Jair Bolsonaro levou uma “cola”, com anotações em sua mão, para a entrevista ao Jornal Nacional, na noite desta segunda (23). Abaixo, explicamos o que Bolsonaro marcou em sua mão para falar na entrevista.
Visível aos telespectadores, as palavras “Nicarágua”, “Argentina”, “Colômbia” e “Dario Messer” apareciam anotadas na mão esquerda do mandatário, enquanto respondia às perguntas de Renata Vasconcellos e William Bonner.
Prática já usada na campanha de 2018
A prática não é nova. O presidente já havia feito o mesmo durante a sua campanha em 2018. À época, trazia escrito as palavras “Deus”, “família” e “Brasil”.
Nitidamente fáceis de se memorizar, as palavras serviram mais como um gesto de marketing político, ao sinalizar aos telespectadores as palavras que eram importantes para o então candidato. Resumiam algumas de suas bandeiras que são amplamente defendidas pelos eleitores que garantiram a sua vitória.
A nova “ditadura comunista”
Os países “Nicarágua”, “Argentina”, “Colômbia” tampouco são difíceis de memorizar. Mas são a nova “Cuba” ou “Venezuela” dos ataques de conservadores e da direita política. Os três países significam para este público a “onda comunista” que teria assumido o continente.
Bolsonaro não traz Joe Biden, que derrubou o ícone de representantividade do mandatário brasileiro nos Estados Unidos, Donald Trump, no ano passado. O objetivo, claramente, era mencionar lideranças de esquerda, do qual apesar de democrata não se enquadra o atual presidente do país, e com algum resultado negativo no país que lidera.
Leia também:
12 mentiras de Jair Bolsonaro no Jornal Nacional
Bolsonaro surfou no despreparo da bancada do Jornal Nacional
Jair Bolsonaro conta mentiras à vontade no Jornal Nacional
Assim, associou a grave crise econômica na Argentina a Alberto Fernández, a crise política de Nicarágua com Daniel Ortega e a recente eleição de Gustavo Petro na Colômbia. O trio vem sendo usado como os alvos preferenciais de extrema-direita para atacar o que tradicionalmente chamam de “ditadura comunista”.
Ameaça à Globo
Por fim, uma quarta palavra da “cola” de Jair Bolsonaro foi sequer mencionada pelo mandatário na entrevista. É o nome Dario Messer. O doleiro já acusou a família Marinho, dona da Rede Globo, de receber propina dele em dólar.
Sem encontrar a brecha para o ataque à Globo durante a entrevista ou porque não houve a necessidade de citar o doleiro, a imagem da palavra em sua mão, claramente visível a todos, já cumpriu o objetivo de Bolsonaro de trazer à tona a polêmica da qual ele estava disposto a falar.
Novo documentário do Jornal GGN denuncia ameaça de golpe eleitoral de Bolsonaro e os esquemas da ultradireita mundial. Apoie o lançamento: WWW.CATARSE.ME/XADREZ-ULTRADIREITA
Deixe um comentário