A diferença entre Lula e Jair Bolsonaro caiu na pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira (14). Faltando 18 dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, Lula caiu dois pontos percentuais, ainda na margem de erro, com 42%, e Jair Bolsonaro manteve 34%.
Apesar de a oscilação estar dentro da margem de erro, a diferença entre Lula e Bolsonaro agora é de 8 pontos percentuais. “É mais provável que a eleição não termine no primeiro turno”, concluiu Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Razões
Para o cientista político e diretor da Quaest, o resultado encontra explicação em alguns sub-grupos de eleitores, como na região Sul do país, onde Lula obtém 33% e Jair Bolsonaro 45%; e entre homens, que agora dão empate aos candidatos.
Outro fator decisivo para a queda geral de Lula foi entre o público de renda média. O ex-presidente caiu de 42% para 37% entre aqueles que recebem de 2 a 5 salários mínimos.

Parte dessa mudança reflete na percepção desse segmento sobre a melhora no preço dos alimentos no último mês. Caíram 5 pontos percentuais (68%) os eleitores dessa faixa de renda que afirmam que o preço dos alimentos não melhorou e aumentou 7 pontos (30%) os que afirmam que sim.
O que beneficiou Lula
Já o programa Auxílio Brasil, como antecipado pelo GGN, não vem se consolidando como puxador de votos como esperava a campanha de Jair Bolsonaro. Esse público dá vitória a Lula.
“Em compensação, vai ficando cada vez mais claro o impacto eleitoral nulo do Auxílio Brasil. A distância entre Lula e Bolsonaro entre quem recebe o Auxílio se mantém próximo dos 25 pts”, escreveu o cientista político.
Também aparece como um sinal positivo para o candidato do PT é o público evangélico, que parou de oscilar positivamente a favor de Bolsonaro, caindo inclusive dois pontos percentuais desse seu eleitorado.
Economia mudando o jogo
Por outro lado, fator determinante para esse resultado eleitorado de Jair Bolsonaro é a sua imagem junto ao governo, sobretudo em fatores econômicos.
Caiu em 1 ponto a avaliação negativa do governo (38%), também diminuiu em 4 pontos a percepção de piora na economia brasileira (44%) e melhorou a expectativa sobre a economia no próximo ano (70% acreditam que vai melhorar).
“Nesse ambiente econômico positivo, os sentimentos e as percepções do eleitorado sobre esta disputa também começam apontar para um cenário bem mais competitivo no dia 2/10”, escreveu o especialista.
Nesse sentido, também aumentou em 3 pontos os que acham que Jair Bolsonaro “está fazendo o que pode” para resolver os problemas do país.
Segundo turno
A queda na diferença de intenções de voto entre Lula e Bolsonaro também ocorre no segundo turno: 8 pontos percentuais, a menor até agora registrada pelo Instituto.
“Tudo o que vimos até aqui sugere que é mais provável que a eleição não termine no primeiro turno. Na simulação de um eventual segundo turno, Lula teria 48% e Bolsonaro 40%, a menor distância desde que começamos a medir essa variável.”
Uma das explicações encontradas pelo pesquisador, que considera este talvez “o dado mais importante de toda a pesquisa”, é que diminuiu o eleitorado de Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB) que dizem votar em Lula no segundo turno.
“Essa mudança de postura sugere que a campanha do PT terá que trabalhar ainda mais para tentar convencer o eleitor do voto útil para finalizar a eleição já no primeiro turno. Levar a disputa adiante pode ser perigoso para Lula”, concluiu.
A pesquisa ouviu 2 mil pessoas, entre os dias 10 e 13 de setembro, e tem uma margem de erro de 2 pontos percentuais.
AMBAR
14 de setembro de 2022 2:59 pmQuem lê notícias todos os dias e busca manter-se informado, tem que ter infinita paciência e nenhum nervo. Se ontem Lula ganhava no primeiro turno, hoje ele vai para o segundo. Se antes de ontem ele perdeu a vantagem sobre seu adversário em mais de 3%, ontem ele recuperou 5%. O que a mídia quer é o nosso fígado.