A queda de 1,42% nos serviços, de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mantém a regra de uma economia andando de lado.
Em 12 meses, houve uma queda de -0,63% no volume de vendas dessazonalizado.
Não apenas isso.
Confira o nível dos setores em vários períodos. Dos 8 setores pesquisados, em junho (no gráfico aparece maio porque reflete a variação até junho) 7 registraram queda e apenas 1 alta. Se se tomar 10 anos atrás, o nível de junho de 2012, 5 setores registraram queda e apenas 3 subiram.
E não é pouca coisa. Em junho, apenas Artigos farmacêuticos registrou alta de 1,3%. Os demais tiveram quedas, algumas expressivas, como Tecidos, Vestuário e Calçado, com -5,4%.
Mais: a comparação de 10 anos mostra um quadro tenebroso. Com exceção de Artigos farmacêuticos, mesmo os setores em alta registraram um desempenho acumulado que se torna pífio, quando reduzido a um ano
Aqui, os dados anuais correspondentes ao acumulado de 10 anos. Mesmo os dois tipos de Hipermercados, que parecem ter bom desempenho, tiveram crescimento de apenas 0,5% e 0,8% ao ano, apesar do processo de oligopolização registrado no período.
José Carvalho
11 de agosto de 2022 11:55 amEsses números refletem a realidade de um País que como está declarado, anda de lado. A regressão continuada do mercado doméstico que ao invés de ter aumentado e crescido juntamente com o País e sua economia, sofre encolhimento expurgando contingentes desta sociedade, da possibilidade de obter condições de vida melhor. Setores como o de vestuário, tecido e calçados estão diretamente ligados à diminuição do volume de potenciais consumidores e do aperto vivido pela queda da renda salarial em diversos outros setores. Hipermercados e os setores congregados ao de artigos farmacêuticos são de primeira necessidade, indispensáveis na maior parte dos casos. Não se está avaliando dados de meses isolados por causa de algum fator extraordinário, mas o período de mais de uma década e as consequências das escolhas do País e seus tomadores/formadores de decisões, suas apostas. O travamento da economia brasileira em seu processo de expansão não é um acidente e sim o fruto das escolhas feitas pelo País, o boom vivenciado pelas commodities enriquece apenas nativos e estrangeiros participantes do primário-exportador. Caberia a todos os demais se preocupar com a própria perspectiva. Essa incapacidade apresentada pelos conjuntos produtivos de gerar progressivamente riqueza, desabona essa Nação. Enfrentar essas realidades e conseguir a superação para o progresso e o desenvolvimento dessa sociedade é imperioso caso ainda exista esse desejo.