23 de setembro de 2026

Super El Niño pode provocar 451 mil mortes por calor até fevereiro

Estudo do Climate Impact Lab projeta 13,3 mil mortes adicionais no Brasil até fevereiro de 2027; onda de calor antecipa condições estimadas para décadas futuras
Crédito: Tânia Rego/ Agência Brasil

O Super El Niño pode causar 451 mil mortes extras por calor entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, alerta estudo.
Países do Sul Global, como Nigéria, Brasil e Índia, concentram maior parte das mortes relacionadas ao calor previstas.
Fenômeno antecipa condições climáticas futuras e indica necessidade de medidas para reduzir mortes por calor extremo.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

O atual episódio de Super El Niño pode provocar cerca de 451 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre junho de 2026 e fevereiro de 2027, em comparação com o que seria esperado em um ano considerado normal. A estimativa é do Climate Impact Lab, ligado à Universidade de Chicago, que alerta para uma elevação excepcional das temperaturas nos próximos meses.

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Segundo o estudo, as temperaturas médias sobre as áreas terrestres do planeta devem ficar aproximadamente 1,2°C acima do normal durante o período, em grande parte devido ao atual El Niño, iniciado em junho. O fenômeno deverá produzir 44% mais dias de calor extremo do que seria esperado em um ano normal.

A projeção de 451 mil mortes corresponde aos nove primeiros meses do episódio, de junho de 2026 a fevereiro de 2027. Para os seis meses entre setembro e fevereiro, o estudo estima 239 mil mortes adicionais, com margem de incerteza de aproximadamente 11 mil mortes. Os números são projeções e não representam mortes já registradas.

O cálculo compara a mortalidade esperada durante o atual episódio de El Niño com a observada ou projetada para os mesmos meses em um ano considerado normal, usando como referência o período de 1996 a 2025.

Calor deve atingir principalmente o Sul Global

Os pesquisadores estimam que os países do Sul Global concentrem parte significativa das mortes adicionais previstas para os próximos seis meses. Na região do Sahel, na África, Nigéria, Sudão, Níger e Chade podem registrar conjuntamente 66,8 mil mortes adicionais relacionadas ao calor entre setembro de 2026 e fevereiro de 2027.

A Nigéria concentra a maior estimativa individual, com 31,4 mil mortes adicionais no período, seguida por Sudão, com 17,5 mil; Níger, com 10 mil; e Chade, com 8 mil.

No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja podem registrar conjuntamente outras 19,4 mil mortes adicionais. Para a Indonésia, a projeção chega a 19,3 mil.

O Brasil aparece entre os países com maior número projetado de mortes adicionais nos próximos seis meses. O estudo estima 13,3 mil mortes relacionadas ao calor acima do nível esperado em um ano normal. A Índia aparece com 15,8 mil.

O calendário também importa. Entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027, o Climate Impact Lab projeta 8 mil mortes adicionais no Brasil, contra 7,4 mil na Índia. Para Nigéria e Indonésia, as estimativas são de 15,4 mil e 10,4 mil, respectivamente.

Fenômeno antecipa temperaturas do futuro

Para os pesquisadores, o episódio atual funciona como uma espécie de antecipação das condições climáticas que deverão se tornar mais frequentes nas próximas décadas. O estudo calcula que as temperaturas provocadas pelo Super El Niño se aproximem das condições que os modelos climáticos projetam para daqui a cerca de 20 anos.

O fenômeno, portanto, oferece uma oportunidade para observar os efeitos da elevação das temperaturas antes que essas condições se tornem mais comuns. Segundo o Climate Impact Lab, os resultados também mostram que existe uma janela de ação para reduzir parte das mortes projetadas por meio de medidas de adaptação.

Entre as medidas apontadas estão sistemas de alerta para ondas de calor, ampliação do acesso à água e a espaços de resfriamento, proteção para trabalhadores expostos ao calor, atendimento direcionado às populações vulneráveis e reforço da capacidade dos sistemas de saúde.

A pesquisa utiliza relações entre temperatura e mortalidade calculadas para 24.378 regiões do mundo. Os pesquisadores cruzaram essas informações com previsões sazonais de temperatura do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

O modelo considera diferenças locais de clima, vulnerabilidade e capacidade de adaptação e calcula a variação esperada da mortalidade relacionada à temperatura em comparação com a média de 1996 a 2025. Os autores ressaltam que as projeções carregam incertezas relacionadas tanto às previsões climáticas quanto à estimativa da relação entre temperatura e mortalidade.

O Climate Impact Lab afirma ainda que as projeções deverão ser atualizadas conforme novas previsões climáticas forem disponibilizadas. Como o El Niño pode permanecer ativo até a primavera de 2027 no Hemisfério Norte, os pesquisadores esperam que a estimativa de mortes adicionais aumente à medida que o horizonte de previsão seja ampliado.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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