1 de julho de 2026

Os primeiros resultados do afastamento do promotor de São João da Boa Vista

Confirmando sua remoção haverá possibilidade de levantar o que foram esses anos em que uma comunidade ficou refém de um suposto homem da lei.

Matéria de 02/03/2024, editada em 02/05/2024 para inclusão de Direito de Resposta de Maria Cristina dos Santos Lerosa

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Tirada do ar por ordem judicial e que agora retorna após despacho favorável ao GGN em 01/11/2024

Há dez anos, a vereadora de Águas da Prata, Cristina Lerosa – estreitamente ligada ao promotor Nelson O’Really, de São João da Boa Vista – mantinha armas em casa com licença vencida. Jamais foi incomodada, enquanto o promotor estava em atividade. Através do Conselho de Segurança da cidade – e de uma truculência reiterada – o promotor montou alianças com a Polícia Civil, a Militar e o Corpo de Bombeiros.

No início da semana, o Conselho Nacional do Ministério Público afastou o promotor por 90 dias, enquanto providencia novas correições.

Ontem, sexta-feira, às 9 horas da manhã, a polícia bateu na casa da vereadora, a partir de um pedido do Exército, para conferir o arsenal de Cristina. Descobriram armas com licença vencida e levaram a vereadora presa. Ela pagou fiança de R$ 5 mil e vai se defender em liberdade.

[foto retirada]

É um dos primeiros movimentos de descompressão da cidade, após o afastamento do promotor. Os jornais passaram a noticiar seu afastamento. Vereadores intimidados por sua truculência começam a explicitar críticas.

Mas ainda há um temor que acaba impedindo a apuração de todos seus malfeitos. Aliados espalharam que, logo após a correição, o promotor voltará ao cargo. O receio de represálias futuras ainda inibe as vítimas de seus atos.

A própria Prefeitura, que não respondia aos pedidos feitos através da Lei de Acesso à Informação, agora começa a disponibilizar informações sobre os contratos emergenciais feitos com organizações sociais com histórico polêmico em outras cidades.

À medida que se fortaleça a tese de sua remoção – ou aposentadoria – haverá possibilidade de levantar o que foram esses anos todos em que uma comunidade inteira ficou refém de um suposto homem da lei.

Seria importante, agora, que o Tribunal de Contas do Estado e o GAECO passassem um pente fino nos contratos firmados pela prefeitura com entidades suspeitas, confiando na blindagem proporcionada pelo promotor.

Direito de Resposta de Maria Cristina dos Santos Lerosa

“Aos 30/03/2024, a Juíza Criminal de São João da Boa Vista, DRA. ELANÍ CRISTINA MENDES MARUM, concedeu Habeas Corpus e trancou o inquérito policial que ensejou minha prisão por entender que NÃO PRATIQUEI CRIME DE POSSE IRREGULAR DE ARMA DE FOGO DE USO PERMITIDO. Na decisão, a Juíza frisou que quando o Exército Brasileiro comunicou à Autoridade Policial o cancelamento do meu Certificado de Registro (CR) e informou a posse irregular de armas de fogo, pendiam de análise o requerimento administrativo feito por mim para obter novo CR, e também sua defesa administrativa quanto ao dito cancelamento, fatos esses que afastam o dolo do cometimento do crime do artigo 12 do Estatuto do Desarmamento. Foram devolvidas todas as minhas armas de fogo, bem como a fiança que paguei. Ou seja, a prisão feita pela Polícia Civil de Águas da Prata contra mim foi reconhecida pelo Poder Judiciário como ILEGAL.”

Leia também

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

6 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Junior Almeida

    2 de março de 2024 1:59 pm

    É uma vergonha para o MP paulista não ter tomado nenhuma atitude. Ao blindar promotores que cometem fatos gravíssimos está manchando a carreira de todos. A imagem que passa para a sociedade é que todos são assim.
    Por isso não fiquei entusiasmado com a nomeação do Min. lewandowski. O fato do Min. chamar para a secretaria nacional o PGE desse MP que nunca incomodou esse promotor, nunca incomodou o PSDB e nunca incomodou uma das polícias que mais matam já demonstra que não há muito o que se esperar.

  2. Jossimar

    3 de março de 2024 1:24 pm

    Não é só no estado de São Paulo que promotores estaduais roubam não.
    Se derem ma olhadinha em qualquer estado que seja, descobrirão horrores.
    Fatos como esse da matéria são a prova cabal que NINGUÉM deve ter poderes absolutos.

  3. Iremar Marinho de Barros

    4 de março de 2024 2:55 pm

    O que precisa mudar é o sistema, responsável por esses desmandos em todas as esferas públicas. Revolução nesse sistema, não remendos no pano podre!

  4. Rui Ribeiro

    2 de maio de 2024 9:48 am

    Fachin derruba condenação de delegado de Mato Grosso que chamou o MP de ‘vergonha nacional’

    Para o ministro do STF, a sentença do TJ-MT representava um atentado à ampla liberdade de expressão
    https://www.cartacapital.com.br/justica/fachin-derruba-condenacao-de-delegado-de-mato-grosso-que-chamou-o-mp-de-vergonha-nacional/.

  5. Fábio de Oliveira Ribeiro

    2 de maio de 2024 12:55 pm

    O problema não é um promotor cometer abusos, mas ele ser ativamente protegido por seus colegas na Corregedoria e no CNMP. Ao desligar ou esvaziar o princípio da legalidade (e da responsabilidade do servidor público), o corporativismo está criando verdadeiros monstros. Além de devorar indevidamente o orçamento (recebendo salários acima do teto e criando penduricalhos em seu proprio benefício), os promotores brasileiros transformaram a República num feudo medieval em que eles são os nobres acima da Lei e todos os demais estão fora da Lei dependendo dos interesses deles. No Brasil, a tese de Yanis Varoufakis de que o technofeudalismo vai substituir ou já substituiu o capitalismo merece sofrer uma adaptação. Se levarmos em conta o que os promotores (e juízes também) estão fazendo aqui o technofeudalismo será apenas uma versão 2.0 do feudalismo de toga.

  6. fabricio coyote

    1 de novembro de 2024 1:15 pm

    O poder judiciário tem de passar pelo crivo do sufrágio, como recentemente aconteceu no México, cuja Constituição 1917, até hoje vigente, fora uma das primeiras a incluir direitos sociais, trabalhistas, etc.
    https://www.reformajudicial.gob.mx/secciones/reforma/

Recomendados para você

Recomendados