“Ele é capaz de coisas absurdas”: Promotor de São João da Boa Vista é afastado pelo CNMP

Cintia Alves
Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.
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Promotor exposto em série de artigos do GGN vira alvo de processo administrativo disciplinar por suspeita de abusos e perseguições

Foto: Sergio Almeida (Secom/CNMP)
Foto: Sergio Almeida (Secom/CNMP)

O plenário do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) decidiu nesta terça (27), por 10 votos a 4, afastar do cargo o promotor de São João da Boa Vista (SP), Nelson de Barros O’Reilly, que protagonizou uma série de artigos assinados por Luis Nassif, neste GGN, expondo as transgressões que agora serão investigadas.

Além de determinar o afastamento do promotor, que é prorrogável por mais 60 dias, o CNMP decidiu também instaurar um processo administrativa disciplinar para apurar as condutas de O’Reilly, que passaram à margem da corregedoria do MP-SP.

Há pelo menos 8 anos O’Reilly acumula uma série de denuncias por supostos abusos e perseguições, tendo recorrido a táticas de lawfare contra adversários políticos e aqueles que ousaram delatá-lo às autoridades.

Além disso, o promotor teria usado as redes sociais para propagar fake news, ataques ao Supremo Tribunal Federal, mensagens negacionistas na pandemia e em apoio ao golpe na democracia idealizado pelo bolsonarismo.

Embora não tenha sido analisado pelo CNMP pela prescrição dos fatos, um dos casos mais emblemáticos foi a perseguição contra a advogada Hellen Cristina Padial. Ela se desentendeu com o promotor durante trabalho no Conseg (Conselho de Segurança Municipal). Depois disso, com base em denúncia anônima, O’Reilly conseguiu realizar busca e apreensão na casa de Helen.

A partir daí, “foi uma perseguição permanente, valendo-se do padrão Lava Jato, de uso opressivo da mídia”, para tentar liquidar com a advogada, descreveu Nassif. Foram cinco inquéritos criminais e ações civis públicas contra Helen.

“Eu mesma fui vítima muitas vezes desse profissional. Eu, inclusive, nem era advogada nesse processo, mas fiz questão de vir aqui hoje para dizer que esse promotor desmerece totalmente a classe. Ele não pode atuar. Ele tem que ser excluído. A cidade inteira é refém desse promotor. Temos vários casos na cidade, de pessoas que não têm coragem de delatar porque ele é capaz de coisas absurdas. Absurdas! Todos os políticos da cidade não têm coragem. Os juízes de toda São João se dão por suspeitos [nos processos em que o promotor atua] porque ele faz trabalhos sujos, que nenhum juiz quer pegar“, disse Helen Padial durante sessão do CNMP.

Na condição de vítima, a advogada fez sustentação oral perante os conselheiros do CNMP nesta terça. Seu discurso [assista abaixo] chocou a maioria dos presentes na sessão. Mesmo os conselheiros que votaram contra a instauração do processo administrativo disciplinar, reconheceram a gravidade das acusações que recaem sobre o promotor Nelson O’Reilly, cuja atuação agora deve ser alvo de um pente-fino da corregedoria nacional.

Confira o depoimento de Helen Padial abaixo:

A série de Luis Nassif no GGN sobre o promotor de São João da Boa Vista iniciou em setembro de 2023. Em dezembro daquele ano, o corregedor nacional Oswaldo D’Albuquerque recomendou o afastamento de Nelson O’Reilly, e o caso ficou de ser analisado pelo plenário do CNMP.

Na série especial foram narrados em detalhes os inúmeros casos de perseguição protagonizados pelo promotor. Nassif chamou atenção para o papel do Ministério Público de São Paulo, cuja corregedoria foi acionada em diversas oportunidades, mas “arquivou sumariamente” todas as denúncias contra O’Reilly ao longo de anos.

Em resposta ao GGN, a corregedoria do MP-SP negou que tenha arquivado indiscriminadamente todas as denúncias. Já O’Reilly pediu direito de resposta [leia abaixo], onde acusou Nassif de ter deturpado sua atuação na Promotoria. Em auto-defesa, o promotor sustentou que seu trabalho foi complementar à atuação da polícia e do Judiciário.

Confira, abaixo, todos os artigos da série sobre o promotor de São João da Boa Vista.

Cintia Alves

Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.

1 Comentário

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  1. Terrível! O MP depois de tornar-se uma força idependente e sem fiscalização partiu para a punitividade e busca pura e simples de poder. Imagine se o Dalagnol consegue fundar um partido com aquela dinheirama que surripiou da Petrobrás. Imaginemos o MP mandando em todas as comarcas aterrorizando juizes e advogados.Se o povo hoje reclama da ditadura do STF, não tem idéia do que seria a ditadura do MP.

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