24 de julho de 2026

Zé Dirceu: “Ainda bem que o povo reclama e quer prosperar. Nós temos que disputar as causas e as soluções”

À TV GGN, Zé Dirceu diz que desejo de ascensão do povo é legítimo e cobra respostas da esquerda às mudanças no trabalho
O ex-ministro Zé Dirceu em entrevista ao jornalista Luis Nassif, no programa TVGGN 20 Horas, da TV GGN.

A busca por melhores condições de vida, consumo e lazer pela população não deve ser recebida com incômodo ou cobrança pela esquerda, mas sim como o verdadeiro motor para a disputa ideológica no país. O diagnóstico foi feito pelo ex-ministro Zé Dirceu durante participação no programa TVGGN 20 Horas, conduzido pelo jornalista Luis Nassif na última terça-feira [confira abaixo].

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Ao rebater a postura de quem se frustra quando a população beneficiada por políticas sociais cobra ainda mais do governo, Dirceu enfatizou que o desejo de ascensão é legítimo. A diferença, segundo ele, está na resposta que se dá a essa demanda: enquanto a direita vende a ilusão do “empreendedorismo sem direitos” e culpa o Estado, a esquerda precisa disputar as soluções reais, garantindo proteção social e formas de organização para o trabalho autônomo.

“Nunca devemos colocar: ‘Pô, mas o Lula fez tanto e o pessoal reclama’. Ainda bem que o povo reclama e quer prosperar! Quer dizer que o pessoal quer melhorar as condições de vida, quer prosperar. Nós não temos que ser contra que as pessoas queiram prosperar — pelo contrário, temos que falar: ‘Não, tá certo, tem que lutar’. Agora, nós temos que disputar as causas e as soluções.”

A ilusão do “Uber empreendedor” e a busca por direitos

Para o ex-ministro, a narrativa promovida pela direita de que o trabalhador por aplicativo é um “empresário de si mesmo” cai por terra na primeira jornada de trabalho. É a própria rotina exaustiva de entregadores e motoristas que desmascara a ilusão do empreendedorismo sem direitos, expondo na prática a necessidade premente de amparo social.

“Essa ideia de querer vender que o cara do Uber é um empreendedor e tudo isso, isso aí não pega. Você tem que ter formas de organização que são diferentes dos sindicatos tradicionais.”

“O problema todo é como equacionar os direitos. Se você olhar o motoboy hoje, e já é generalizado entre eles, eles querem o mínimo por quilômetro quadrado, que é o piso salarial. Já estão preocupados com a previdência, porque já faz 7, 8, 10 anos que estão nisso e já têm filhos. Estão preocupados com a saúde, porque tem acidentes, a mulher fica grávida. E trabalhar 8, 12, 14 horas significa que você vai viver 10, 15 anos a menos.”

O PT entendeu essa nova classe trabalhadora?

Questionado diretamente pelo jornalista Luis Nassif sobre se a esquerda e o Partido dos Trabalhadores têm clareza sobre essa mudança estrutural e as novas formas de organização, como o cooperativismo, Dirceu afirmou que o diagnóstico vem sendo assimilado no dia a dia, mas exige aprendizado constante na prática social.

“Temos clareza. Aos poucos fomos pela prática, pela vida real, com a vivência, fomos percebendo. Cada dia entende mais e mais. Inclusive a juventude. Hoje tem uma juventude no Brasil que tem celular, tem moto, compra roupa, quer lazer, quer fim de semana para descansar, quer estudar, quer ter acesso à tecnologia — e o governo tem que se dirigir para isso.”

Ao resgatar os movimentos históricos de organização das categorias terceirizadas nas décadas de 1980 e 1990, o ex-ministro rebateu o discurso conservador de que as lutas de classes desapareceram. Contudo, advertiu que tanto o PT quanto o movimento sindical precisam passar por uma autorreforma urgente para não serem atropelados pelo ritmo da história.

“Essa ideia de que os motoboys, que o pessoal do Uber vai aceitar isso para sempre e não vai haver luta… isso não existe! A direita fica pondo que não existe mais classe trabalhadora. (…) Mas isso depende de uma autorreforma nossa, começando pelo PT. Nós temos que mudar. O mundo é outro, o Brasil é outro, a juventude é outra, tá tudo mudando. Os partidos têm que mudar. Cadê o MDB? Cadê o PSDB? A roda da história vai girando. Se você não acompanha e não estuda a realidade, é engolido. Nada como andar pelo país para compreender o país e ter humildade para aprender.”

Assista ao corte na TV GGN:

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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1 Comentário
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  1. OoutroZÉpomto

    23 de julho de 2026 4:09 pm

    Esse zé é o dito revolucionario do pacto do.acirdo.ejntre as elites politicas,emoresariais,sociais e etc???Aff !!!FALHOU!!!Tomou goloe foi preso e etc…Seu.tempo de protagonista já passou,tem boas ideia mas saiu da cadeia do nada pregando acordo pacto e quem vive tomando na cabeça é dilmalulapt aff INCESSANTEMENTE os bilionários mimados querem destruir a todos e isso num contexto de setor financeiro e cokgresso com as chaves dos.cofres públicos nadando em um oceani de dinheiro aff e intimifando as instâncias mais altas e superiotes do judiciario brasileiri aff !!!

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