Porchat fura a bolha, por Ricardo Mezavila
O vídeo que o Artista, com A maiúsculo, Fábio Porchat, fez desnudando verdades sobre o caso do Banco Master com a Igreja da Lagoinha, atingiu o Top 1 no Youtube.
Não foi apenas o humor que levou milhões a assistir e compartilhar. Foi a coragem de dizer em voz alta o que muitos já percebiam, mas calavam por conveniência, medo ou interesses.
Porchat juntou os fatos e mostrou, de forma clara e acessível, como o entrelaçamento entre poder religioso, negócios e política pode encobrir prejuízos para a população. E foi além: apontou nomes e laços que muita gente preferia manter no escuro.
Um dos momentos mais impactantes é quando ele traz à luz a relação íntima entre o senador Flávio Bolsonaro e o núcleo desse esquema. As próprias mensagens mostram: Flávio Bolsonaro tratando Vorcaro, dono do Banco Master, de “irmãozão”, — a ponto de pedir ao banqueiro milhões em recursos para financiar um filme sobre seu pai condenado.
Porchat não inventa: mostra que quem se apresentava como opositor dos desmandos era, na verdade, parte da família que se beneficiava deles. O mais impressionante é que ele quebrou a parede que separa os bastidores do povo.
Assuntos tão graves costumam ficar só entre especialistas, num linguajar que ninguém entende. Dessa vez foi diferente: o tema chegou às salas, às redes e às conversas, até no STF, em todo lugar. Mostrou que o público sim quer saber o que está por trás das notícias — basta falar de forma clara, sem enrolação.
A reação que veio depois também revela muito. Enquanto milhões aprovaram e agradeceram, vozes ligadas aos envolvidos tentaram desqualificar a fala, como se apenas quem tem cargo ou título tivesse direito de questionar.
Chamar alguém de “irmãozão” não inocenta ninguém; antes, exige explicação. Furar a bolha é só o primeiro passo. O importante é não deixar que ela se feche de novo.
A atitude de Fábio Porchat devia ser seguida por outros artistas que também têm reconhecimento público. Mas é preciso ser um Artista acima de tudo, com a responsabilidade de se posicionar para além do que sua arte alcança, é preciso se sentir parte do coletivo de uma sociedade que não apenas consome, mas que espera engajamento nas causas de interesse daqueles que não têm voz.
Ricardo Mezavila é cientista político.
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