As negociações com ouro voltaram a ganhar força no mercado internacional em meio ao aumento das preocupações fiscais e a adoção de novas tecnologias (como blockchains), levando o minério a seu patamar de alta histórica em torno de US$2,4 mil/onça.
Embora existam investidores que acreditam no ouro como forma de investimento com foco no longo prazo (os chamados ‘goldbugs’), é preciso ter em vista que a cotação do minério mede ‘uma curva febril de discórdia, com picos indicando uma corrida pela garantia em um mundo onde outros valores estão em perigo’, diz Harold James, professor da Universidade de Princeton.
Em artigo publicado no site Project Syndicate, James explica que boa parte da alta demanda por ouro se deve à corrida dos Bancos Centrais – e um exemplo disso é a China, que aumentou suas reservas de ouro de 395 toneladas em 2000 para 2.260 toneladas atualmente.
“Notavelmente, (a China) aumentou substancialmente seu estoque de ouro em 2009 e 2015, que agora sabemos terem sido períodos decisivos para um mundo que estava se tornando cada vez mais cético com a globalização”, explica o articulista.
Outros países que aumentaram suas reservas de ouro ao longo dos últimos anos são a Turquia, a Rússia (em especial após 2015), além da União Europeia – a República Tcheca e a Polônia são dois países que têm ampliado suas reservas.
Segurança global
Na visão de Jones, são as preocupações com a segurança internacional que têm influenciado a disparada da cotação do ouro no mercado – e o contexto histórico ajuda a explicar isso, como a experiência soviética em 1922 e, mais recentemente, o aumento das reservas por parte da República Tcheca, que retomou suas compras de minério depois de praticamente zerar seus estoques após ingressar à OTAN, em março de 1999.
Para o articulista, a busca pela estabilidade é uma resposta a um mundo em mudanças, a partir do surgimento de uma nova ordem na política mundial.
“O Novo Banco de Desenvolvimento (ou Banco BRICS), sediado em Xangai, busca ativamente um substituto para o dólar sob a forma de uma moeda sintética, e cada vez mais países tentam aderir ao grupo BRICS”, cita Jones, ressaltando que os integrantes deste bloco – entre eles o Brasil – “consideram hoje o dólar como equivalente à prata no final do século XIX: uma hegemonia monetária ultrapassada”.
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