Por Ícaro Brum*
Em entrevista exclusiva ao GGN, na noite de quarta-feira (31), o vereador do Rio de Janeiro e candidato a deputado federal, Chico Alencar (PSOL), defendeu a habilidade do ex-presidente Lula (PT) em lidar com o chamado “Centrão”, e apostou que o petista terá jogo de cintura para negociar com o bloco e garantir governabilidade, em eventual vitória na eleição de 2022.
“Muitos deputados do Centrão, aquele Centrão boa praça, pragmático, que precisa manter mandatos pela imunidade [parlamentar], não tenha dúvida que o Centrão vai apoiar Lula, se ele se tornar presidente.”
Alencar lembrou que habilidade de negociar pode ser vital para um governo, ao citar o caso de Dilma Rousseff. A sucessora de Lula na presidência não cedeu ao Centrão e sofreu o processo de impeachment em 2016, como consequência da “rigidez” da petista nas tratativas com os deputados do bloco. Para Alencar, ela foi “golpeada até pelos seus méritos”.
“Eles reclamaram que com a Dilma não tinha jogo, ela não deu o fundo de real grandeza, Furnas, pro [Eduardo] Cunha, e jogou duro na Petrobras. (…) A política brasileira é um caleidoscópio. Quem quiser examinar com racionalidade, vai ficar encrencado.”
Relação com limites
Por outro lado, Chico Alencar alertou para os perigos das negociações nos bastidores e defendeu que sejam feitos acordos e negociações dentro do interesse público e da ética política. Ele ressaltou o poder da mobilização popular em torno das propostas importantes para o País que possam enfrentar resistência no Congresso.
“Lula tem uma habilidade enorme. O desafio é negociar, fazer acordos sem ultrapassar fronteiras da ética pública, do interesse público, sem conceder demais ao fisiologismo. Em algum grau, sempre se acaba cedendo, mas para isso é preciso mobilizar as forças sociais de mudança” quando houver “propostas não republicanas”.
Orçamento secreto
Para Alencar, manter a mesma estratégia de Jair Bolsonaro (PL) – ou seja, fazer concessões extravagantes em nome da governabilidade – não funcionará. O atual presidente cedeu ao Centrão e deixou claro que os discursos eleitorais de 2018 contra a corrupção e a anunciação do fim da “mamata” foram apenas palavras vazias sem continuidade no poder.
“Se ficar só nos acordos dos bastidores palacianos, aí tá lascado, não avança, é o mesmo esquema ao qual Bolsonaro – o ‘Valentão’ que ia acabar com as mamatas, e ainda diz que tem um ministério técnico para enganar trouxas – ele cedeu ao Centrão. Ele é hoje – aliás, já disse que sempre foi – do Centrão.”
Assista:
Ícaro Brum é estagiário em jornalismo no Jornal GGN, sob supervisão de Cintia Alves
José de Almeida Bispo
1 de setembro de 2022 5:37 pmCargo nunca foi poder; mas a monetização dele ou que ele se pode fazer.
Jamais a política andará em paralelo com o dinheiro; sempre serão complementares. A negação disso só leva a desastre. E corrupção. Na tentativa de desvincular um do outro acaba se enveredando por caminhos tortuosos, com choro e ranger de dentes.