Ciro, o Peter Pan da política brasileira
por Francisco Celso Calmon
Ele não cresce e insiste acreditar que construirá a terra do nunca, na qual será o Barba Negra, um manda chuva do país.
Ciro vive de sonhos e abstrações com impulso autocrático.
Provocar conflito entre o Congresso e o povo é o método imaginado para compensar a falta de apoio político e alianças em sua improvável governabilidade; método que não deve ser confundido com os usos de instrumentos de participação direta do povo, via plebiscito, referendo, iniciativas populares, que requerem precondições para validade e operacionalidade.
Seu raciocínio cartesiano já não causa admiração, não empolga o povo, apenas um comportamento muito indulgente do Bonner da Globo, afinal, Globo é sempre Globo, antipovo, antipetista.
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Ciro abusou de falsos silogismos. Tem imaginação fértil.
Mas o Brasil não é o Ceará. Governar o país exige habilidade política e alianças partidárias.
Seu lugar é na cátedra e na consultoria. Porque para governar uma nação é mister a mediação da politica na luta dos interesses contrários de uma sociedade.
Sem fuga, Ciro, esqueça Paris, ajude o Brasil a sair do inferno bolsonarista, vote por quem mais fez pelos necessitados, sem abstrair os erros, eleja Lula.
Até a deserção de 2018 pode ser perdoada mediante arrependimento e contrição sinceras.
O que é imperdoável e acinte à sua inteligência é comparar Lula ao genocida do planalto.
A polarização é real e não é produto de subjetivismos, de vontades, é produto da dialética de nossa história recente, aquela iniciada pelo Aécio pregando o inferno para o governo Dilma, aquela que com STF e tudo mais ocasionaram o golpe de 2016.
A história da não-resistência é que pode ser adjetivada como odienta, na qual você fez parte.
Quando com o passar dos anos o isolamento cresce, é sinal de que já passou da hora de rever o seu personalismo, a sua autoidolatria, o seu complexo de superioridade, pois não encontrará pixum, a pedra preciosa que concentra o pó de fada, para resolver os problemas reais do país, com a sua história e realidade concretas, das quais não haverá abstração que o levará a terra do nunca.
Francisco Celso Calmon, coordenador do canal pororoca e ex-coordenador nacional da Rede Brasil – Memória, Verdade e Justiça
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Bruno
26 de agosto de 2022 9:50 amExatamente texto. Ciro aparentemente vive outra realidade.