4 de junho de 2026

Hitler, o Syriza e as dívidas desonrosas da Alemanha, por Frederico Füllgraf

Suástica sobre a Acrópole

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Por Frederico Füllgraf

A Grécia deve 322,0 bilhões de Euros (1.050,0 trilhão de Reais) a um conjunto de credores, encabeçado pelo Fundo Europeu de Estabilidade Financeira(EFSF/ESM)e Estados da zona do Euro, que juntos com o FMI e o Banco Central Europeu, em 2012, refinanciaram a dívida grega, depois de salvar sobretudo os bancos privados, hoje fora da negociação. As condições para o reembolso (juros de 0,6%, carência até 2020 e prazo para reembolso até 2044) são favoráveis em âmbito europeu, mais vantajosas sobretudo em comparação ao custo dos empréstimos concedidos à Espanha e a Portugal. Já a contrapartida, o custo social cobrado pelos credores, e obedientemente implementado pela Grécia até o final de 2014 – o choque de austeridade, com redução do tamanho do Estado, privatizações e cortes de despesas orçamentárias de brutal impacto em políticas sociais – lançou 1/3 de sua população à linha da pobreza, condenou o país à recessão, impede seu crescimento econômico e bloqueia sua competividade no mercado europeu – eis a explicação para a notável vitória eleitoral do Syriza em janeiro de 2015. Caso a Grécia declare a moratória e seja excluída da zona do Euro, a Alemanha responderá por 27% (36,0 bilhões de Euros = 117,36 bilhões de Reais) das perdas do EFSF, que transferiu um total de 133,0 bilhões de Euros à Grécia. Se, ao contrário, em cenário otimista, a dívida for zerada, o EFSF distribuirá 12,5 bilhões ( 41,0 bilhões de Reais) de juros gregos, cabendo à Alemanha a parte do leão – um excelente negócio para os credores.

Depositário do poder, com ele o governo Alexis Tsipras assumiu a herança maldita de uma dívida duas vezes parcialmente perdoada e ainda assim virtualmente impagável. Diante da inflexibilidade da Alemanha – o carro-chefe da Economia e das Finanças europeias – o Syriza reeditou a cobrança de um crédito bancário e de reparações de guerra, vencidos há setenta anos.

Quando eu era garoto, com meus sete ou oito anos de idade, vez e outra fui testemunha de recordações de um parente, narradas à mesa do jantar, mas ocorridas em um país longínquo, no meio do Mediterrâneo. Aventuras que me emudeciam e faziam esquecer a mastigação do pão, buscando no clarão da luminária de teto, que pendia sobre a mesa, os contornos de um país chamado Grécia, onde, como dizia o narrador, tudo tinha sabor de azeite de oliva.

Muitos anos depois, descobri que esse parente servira como suboficial no LSSAH, acrônimo de “Leibstandarte SS Adolf Hitler”, o pelotão de escolta pessoal do Führer, criado em 1923, e que, transformado em brigada de elite do 12º. Exército da Wehrmacht, em abril de 1941, recebeu das mãos do general Georgios Tsolakoglou o auto de rendição da Grécia.

Então entendi que a aventura helênica do tal parente não fora um ingênuo acampamento de escoteiros.

A blitzkrieg

Em 18 de abril de 1941, doze dias após o início da invasão alemã, o presidente grego, Alexandros Korysis, cometia suicídio. À cabeça de novo governo, Emmanouil Tsouderos tentaria resistir aos exércitos de Hitler.

Dois dias depois, após consultar o alto oficialato, mas violando ordens do comandante-em-chefe do exército grego, Alexandros Papagos, o general Georgios Tsolakoglou ofereceu a capitulação grega a Joseph “Sepp” Dietrich, comandante da LSSAH.

Naquele mesmo 20 de abril, o governo grego encabeçado pelo rei Georgios II deixou Atenas, rumo, primeiro, à ilha de Creta e, depois, ao exílio na Grâ Bretanha.

Na esteira de Georgios II, no dia seguinte, 50.000 soldados aliados, sobretudo ingleses, comandados por Archiball Wavell, empreenderam fuga em massa para Creta, deixando para trás incontáveis colunas de blindados e armas pesadas, abandonando os gregos à própria sorte.

Em terra, os aliados tinham perdido 12.000 homens, contra 2.500 baixas e 6.000 feridos alemães.

No início do cerco alemão, Wehrmacht e SS fizeram 210.000 prisioneiros; com o cerco fechado, 430.000 mil gregos entregaram-se à tropa invasora, e 20.000 escaparam para o Egito.

A capitulação de 20 de abril foi repetida três dias depois: protestando contra o que considerou “procedimento unilateral” dos alemães, o ditador Mussolini – expansionista, agressor da Grécia e causador da invasão alemã, chamando Hitler em seu socorro após a derrota italiana diante de gregos e britânicos – insistiu que o general Alfred Jodl assinasse a capitulação “definitiva” em Salônica, em presença de oficiais italianos.

Em Atenas, a 27 de abril 1941, no alto da milenar Acrópole era hasteada a suástica nazista, e em 3 de maio alemães e italianos promoveram a humilhante “parada da vitória”.

Assim pontifica a historiografia oficial, com páginas alvas, despojadas de furos de balas, queimaduras nas bordas e manchas de sangue.

Um presidente na cena do crime

País com pouco mais de 7,0 milhões de habitantes por volta de 1940, um ano após iniciada a ocupação alemã, 1,0 milhão de gregos estavam alistados nas guerrilhas da Frente Nacional de Libertação (EAM), integrada por correntes monarquistas, nacionalistas e esquerdistas de distintos matizes, discretamente dirigida pelo Partido Comunista Heleno (KKE).

Em 1941, começou a caçada alemã aos partisans.

“Nos livros escolares alemães, há poucas ou nenhuma palavra sobre o assunto. Os meios de comunicação dedicaram amplo espaço ao Holocausto, aos crimes [nazistas] cometidos na Rússia e Polônia, mas a Grécia nunca foi tema de pauta”, comenta o semanário liberal alemão, “Die Zeit” (20/2/2014).

Ao longo dos últimos cinquenta anos, todos os primeiros-ministros alemães em missão na Grécia, premeditadamente evitaram visitas constrangedoras aos memoriais da Segunda Guerra. A exceção foram dois presidentes, figuras meramente representativas, sem nenhum poder decisório.

Anualmente, durante esses mesmos cinquenta anos, em média 2,5 milhões de alemães passaram suas férias de verão, lagarteando nas brancas areias das cálidas ilhas gregas, e seus relatos de viagem são apaixonadas odes ao sol, ao vinho e ao passos do sensual Syrtáki, sem menção de tristes epitáfios ou memoriais, advertindo às barbaridades cometidas por seus conterrâneos de outrora.

“Contas feitas, os crimes praticados em Hellas não pertencem ao cânone da memória alemã, e isso causa dor aos gregos”, adverte “Die Zeit”.

Em março de 2014, foi a vez do presidente Joachim Gauck visitar a Grécia.

Acompanhado pelo presidente Károlus Papoulias – ex-resistente socialista, co-fundador do Pasok, especialista em Direito Internacional e ex-ministro das RREE, que em 1983 coordenou a operação de resgate de Yasser Arafat e das brigadas palestinas, no Líbano -, Gauck fez um retiro a Lyngiades, uma aldeia encrustada num penhasco a 1.000 metros de altitude, no Épiro, noroeste da Grécia.

A visita de Gauck a Lyngiades visava sutil efeito midiático, não percebido ou não admitido pela imprensa internacional.

Ali, na madrugada de 1º. de outubro de 1943, um oficial da ocupante 1ª. Divisão de Montanha, Edelweiß – uma das tropas de elite mimadas por Hitler – foi morto numa emboscada por guerrilheiros gregos. Encolerizado, o general Hubert Lanz, comandante da divisão, emitiu a ordem de “represália inclemente contra os bandidos responsáveis pelo odioso assassinato”, estendida a um raio de 20 quilômetros. O alvo escolhido foi Lyngiades, porque ali foram avistadas mulas de carga que “poderiam estar transportando armamento”.

Dois dias depois, o 79º. Batalhão de Reserva de Caçadores da Wehrmacht irrompeu no vilarejo, encurralando seus moradores, empurrados para dentro de suas casas e porões. Ato continuo, a aldeia foi submetida a uma infernal metralha, em seguida incendiada. Em questão de horas, Lyngiades foi obliterada do mapa da Grécia. “Missão cumprida”, os alemães subiram aos seus veículos de combate e não se falou mais no assunto.

No Épiro, famílias inteiras foram exterminadas, a selvageria não poupou crianças e bebês, queimados vivos em seus carrinhos. Após a partida dos assassinos, nos caixilhos de algumas portas jaziam corpos semi-carbonizados. Fácil imaginar que se tratava de camponeses desesperados, tentando escapar às labaredas e morrendo no fogo das metralhadoras.

70 anos depois: lágrimas de crocodilo e operação “apaga incêndio”?

À medida que ouvia pelos alto-falantes os nomes das 83 vítimas do massacre, o presidente Gauck chorou.

Em seguida, reverenciou os mortos diante do memorial e, tomando o microfone, disse: “Eu sinto vergonha, porque a Alemanha democrática, apesar de, aos poucos, resgatar seu passado com luto, tão pouco soube e aprendeu da culpa alemã perante os gregos … Eu desejaria tanto que, há muito tempo, um dos responsáveis por aquelas ordens da chacina tivesse dito, ´peço desculpas!´ ou ´me arrependo de ter cumprido ordens criminosas!´”.

Fora do pódio, então um dos poucos sobreviventes apresentou-se ao presidente alemão: Panos Babousikas, septuagenário de estatura agachada. “Minha mãe me mantinha nos braços, mas estava morta, e eu, ferido. Foi assim que me encontraram: colado ao peito da minha mãe, mamando o leite morto dela”.

Bebê marcado para morrer, Babousikas sobreviveu com uma cicatriz indelével nas costas: um corte entre 30 e 40 cm. Causado por baioneta.

Outra sobrevivente, Eleni Cholevas, descreveu o inesquecível: “Nos juntaram no porão da casa e abriram fogo contra as pessoas amontoadas. Uma bala acertou minha carteira de dinheiro, outra, a cabeça do meu filhinho – seu cérebro foi arremessado em meu rosto. Os alemães saíam e retornavam, disparando a esmo, pois ouviam os gritos das crianças, deitadas debaixo dos mortos, esparramados. Em um canto da casa, vi meu outro filho, despedaçado. O porão encheu-se de fumaça… Uma labareda alcançou a cabecinha do meu filho”.

No mesmo distrito de Ioannina, os “caçadores de montanha” do general Lanz reuniram a população judaica, para deportá-la a Auschwitz. De outros vilarejos chegaram notícias de atrocidades inenarráveis: soldados de Lanz meteram chumaços de algodão encharcado de gasolina na boca de crianças, delas aproximando palitos de fósforo acesos. Em outro caso, fenderam com adaga o ventre de uma mulher grávida, dele retirando o feto, que colocaram em seus braços.

Crimes de guerra hediondos, praticados por psicopatas repugnantes!

Nenhum dos comandantes responsáveis jamais cumpriu pena pelo Massacre de Lyngiades. As baixas patentes e soldados rasos nunca foram indiciados. Em 1948, Lanz e o comandante-em-chefe das operaçãos na Grécia, Wilhelm Speidel, foram sentenciados em Nürnberg a piedosos 10 anos de cárcere pela somatória de crimes de guerra praticados, mas em 1951 Lanz já gozava de liberdade, fazendo meteórica carreira como assessor para assuntos militares no recém-fundado partido liberal (FDP).

Contudo, Lyngiades é apenas uma das “90 aldeias de mártires” assaltadas, assassinadas e devastadas por tropas alemãs. As duas mais frequentemente referidas na Alemanha são Kalavryta (pelo menos 1.500 mortos) e Distomo (218), mas a lista é infindável, somando milhares de vítimas: Viannos (500+), Pyrgi (346), Komenno (317), Kokkinia (300+), Kandanos, em Creta (180)… O que dizer, então, da Divisão Acqui, italiana, cujos 5.000 (cinco mil!) combatentes foram chacinados em Kefalonia por comandos alemães, em 1943, para evitar sua deserção ou adesão aos aliados?

E o que dizer das lágrimas do presidente Gauck?

Que a Alemanha tenha demorado 70 anos para pedir perdão por apenas um entre tantos crimes de guerra nazistas, é em si um ultraje inaceitável, associado aos crimes inafiançáveis.

Quem deve a quem?

Mal o presidente alemão terminara seu discurso, Babousikas e representantes de outros vilarejos martirizados desenrolaram uma faixa na qual se lia, em grego e alemão: “Justiça e Reparações” – reivindicações que durante alguns minutos repetiram como incansável mantra. Porque “o perdão de Gauck para mim não tem nenhum valor!”, justificou o sobrevivente.

Este teria sido o momento para o jornalista investigativo perspicaz perguntar-se, por que Gauck escolhera exatamente aquela data para sua visita. Mais enfáticamente: qual seria o real motivo por trás da súbita visita do presidente alemão à Grécia?

No início de 2014, o sentimento generalizado na Grécia era de indignação. Para contentamento da Troika, em Bruxelas – que em 2012 reiterou seu dracônico programa de austeridade de 2010, em troca do refinanciamento da dívida pública grega, que apesar de descontos voltava a beirar astronômicos 300,0 bilhões de dólares – o país conseguira gerar um superávit primário de 0,8% seu PIB, mas à custa de mais de 25% de desemprego e de brutal redução de 30% no valor dos salários. “Locomotiva” da Europa e principal credor da Grécia, a Alemanha era encarada, não sem razão, como a grande responsável pela penúria helênica.

Naquele contexto, alguns veículos de comunicação gregos voltaram a reverberar a tese da “dívida alemã”, tese tão antiga quanto sua negação pela Alemanha.

Contemplada friamente, era naquele contexto que devia ser entendida a visita de Gauck. Menos exposto à execração da opinião pública grega do que Angela Merkel – frequentemente denunciada por manifestantes como “nazista”, com bigodinho à la Hitler -, Gauck teve a missão de apagar incêndios, isto é, esboçar gestos de conciliação, estendendo a mão ao anti-germanismo mais recalcitrante, o que o ex-pastor luterano de voz macia fez à perfeição, deste modo evitando que a revolta contra o aqui e agora fosse contaminada pela indignação contra o ontem, literalmente juntando gregos e troianos, conservadores e a esquerda, em um só concerto pelo pagamento de reparações de guerra.

Nacionalista, embora abraçando credo liberal em Economia, desde 2012 o primeiro-ministro Antonis Samaras vinha encorajando discretamente o debate sobre a tal dívida alemã, evitando, porém, que o tema ganhasse a esfera diplomática, onde seria interpretado como lance oportunista para contrabalançar o impagável crédito da Troika com cobrança à Alemanha de “dívida prescrita”, quanto mais então de reparações de guerra.

Porém, eis duas contas que devem ser separados: uma coisa é o crédito compulsório concedido pela Grécia ao regime nazista, outra, a estimativa dos prejuízos pessoais e materiais, que justificam cobrança de reparações.

Em 1943, o Banco da Grécia foi forçado pelo governo de ocupação nazista a conceder um crédito no valor de 1,5 trilhão de Dracmas (aprox. 238,0 milhões de dólares da época) aos governos alemão e italiano. O combinado foi que o empréstimo seria reembolsado ao final da guerra. Mas não foi. Em 2013, Nikos Christodoulakis, ministro das Finanças do governo Samaras, estimou que – com juros, correção monetária e multas, acumulados ao longo de 70 anos – hoje aqueles 238,0 milhões valeriam 11,0 bilhões de dólares. Outras estimativas projetam – mais acertado seria dizer: chutam – o valor para além de 70,0 bilhões de Euros, disparidades gritantes que tornam difícll, senão impossível a cobrança da dívida bancária da Alemanha.

A outra conta é a da dívida do saque e do sangue.

Enquanto crescia nas ruas a oposição contra a receita de austeridade da Troika, o Conselho Nacional para a Reclamação de Dívidas da Alemanha estimava que, ajustadas à inflação desde 1945, a Alemanha devia “centenas de bilhões de dólares” à Grécia.

Em 2013, uma equipe de economistas, historiadores e arqueólogos elaborou a primeira versão de um documento confidencial com 160 páginas, cuja versão final foi entregue em meados de janeiro de 2015 aos ministros das Finanças e das RREE do governo Antonis Samaras, que antecedeu o recém-empossado governo Alexis Tsipras. 

A fatura jamais apresentada por Samaras, mas brandida nos bastidores, e denunciada há vários anos pelo Euro-Deputado Manolis Glezos – nonagenário herói da resistência que em 30 de maio de 1941 escalou a Acrópole juntamente com Apostolos Santas, furtando de seu mastro a suástica nazista – soma extensa lista de prejuízos pelo afundamento da frota mercante grega, a destruição de indústrias, cidades, estradas e a pilhagem do patrimônio arqueológico, do qual até o presente encontram-se obras raras em museus alemães.

“Sem calcular os juros, a Alemanha deve 162,0 bilhões de Euros à Grécia!” – sentencia Glezos, explicando: “Trata-se de um numerário responsável, baseado em dados que me foram fornecidos pelo Banco da Grécia”.

Para embasar seus cálculos, o parlamentar do Syriza utiliza documentos históricos de inegável validade. Por exemplo, os Tratados de Paz de 1947, em Paris, que ajuizaram o montante de reparações que a Alemanha deveria pagar aos países ocupados pelo nazismo. Em Paris, os 19 membros da comissão aliada determinaram que, pelos danos causados à Grécia, a Alemanha lhe devia 7,1 bilhões de dólares pelo valor de mercado de 1938; valor que atualizado em 2015 atingiria os tais 162,0 bilhões de Euros, em algumas publicações gregas turbinados para estratosféricos “300,0 bilhões de Euros”, numerário que não por acaso encosta na atual dívida pública grega, que procura repudiar em bloco.

Importante observação sobre a dramaturgia: embora estimassen o valor das reparações alemães em 7,1 bilhões de dólares, os aliados recomendaram moderação aos países de Direito, para prevenir uma fatal repetição do desastre de Versalhes, de 1919, cujas exigências dracônicas e imbecis arruinaram a Alemanha, descovaram a serpente nazista e fizeram rebrotar em 1939 a guerra tida como finda em 1918,

Argumentos alemães e Tribunal de Haia

Em Berlim, o pleito é taxado de risível a descarado.

O ministério das Finanças alemão argumenta que as reparações à Grécia foram quitadas há mais de 50 anos e que a conta está definitivamente zerada. Brandindo seus próprios números, os funcionários do ministro Wolfgang Schäuble advertem que, cumprindo determinações dos Tratados de Paris, a partir de 1948, a Alemanha forneceu bens – máquinas, motores, veículos e estruturas de engenharia – hoje avaliados em 2,0 bilhões de Euros. A Grécia contesta, dizendo que nunca recebeu, e a verdade é que durante anos grande parte dos equipamentos deteriorou no porto de Hamburgo, onde foi saqueado por navios britânicos, com nome e endereço.

Em 1953, o Acordo sobre Dívidas Alemãs, de Londres, estabeleceu que o atendimento a qualquer outra cobrança será “protelado… até a regulação definitiva da questão de reparações”, mediante um Tratado de Paz.

Apesar disso, em 1960 a Alemanha pagou uma indenização de 115,0 milhões de Marcos a vítimas de crimes nazistas na Grécia. Ocorre que, anos depois, confirmou-se que aquela reparação contemplara sobretudo descendentes da minoria judaica e não a maioria das familias gregas vitimadas. Porém, segundo o contrato assinado na ocasião, a reparação quitava todas as reclamações por assassinato, saque e devastação, estando excluídos pleitos futuros. Atualizados, mais de meio século depois, os 115,0 milhões de Marcos somariam vários bilhões de Euros.

Finalmente, com a reunificação alemã, em 1990, a assinatura do tão sonhado tratado de paz estava na ordem do dia. Mas não foi assinado. Em seu lugar, entrou em vigor o “Tratado 2+4” (as duas Alemanhas + EUA, URSS, França e Grã-Bretanha) sobre a Unidade Alemã, explicitamente reconhecido pela Grécia, como país vitimado pelo nazismo, mas cujo teor – com esperto calculismo do governo Helmut Kohl – implicitamente evita defini-lo como tratado de paz, com isso enterrando de vez expectativas de pagamento de reparações.

O que a Alemanha temia era que, ao oficiar um acordo de paz explícito com os aliados, fosse imediatamente alcançada por sem número de causas judiciais cobrando reparações; o que, finalmente, explica, por que seus giovernantes tanto evitaram visitar memoriais gregos.

A indignação dos familiares das vítimas dos crimes nazistas na Grécia é justa e enorme. Não tendo sido devidamente representados por juristas como os empregados pelos lobbies judaicos, seus direitos jamais foram respeitados. Alguns, intrépidos, recorreram à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia. Mas foram decepcionados. Em fevereiro de 2012, a CIJ contestou ações indenizatórias de cidadãos gregos e italianos, advertindo a “convenção sobre a imunidade de Estado e seus bens”, inalienáveis. Ponto.

Já uma ação pelo reeembolso do tal “empréstimo compulsório”, que Hitler e Mussolini descaradamente cobraram ao Banco da Grécia para cobrir as despesas da ocupação violenta, tem possibilidades de êxito. Segundo o Direito Internacional, o crédito grego não pertence à categoria das reparações, sendo definido como empréstimo comercial contratado.

Cobrá-lo na CIJ, certamente levaria alguns anos – tempo que o Syriza não tem.

Receber sua atualização, certamente aliviaria as contas gregas. Mas envenenaria para sempre a azedada relação entre Atenas e Berlim.

O que mais temem Schäuble. Merkel e seus satélites – Holanda, Espanha, Portugal e países do Báltico – é que a acirrada oposição do Syriza ao irresponsável roteiro da austeridade contamine e rache a unidade do Euro-bloco, cujos primeiros sintomas tornaram-se visíveis quando da prorrrogação do programa de salvatagem financeira da Grécia, em 19 de fevereiro, oportunidade em que França e Itália cobraram receptividade aos pleitos do ministro Yannis Varoufakis.

Nada é perene e impossível, nem uma Europa de ponta a ponta indignada com a fórmula bandida, “aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei!” – aos despossuídos, a austeridade, aos bancos criminosos, a persistente e escandalosa locupletação com recursos públicos, 

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17 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    25 de fevereiro de 2015 12:17 pm

    A justiça impõe que a Grécia

    A justiça impõe que a Grécia seja indenizada. Esta seria a única forma da Alemanha retirar a bandeira nazista que foi em seu nome hasteada na Acrópole. 

    1. Lionel Rupaud

      25 de fevereiro de 2015 12:53 pm

      Sem esquecer que a Itália tem uma responsabilidade

      histórica no drama da ocupação da Grécia pelos nazistas: foi a Itália de Mussolini que invadiu a Grécia, e sendo derrotada militarmente, chamou a Alemanha nazista para resolver a parada…

    2. Imparcial atento

      25 de fevereiro de 2015 2:11 pm

      Sr. Fábio ,sem contar também

      Sr. Fábio ,sem contar também que o Gal Speidel ,citado no artigo ,anos mais tarde foi o chefe da OTAN.

      Acho também que a Alemanha e Itália devem reparações à Grécia ,mas também os gregos devem se ajudar

      pois os politicos, lá como cá ,possuem mordomias sem fim ,afora o empreguismo enorme .

  2. Waldomiro Pereira

    25 de fevereiro de 2015 1:01 pm

    Hitler vive e está na

    Hitler vive e está na Gloebels!

     

  3. edu

    25 de fevereiro de 2015 1:41 pm

    a justiça impõe que a Grecia….etc…

    Passei  a  guerra    sob   a  bota   nazista, num  país   proximo,e tive  a  oportunidade  de   passar    3   semanas   na    Grecia,   em   2012. País do 1o mundo,  organizado, culto,   berço   da   historia  da   humanidade.Visitei lugares onde  os   nazistas   cometeram  barbaridades, deportação   de    comunidades   em  ilhas  que   foram   assassinadas  em   Auschwitz, partizans  gregos    fusilados  , etc. Não  sei    quais  as  indenizações  d    guerra   pagas   ou  pleiteadas, mas  o    buraco   grego  se  deve  às   altas   quantias  pagas aos   aposentados,  enfim,  beneficios sociais    dados  pelos  politicos  que o  orçamento  não   suportava. 2/3 dos gregos possuem  casa  propria,  contra   1/3   dos    alenães. Minha   solução  é  simples,arrende   algumas  ilhas   por   49  ou  99   anos  pela   divida, ou  por   2/3  da  mesma  e  pague  o  resto. Não há outra   saída. 

    E, não  deixem  de    visitar   a   Grecia  e  suas  ilhas.

  4. Jair Fonseca

    25 de fevereiro de 2015 1:42 pm

    A música grega de Mikis

    A música grega de Mikis Theodorakis, que aparece na foto acima junto a Manolis Glezos, heroi nacional e deputado do Syriza.

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=pwgBt0H0vQI%5D

  5. Imparcial atento

    25 de fevereiro de 2015 1:42 pm

    Corretíssimos

    Corretíssimos comentários.(Fabio e Lionel )

  6. rdmaestri

    25 de fevereiro de 2015 1:46 pm

    Cobranças de reparações.

    Alguém pode questionar se débitos históricos devidos ou indevidos devem ou podem ser cobrados depois de muito tempo, pois a jurisdição internacional reconhece esta cobrança de dívidas.

    O exemplo mais claro, evidente e verdadeiramente aberrante em termos morais, porém aceito pelo sistema financeiro internacional, é a cobrança das dívidas do Haiti pela França!

    Com a guerra de libertação do Haiti, a primeira nação do MUNDO a extinguir a escravidão, o Haiti em 1794 libertou todos os escravos se declarou independente.

    Pois a França, país da “Liberté, Egalité, Fraternité”, em 1825, a França, apontando os canhões de sua armada ao Haiti, exigiu que este pagasse uma dívida de 150 milhões de francos (equivalente moderno de US $ 21 bilhões), principalmente como indenização aos donos de escravos do Haiti (importante, já na época na França era proibido ter escravos). Esta dívida era equivalente a divida que um país que suprimisse a produção de intorpecentes e tivesse que pagar indenizações a organizações mafiosas que foram prejudicadas.

    Em 1893 o governo Francês reconheceu parte do pagamento de 24 milhões de francos de ouro que foram devidamente contabilizados pelo tesouro francês, a dívida foi sendo renegociada e acrescida de outros valores retirados pelos ditadores do Haiti, Papa e Baby Doc, que fugiram para a França e lá mantiveram a sua fortuna que na época correspondia a 1/4 da dívida externa do Haiti. Somente após o terremoto em 2010 a dívida do Haiti foi perdoada pelas maiores instituições financeiras, considerada como técnicamente se chama uma dívida odiosa. Ou seja, uma dívida iníqua e odiosa (termo técnico internacional) só veio a ser perdoada poucos anos atrás

    A situação Grega é exatamente à mesma, a sua dívida causada também pela indenização à Alemanha durante a guerra, trata-se também de uma dívida odiosa, que deveria ser extinta.

    Ou seja, precedentes históricos do reembolsos de longo prazo de dívidas odiosas já existem, logo a Alemanha que arque com seu passado que não foi extinto a medida que os bancos Alemães lucram até os dias de hoje com a rolagem das dívidas geradas no passado. Se alguém quer colocar uma pedra no passado e queira esquecer tudo, que esqueça, inclusive dos proveitos econômicos do mesmo passado.

    1. ALUCINADO

      25 de fevereiro de 2015 2:03 pm

      Mas não é que eu gostei deste

      Mas não é que eu gostei deste teu comentário ?

      Fiz questão de “estrelar “

  7. O Mar da Silva

    25 de fevereiro de 2015 2:09 pm

    A Grécia tem uma batalha que,

    A Grécia tem uma batalha que, se vitoriosa, alimentará as ‘novas esquerdas’ na Europa. E quem sabe, o povo europeu acorde para a criminalidade da austeridade. Salvaram os bancos privados e puniram os mais pobres. Até parece o Brasil, onde a mídia prega diariamente a austeridade e o aumento da SELIC e a população acredita que a ‘corrupção dos políticos’ é a causa de todos nossos males.

    Torço para que o Syriza consiga negociar sua situação e que a população grega o apóie. E também que o Podemos saia vencedor das eleições na Espanha. Será um excelente reforço para as esquerdas.

  8. Athos

    25 de fevereiro de 2015 2:25 pm

    Não precisa nem entrar nestes

    Não precisa nem entrar nestes detalhes. Ao derrotar a grécia a Alemanha limpou todo o ouro grego de seu banco central.

    Nunca devolveram nem 1 centavo. Nadinha de nada!

    Cobre o bonus de guerra alemão!

  9. Alexandre Weber - Santos -SP

    25 de fevereiro de 2015 3:13 pm

    Contratos impossíveis e dívidas impagáveis

    Quando um empréstimo é concedido sem que na criação “ex nihili” do principal se inclua também o acessório, fica impossível pagar o principal acrescido dos juros.

    A dívia é impagável!

    A partir de 1971 o mundo vive com uma moeda escravizante, pois cria situações insustentáveis de dívidas impagáveis.

    São águas nunca navegadas, assunto que deve ter sido pauta da reunião do G20 que houve mas não foi divulgada.

    A lista da Mckinsey que adicionei ao blog com as dívidas dos países, sendo que 9 deles com montante superior a 300% do PIB indica que não serão pagas nunca.

    https://jornalggn.com.br/comment/586621#comment-586621

    Forçar a Grécia ou outro país pagar agorar o que não irão receber nunca será um capricho maquiavélico de proporções inimagináveis, até dá para desconfiar que não é o dinheiro que querem.

    Vivemos em tempos interessantes.

  10. De Paula

    25 de fevereiro de 2015 3:44 pm

    Por um tratado assinado em

    Por um tratado assinado em setembro de 1952, o governo da Alemanha Ocidental, através de seu Chanceler Konrad Adenauer, comprometeu-se a uma reparação moral e material às vítimas do nazismo.  Por conta desse acordo, nos últimos 60 anos, o Estado alemão destinou mais de 60 bilhões de dólares as vítimas judaicas do nazismo.   São palavras textuais do mesmo Chanceler alemão: “Em nome do povo alemão foram cometidos crimes hediondos que nos forçam a uma reparação moral e material”  Por êste parâmetro, a Grecia e o povo grego são credores do Governo alemão.

  11. Eliete Ferrer

    26 de fevereiro de 2015 2:18 am

    Grécia e a cobrança da dívida alemã.

    Excelente e esclarecedor texto. Didático. Aula de História.
    Parabenizo Frederico Füllgraf pela primorosa matéria.
    Agradeço, ainda, pela oportunidade, que considero como um presente, um “regalo”.
    Eli.   

  12. José Muladeiro

    26 de fevereiro de 2015 9:13 am

    Vejamos o que farah o Syriza.

    Se os alemaes conseguirem enrolar os Gregos por seis meses serah que o Syrisa contiuarah tendo todo o apoio popular que tem hoje? E sem este apoio farao o que?

  13. Sérgio da Mata

    3 de março de 2015 12:34 am

    Déjà-vu

    Caros,

    Quando eu era jovem, havia uma reivindicação obrigatória em qualquer panfleto de sindicato ou chapa estudantil: “Não ao pagamento da dívida externa!”. Já vi esse filme. É como se o devedor sempre tivesse razão, não importa o que o tenha levado a se individar (tresloucadamente). Na próxima, sugiro um artigo com um histórico da dívida grega. E a leitura desse artigo investigativo que demonstra as relações do Syriza com o ás do “centralismo democrático”, Mr. Putin.

     

    Caught in the web of the Russian ideologues

    Powerful Russians want to drive a wedge into the EU and are fighting for Moscow’s dominance. Confidential emails reveal how they are influencing the Greek government. von Meike Dülffer, Carsten Luther und Zacharias Zacharakis

    (Die Zeit, 7. Februar 2015)

    At this wedding, the most important person wasn’t the bride. Nor the groom. Instead, it was the best man. The EU forced him to play this role against his will. In Brussels, there are some who are convinced that Konstantin Malofeyev is providing financial assistance to pro-Russian militants in eastern Ukraine. For this reason, the Moscow-based businessman with close ties to the Kremlin is no longer allowed to travel to Europe. For the couple planning to wed, heirs of a Greek shipping company, this was a problem. But not for Malofeyev. Without further ado, the enormously wealthy oligarch invited the entire wedding party to his luxury resort south of Moscow.

    An eccentricity from the world of the superrich, one might think – if it weren’t for the guest list. The choice names on that list show how closely connected the business and political elites of Greece and Russia are – and how these ties reach all the way to the new Greek government.

    The list comes from a hacked email account of a former employee at the Russian Embassy in Athens. More than 700 other emails were in the account. ZEIT ONLINE has analyzed them. The messages reveal just how close contacts have been between Russian oligarchs like Malofeyev and ideologues like Alexander Dugin, on the one hand, and important Greek politicians, on the other. And they document how influential Russians are working to forge close strategic and ideological alliances with European decision-makers – as alternatives to the European Union and against the trans-Atlantic integration of its countries.

    At the very top of the list: Panos Kammenos

    Comparable Russian contacts can be found in many places in Europe, particularly ones to populist and extremist parties on the right. For example, France’s National Front party enjoys support from Russia, which also has good relations with Fidesz, the ruling party in Hungary led by Prime Minister Viktor Orbán. Representatives of Austria’s Freedom Party (FPÖ) served as election monitors in Crimea after Russia annexed it last year.

    The mails from the hacked email account now provide exemplary information about how anti-European ideologues have been establishing contacts with individual politicians in EU countries and have been trying to exert influence on them. For example, at the very top of the guest list of that wedding celebration, directly under those of the bride and groom, is a name that is currently becoming well known even outside of Greece: Panos Kammenos is the new defense minister in Athens, head of the right-wing populist Independent Greeks party and coalition partner of leftist Prime Minister Alexis Tsipras.

    The document, titled “Final list of Greeks“, contains the names of 90 guests. Besides Panos Kammenos, there are lawyers, businesspeople, politicians and, lastly, an entire orchestra. Malofeyev obviously didn’t want to let EU sanctions get in the way of how he cultivates his relationships. “This weekend, my Greek friend who invited me to be the best man at his wedding had to come to me to have his wedding with 90 Greeks, instead of me going to him,” Malofeyev told the American online magazine Slate.

    Contacts in all ideological camps

    The hacked address is the private email account of Georgy Gavrish. A group critical of the Kremlin broke into in on December 2, 2014 and published the data within it. Gavrish comes from Rostov-on-Don and belongs to the inner circle of the Russian ideologue Alexander Dugin, a proponent of neo-Eurasianism. This is confirmed by a multitude of emails exchanged between the two. Gavrish was also an early member of Dugin’s so-called Eurasian Movement.

    Dugin is something akin to a guru of Russia’s new and aggressive imperialism, whose esoteric geopolitical visions boil down to Russian dominance stretching from Asia to Europe as an opposite pole to the hated liberalism of the US-dominated Western world. The degree of influence it has on President Vladimir Putin and official Russian policies is a matter of dispute. What is certain, however, is that Dugin has spent years trying to find allies to support his ideas – and succeeded in doing so.
     

    Gavrish lived for several years in Greece, where he tried to establish contacts with potential allies. Between 2009 and 2013, he worked as a third secretary at the Russian Embassy in Athens. In the fall of 2013, he moved back to Moscow.

    In December 2014, when his hacked emails were leaked to the public, Gavrish and his written correspondence didn’t attract much attention. But they have become extremely interesting now given the kind of statements the new Greek government has made about Russia as well as the Kremlin’s aggressive efforts to befriend Tsipras. The question is: Just how far-reaching is the influence that Russian ideologies exert on Greek politicians?

    From the email archive – which includes correspondence in Russia, Greek and English stretching from May 2010 to the end of November 2014 – it appears that Gavrish maintained a vast network in Greece. He evidently aimed to find pro-Russian and anti-European comrades-in-arms. His broad range of friendly relationships included ones with American Embassy employees, businesspeople and intellectuals who have exerted influence on politicians of completely different ideological orientations. In fact, he even had contacts to both Syriza, today’s leftist governing party, and its coalition partner, the right-wing populist Independent Greeks party. 

    “Pro-Russian friends” among the right-wing extremists

    Gavrish and his fellow campaigners also looked for allies among right-wing extremists. This can be seen from contacts to Golden Dawn, a neo-Nazi party in Greece whose entire top leadership must now stand trial on charges of forming a criminal organization.
     

    Last November, Gavrish received an email from an intermediary asking whether the former diplomat could assist “our pro-Russian Italian friend.” The friend in question was Italian fascist Roberto Fiore, founder of the right-wing extremist Forza Nuova party. Fiore apparently wanted to travel to Athens to meet with the leadership circle of Golden Dawn, but the most important neo-Nazis in the Golden Dawn party were already sitting in jail. Fiore asked: “Can you send a lawyer for the 12 of December?” adding that he was needed in order “to enter the jail where the leaders of Golden Dawn are.” The emails do not reveal whether the Italian fascist ever received any help.

    Dugin as star guest

    Malofeyev, the devout Russian Orthodox oligarch and wedding organizer, also belongs to Gavrish’s network in Russia. For this reason, Gavrish’s name pops up in places like the mailing lists of Marshall Capital, an investment fund founded by Malofeyev, where Gavrish is referred to as an expert.

    Malofeyev doesn’t only bankroll separatists in eastern Ukraine and political parties in Greece; he is also believed to have played an intermediary role in the annexation of Crimea. He describes himself as an Orthodox Christian patriot, he has a portrait of Czar Alexander III hanging in his office, and he would like to see the return of the Russian Empire. His St. Basil the Great Foundation numbers among the biggest benefactors of the Russian Orthodox Church and lends itself a charitable appearance.
     

    But Malofeyev’s money also benefits networks in Europe. For example, last May, Malofeyev’s foundation acted as the host of a conference hidden from the public in Vienna that brought together right-wing extremists, monarchists, Christian fundamentalists and anti-European nationalists. All of them were united by their shared antipathy toward all forms of liberalism and a positive view of today’s Russia. The event was officially dedicated to the 200th anniversary of the “Holy Alliance” that Russia, Prussia and Austria forged in 1815 after the defeat of Napoleon. Among those in attendance were representatives of France’s National Front and the Bulgarian right-wing populist party Ataka.

    The “elite club”

    The star guest at the conference in Vienna was once again Dugin. And that was no coincidence. For years, Dugin has been visiting his comrades-in-arms all across Europe. Just who he has in mind by this category can be gathered from another email, which Dugin sent to Gavrish in February 2014. At the beginning of the message, there is a list of individuals from different countries who were supposedly suitable to found an “elite club” or “a group to influence information along the lines of ‘Russia Today.’”
     

    Under the heading “Germany,” Dugin lists the political commentator Jürgen Elsässer, for example, and Prime Minister Viktor Orbán under “Hungary.” For Greece, there are three people on the list, including Alexis Tsipras, head of the then opposition party Syriza. This is the only indication in the emails that, in addition to having contacts with Greek right-wing extremists and Kammenos’ Independent Greeks, Russian ideologues view the current head of the Greek government himself as a potential cooperation partner.

    The same also holds true for other members of Tsipras’ Syriza party. In addition to the composer Mikis Theodorakis, the “elite club” list names a third Greek: the writer and journalist Dmitris Konstantakopoulos. According to a footnote, Dugin or one of his representatives had met all of these men in person. It goes on to claim that possibilities for participating in “an organizational and/or informational initiative along pro-Russia lines” were also sounded out with them either directly or indirectly.
     

    Konstantakopoulos has close ties to the leadership ranks of the Syriza party. He provided assistance as part of a committee charged with drafting the party program. The journalist spent years as a correspondent in Moscow and serves as something like a link between the party and its contacts in Moscow. Moreover, he is an important Syriza ideologue. The newspaper Avgi, which has close ties to the party, publishes his essays regularly.

    In addition, Konstantakopoulos had been informed in October 2014 that Kammenos, now the defense minister, would stay in Moscow on account of the wedding mentioned above. This is also revealed in an email that Konstantakopoulos sent to Gavrish. Shortly before the celebration, Konstantakopoulos writes, Kammenos appeared “full of excitement” in Syriza circles and asked for “a tactical collaboration.” The Syriza leadership, Konstantakopoulos reported to Gavrish, had given some thought to what should be done with “the small one.” It is unclear whether Kammenos really did try to establish these contacts. However, after the Greek election, it emerged that the Syriza party leadership would involve itself in this kind of coalition.

    Konstantakopoulos and Dugin know each other personally. They met during a trip that Dugin took to Greece in April 2013, when they interviewed each other. Dugin explained his geopolitical views to the Greek and said that Greece “can choose between Land Power (Eurasia) and Sea Power (the USA, UK and NATO).” In the end, he added, it is up to the Greek people to make this choice.

    Dugin, in turn, presented Konstantakopoulos in an English-language video conversation. In it, Konstantakopoulos complains that Greece is a colony that is being destroyed by the international financial institutions and mentions the possibility of a strategic alliance with Russia.

    A Greek Dugin fan

    The name of another Greek intellectual appears repeatedly in the emails as both a sender and recipient: Nikos Laos. It is difficult to fathom his exact function and attitude. Laos, who holds a doctorate in theology, has published a number of books, including ones on the offshoots of the Illuminati in Greece and the excesses of political economy. But Laos is also a partner at R-Techno, a Russian private-security firm. Its founder, Roman Romachev, worked for the Russia domestic intelligence agency FSB between 1997 and 2002, where he was in charge of counterintelligence.

    On the basis of the emails, one can say with relative certitude that Laos is an ardent admirer of Dugin and tried to make contact with him. At first, he communicated with Dugin via Gavrish. “We live in a very complicated world in which there are no longer any clear-cut national policies. Instead, there are networks that operate both within countries and outside their borders,” Gavrish writes in a message to Dugin, quoting Laos. Dugin answered that Laos was “very correct” and said that he was also willing to meet with Laos. Whether that ever happened remains unclear. In any case, Laos wrote to Dugin via Gavrish in 2013: “I am trying through diplomatic channels to apply many of your ideas for a healthy and creative change in Greek policies.” In this way, he continued, Greece should become part of a “Eurasian alliance under the leadership of President Putin.”

    Based on the email exchanges, one can only determine to a limited degree just how much influence Laos has on the Greek public and on Syriza. In June 2014, he wrote to Gavrish that his “acquaintances” in the Syriza party had asked him to analyze which internal currents in the Syriza movement were leaning toward social democracy. In an attached article, Laos warned about individual party members who supposedly presented a danger through their “social democratic provocations” and who threatened to divide the movement with a stance that was too friendly toward America.

    In any case, Laos’ statements provide insight into the world of ideas in which Russian Orthodox and Greek Orthodox ideologies evidently intersect. For example, in July 2014, he wrote directly to Dugin, reporting that he intended to found an Orthodox, Eurasian order of knights and asking Dugin to be one of its patrons. “Through this public and honorific organization, we can assist the Eurasian Noomachy through very effective channels and networks,” he wrote, using a term denoting a war of ideas. “I know very well how the enemy works, and, under Your Patronage, I can strike back effectively and hard.” Dugin’s terse response was: “Got it.”

    Academic ties to the foreign minister

    However, a completely different personal connection may be much more important to Dugin than the one he has to Laos: that to Nikos Kotzias, the Syriza member currently serving as Greece’s foreign minister. In the spring of 2013, Dugin delivered a lecture at the University of Piraeus, where Kotzias was teaching at the time.

    There have already been reports on that lecture. But what is less well known is that, while still a professor at the University of Piraeus, Kotzias commissioned several studies that were supposed to investigate the Greek population’s stance toward Russia. From the hacked emails, it emerges that Kotzias personally passed on the results of these studies to Gavrish in June 2013. Among other things, the opinion pollsters explored the question: “Which country is the friendliest to Greece?” The results from 2012 found that almost 40 percent of respondents believed that Russia was the best friend of the Greeks. France was in second place, with 24 percent. Conversely, only a bit more than 1 percent of the surveyed Greeks claimed to view Germany as a friend.

    “For Greeks,” Kotzias concludes, “Russia is a potential military and economic ally that they respect and appear to know relatively well.” In recent times, he adds, many Greeks have been let down by their traditional allies and have consequently turned toward Russia. 

    A spokesman for the Greek Foreign Ministry told ZEIT ONLINE on Saturday that Kotzias denies being in contact with Dugin. In any case, the trove of leaked emails also includes a group photograph, apparently taken in Greece, showing Kotzias with Dugin and other individuals.

    In recent days, the Greek government has been making an effort to refute allegations that it wants to step out of the ranks of the Europeans and turn to Russia. But, to the same degree, questions are arising about the impact of the following facts: that Greece’s foreign minister cultivates (pseudo)-academic relations with the neo-Eurasian Dugin, and that the defense minister evidently has close ties with a Russian oligarch, who in turn is associated with Dugin. In any case, one would presume that attempts by Russian ideologues to win over Europe’s politicians and to play them against each other comes in rather handy to President Putin and his government.

    With assistance from: Christo Grozev, Sebastian Mondial, Steffen Dobbert and Karsten Polke-Majewski

     

     

    1. F.Füllgraf

      5 de março de 2015 4:37 pm

      O seu “filme” eu também já vi.

       

       

      Prezado Sérgio da Mata,

      de um ex-doutorando em universidades alemãs eu esperava um comentário mais equilibrado (menos agressivo) e factual.

      Se a “filmes” se refere, pois recomendo-lhe que, historiador que é, mergulhe na história dos crimes de guerra alemães na Grécia – esse é o tema do meu texto. E ser-lhe-íamos todos gratos, caso consiga refutá-la. Um verdadeiro prodígio: um provinciano historiador revisionista, negando crimes de guerra ajuizados em tribunais internacionais.

      Quanto à evolução da dívida grega, sugiro que escreva de próprio punho alguma coisa que alumie nossa ignorância, provando defintivamente que a burguesia grega não é sonegadora, que os grandes negócios da banca europeia com a Grécia foram honestos e transparentes e que o programa de austeridade impingido à Grécia fez bem ao seu povo. 

      Finalmente, ao invés de brandir textos como o do de “Die Zeit” – que pretexta um “eixo do mal Moscou-Atenas” – tente explicar-nos por que as articulações políticas da Rússia no Ocidente são condenáveis, e as conspirações, infiltrações, operações de falsa bandeira, golpes e agressões militares norte-americanas não o são. Que em Geopolítica existiria alguma “prerrogativa” ocidental.

      Lição de casa desafiadora, caro Sérgio da Mata.

      Saudações.

       

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