado debate aconteça, pois posso até estar sendo demasiadamente ingênuo, mas o candidato Ciro Gomes levaria um “verdadeiro passeio”, como se diz no jargão futebolista.

O humor, feito com inteligência e linguagem civilizada, costuma ser uma arma poderosa contra a arrogância e a oratória construída em bases de ciúmes e invejas político/partidárias, sobretudo – como já ficou provado na prática – que o homem mais preparado para tirar o país do atoleiro em que se meteu a partir de 2016 não tem diploma universitário e nem precisa da linguagem acadêmica como muleta.

Vamos ao debate senhores!

Izaías Almada é romancista, dramaturgo e roteirista brasileiro. Nascido em BH, em 1963 mudou-se para a cidade de São Paulo, onde trabalhou em teatro, jornalismo, publicidade na TV e roteiro. Entre os anos de 1969 e 1971, foi prisioneiro político do golpe militar no Brasil que ocorreu em 1964.

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