A área de alertas de desmatamento na Amazônia cresceu 81% em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo 1.661 km2, segundo dados registrados pelo sistema Deter-B, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Com isso, este foi o segundo pior agosto da série histórica, quase empatado com 2019, primeiro ano de mandato de Jair Bolsonaro (PL), que registrou 1.714 km2.
E os dados também impulsionam os números de desmatamento para 2023, uma vez que a destruição da Amazônia é mensurado pelo Inpe de agosto de um ano a julho do ano seguinte.
Ao mesmo tempo, o desmatamento no Cerrado no mês ficou quase empatado com o ano passado ao oscilar 3,5% para cima, com 409 km2. É o segundo maior da série histórica iniciada em 2018.
Queimadas voltaram com força
Assim como o desmatamento subiu, os dados de queimadas também avançaram no mês passado: segundo o Inpe, o total de focos registrados em agosto (33.116) foi 7% maior do que no mesmo mês de 2019.
Além disso, a área queimada ao longo do mês foi de 24.066 km2, um aumento de 30% em relação ao ano passado e a segunda maior desde a seca recorde de 2010 (perdendo apenas para 2019, primeiro ano de mandato de Bolsonaro).
Em setembro, o número de focos de queimada detectados já é 21% maior do que o de todo o mês de setembro do ano passado. Vale lembrar que o Ibama executou até 5 de setembro apenas 37% do orçamento disponível para prevenção e controle de fogo.
“Bolsonaro pode sair do governo, mas deixa de herança para seu sucessor uma crise ambiental na Amazônia como não se via desde os anos 1990 e uma crise social sem precedentes”, afirma Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, em nota.
“O crime organizado dominou a região, e a liberação de armas para civis torna muito mais perigosa a tarefa de retomar a fiscalização e o controle do desmatamento”, ressaltou.
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