por Eduardo Ramos*
A foto que ilustra esse texto revela um Bolsonaro ACUADO, constrangido, ciente de que boa parte do discurso do novo presidente do TSE, Alexandre de Moraes era dirigido essencialmente contra ele e os golpistas de dentro e de fora do seu governo. Uma gente que odeia a democracia, a diferença de pensamento, e não tem escrúpulo algum em planejar e concretizar – se permitirem… – um golpe de Estado – mais um, no caso do Brasil, essa “República” onde os donos do poder, com o apoio certo dos militares e de boa parte do judiciário não se furtam aos golpes violentos para se manterem no controle do Estado e suas riquezas.
Foi logo no início de seu discurso, que Alexandre de Moraes deu o recado direto, como um “jab” no boxe, no peito do golpista-mor do Brasil, para nossa vergonha, o próprio presidente, Jair Bolsonaro:
A vocação pela democracia e a coragem de combater aqueles que são contrários aos ideais constitucionais e aos valores republicanos de respeito à soberania popular permanece nessa Justiça Eleitoral e neste Tribunal Superior Eleitoral, que continuamente vem se aperfeiçoando, principalmente com a implementação e a melhoria das urnas eletrônicas.
Numa tacada só, três golpes contundentes e inequívocos jogados diretamente contra Bolsonaro e seus seguidores: primeiro ao falar da vocação pela democracia, segundo por falar na coragem para combater os que são a ela contrários, bem como à soberania popular, e terceiro por defender mais uma vez a lisura do pleito, a confiabilidade das urnas eletrônicas, testadas e aprovadas em mais de dez eleições em nosso país. Mais objetivo, claro e contundente, impossível.
Outras partes do discurso seguiram esse tom, duro, um tom “de ataque”, e não de defesa, de colocação do que é e de como vai ser, e não uma fala de tibiezas, de inseguranças, não houve um “talvez” na fala do ministro.
A presença de vários ex-presidentes, senadores, deputados, governadores, só reforçou esse ar de “celebração da democracia e soberania do voto” que se quis emprestar à cerimônia. Poucas vezes um chefe de Estado se viu tão emparedado como Bolsonaro, no evento de ontem.
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Golpes de Estado – relembremos como foi com a presidente Dilma e a Lava Jato de Moro… – precisam de um “clima”, precisam de apoio de militares, Judiciário, mídia, e das classes sociais com força política no país – no Brasil, obviamente, classe média e elites. A posse de Alexandre de Moraes é como um marco de que o mesmo Judiciário QUE FOI AGENTE MAIOR DO GOLPE NA PRESIDENTE DILMA, hoje luta com coragem contra Bolsonaro e os militares que o acompanham na aventura golpista. A mídia, ainda tímida na defesa da democracia, em breve vai abraçar a causa da democracia até por vergonha de um vexame ainda maior.
Muita água rolará debaixo dessa ponte, mas o momento é de uma esperança realista de que as coisas caminham para uma eleição difícil, muito provavelmente conturbada por provocações orquestradas, mas não parece haver sinais de algo do tipo: “militares fechados com Bolsonaro por um golpe de Estado à força”.
Hora de todo brasileiro digno e responsável ocupando um cargo público lutar de modo claro e objetivo pela democracia em nosso país.
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Como fez ontem, dignamente, o novo presidente do TSE.
A Bolsonaro restou esse vexame: ser o convidado repulsivo e constrangido na cerimônia que celebrou a nossa democracia!
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