4 de junho de 2026

Immanuel Wallerstein: As Consequências Mundiais da Vitória de Dilma Rousseff

Immanuel Wallerstein: as consequências mundiais da vitória de Dilma Rousseff

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Intelectual ressalta o papel do Brasil na construção de instituições latino e sul-americanas, o que manteve os EUA e seu poder mais distantes da região

Por Immanuel Wallerstein, em seu site | Tradução: Vinicius Gomes

Em 26 de outubro, a presidenta do Brasil Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), foi reeleita no segundo turno por uma estreita margem contra Aécio Neves, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB). Apesar do nome do PSDB, esse foi um claro embate entre esquerda-direita, onde os eleitores votaram – de maneira genérica – de acordo com sua classe social, apesar de os programas de governo dos dois partidos serem, em muitas frentes, mais centristas do que de esquerda ou direita.

Para compreender o que isso significa, nós precisamos analisar as particularidades políticas do Brasil, que em muitos aspectos estão muito mais próximas da Europa Ocidental e da América do Norte do que qualquer outro país do Sul Global. Como os países do Norte, os confrontos eleitorais acabam, no fim, se tornando uma batalha entre um partido de centro-esquerda e um partido de centro-direita. As eleições são regulares e os eleitores tendem a votar de acordo com os interesses de sua classe, apesar das políticas de centro dos dois principais partidos que geralmente se alternam no poder. O resultado é a constante insatisfação dos eleitores com o “seus” partidos e constantes tentativas das verdadeiras esquerda ou direita para forçarem políticas em suas direções.

Como esses grupos de esquerda e direita perseguem seus objetivos dependem um pouco da estrutura formal das eleições. Muitos países têm um sistema de fato de dois turnos. Isso permite que a esquerda e a direita escolham seus próprios candidatos no primeiro turno e então votem no candidato dos principais partidos no segundo. A maior exceção a esse sistema de dois turnos são os EUA, que forçam a esquerda e a direita a entrarem nos principais partidos e depois passem a lutar de dentro (com as primárias).

O Brasil possui um traço excepcional: enquanto em todos esses países os políticos mudam de partido de tempos em tempos, na maioria dos países estes formam um pequeno grupo. No Brasil, tal mudança de partido é virtualmente uma ocorrência cotidiana na legislatura nacional, isso força os principais partidos a gastar enormes quantidades de energia em reestruturar alianças constantemente e corresponde a uma maior visibilidade em corrupção.

Nessa eleição, o PT estava sofrendo de grande desilusão de seus eleitores. A candidata Marina Silva tentou oferecer uma terceira via. Ela era conhecida por três características: ambientalista, evangélica e uma “não-branca” de origem muito pobre. No começo, ela pareceu decolar. Mas enquanto começava a propor um programa muito neoliberal, sua popularidade entrou em colapso e os eleitores se voltaram para Aécio Neves, um direitista mais tradicional.

As desilusões com o PT eram principalmente sobre sua falha em cortar relações estruturais com a ortodoxia econômica, além do fracasso em cumprir suas promessas sobre reforma agrária, preocupações ambientais e a defesa dos direitos dos povos indígenas. Ele também reprimiu demonstrações populares de movimentos de esquerda, notoriamente os de junho de 2013. Apesar disso, os movimentos sociais da esquerda uniram forças de maneira muito forte com o partido no segundo turno.

Por que? Por conta das mudanças positivas de 12 anos de governos do PT. Primeiramente, havia a grande expansão do programa Bolsa Família, que paga subsídios mensais ao mais pobres da população brasileira – que tiveram melhoras significativas em suas vidas. Em seguida, e pouco mencionado na imprensa ocidental, havia o enorme sucesso do Brasil em sua política externa – seu enorme papel na construção de instituições latino e sul-americanas que manteve longe o poder dos EUA na região. A esquerda tinha certeza que Neves iria reduzir as políticas de bem estar social do PT e se aliar novamente aos EUA no cenário internacional. A esquerda do Brasil votou por esses dois pontos positivos, apesar de todos os pontos negativos.

No mesmo final de semana, ocorreram três grandes eleições no mundo: Uruguai, Ucrânia e Tunísia. A eleição no Uruguai foi bem similar à brasileira. Era o primeiro turno e o partido de situação no poder desde 2004, a Frente Ampla, tem como candidato Tabaré Vázquez. Esse partido é bem amplo – indo de centro-esquerdistas para comunistas a ex-guerrilheiros. Vásquez encarou um clássico candidato de direita, Luis Lacalle Pou do Partido Nacional, mas também Pedro Bordaberry do Partido Colorado, um dos dois partidos que governaram o país de maneira repressiva por mais de meio século.

No primeiro turno, Vázquez conseguiu 46,5%, enquanto Lacalle contou com 31%, ou seja, não o suficiente para não haver o segundo turno. Bordaberry, que teve cerca de 13%, anunciou seu apoio a Lacalle, mas é provável que Vázquez vença por conta, mais ou menos, das mesmas razões que levaram Dilma Rousseff à vitória. Além disso, ao contrário do Brasil, seu partido possui o controle do Legislativo uruguaio, assim sendo, o Uruguai também reafirmará o esforço para construir uma estrutura geopolítica autônoma na América Latina.

O caso da Ucrânia é totalmente diferente. Longe de estar estruturada em um embate de esquerda-direita com dois partidos centrais tentando vencer as eleições, a política na Ucrânia tem agora como base uma divisão regional etnico-linguística. Nessas eleições, o governo pró-Ocidente realizou eleições excluindo qualquer participação dos supostos movimentos separatistas do leste da Ucrânia. Estes, então, boicotaram as eleições e anunciaram que manteriam suas administrações regionais autônomas. Na capital Kiev, parece que aqueles que agora governam: o presidente Petro Poroshenko aliado a seu rival, o primeiro-ministro Arseniy Yatsenyuk, irão se manter no poder, excluindo o verdadeiro ultranacionalista Setor Direito de qualquer papel.

Finalmente, na Tunísia o que ocorreu foi bem diferente. A Tunísia foi vista como a propulsora da chamada Primavera Árabe e hoje, parece ser sua única remanescente. Ennahda, o partido islâmico que venceu as primeiras eleições, perdeu consideravelmente sua força ao correr atrás de um programa de islamização da política tunisiana. Acabaram forçados, alguns meses atrás, a dar lugar a um governo interino tecnocrata e perdeu muitos eleitores (até mesmo de islamitas) na segunda eleição.

O partido vencedor foi Nadaa Tunis (O Chamado da Tunísia). Suas políticas são de certa maneira claras: é um partido secular. Seu líder é venerado político de 88 anos chamado Beji Caid Essebsi, que serviu nos governos Destourian que governou o país após a independência até que por fim se tornou um grande dissidente. Seu problema é manter unido a coalizão que conta com enormes variedades de forças secularistas – principalmente os jovens que lideraram o levante contra o presidente Zine el Abidine Bem Ali, em 2011, e diversos membros daquele governo que agora retornaram à arena política.

De qualquer maneira, Nadaa Tunis conta com 85 assentos parlamentares dos 217, enquanto o Ennahda foi reduzido a 69, sendo que os outros estão espalhados entre partidos menores. Será necessário um governo de coalizão, envolvendo praticamente todos os partidos. Então, enquanto os jovens revolucionários da Tunísia estão celebrando a vitória contra o Ennahda, ninguém sabe ao certo aonde isso terminará.

Eu digo “urra!” para o Brasil, onde aconteceu a mais importante dessas quatro eleições. Mas lá, assim em como em outros lugares, o jogo ainda não terminou. Não mesmo!

Foto de Capa: Reprodução

http://www.revistaforum.com.br/blog/2014/11/immanuel-wallerstein-consequencias-mundias-da-vitoria-de-dilma-rousseff/

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  1. sergio m pinto

    3 de novembro de 2014 9:28 pm

    Só acho que há um engano

    Só acho que há um engano nessa matéria – a repressão dos movimentos de junho de 2013 pelo PT. De resto, é o que estamos vendo.

    1. Frederico69

      4 de novembro de 2014 1:32 pm

      não só você

      acho que todo mundo esclarecido concorda contigo.

  2. jns

    3 de novembro de 2014 9:38 pm

    Fora da órbita americana

     

    Brasil investe em cabo de Internet para evitar a vigilância da NSA

    Kathleen Caulderwood  | 01/11/14

    O Brasil está instalando um cabo através do Atlântico para escapar do alcance da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA).

    “Dilma discursando durante aberturada 68ª Assembleia das Nações Unidas” – Foto: Roberto Stuckert Filho/PR, disponível em http://fotospublicas.com

    Esta operação é uma das muitas maneiras que o governo brasileiro está quebrando os laços com as empresas de tecnologia americanas – mas não sairá barato.

    O cabo de fibra óptica de 3.500 quilômetros vai ser esticado a partir de Fortaleza para Portugal, com um custo estimado de US $ 185 milhões, informou a Bloomberg.  

    É claro, nada disso vai para os fornecedores americanos.

    No ano passado, Edward Snowden vazou documentos que mostraram que a NSA estava acessando informações pessoais de cidadãos brasileiros, inclusive ouvindo telefonemas da presidente Dilma Rousseff, das suas embaixadas e da companhia petrolífera estatal Petrobras.

    “Como muitos outros latino-americanos, eu lutei contra o autoritarismo e a censura e não posso deixar de defender, de forma intransigente, o direito à privacidade dos indivíduos e da soberania do meu país”, disse Dilma Rousseff   na ONU  que ano.

    “Os argumentos de que a interceptação ilegal de dados e informações visa proteger as nações contra o terrorismo não pode ser sustentado. O Brasil, Sr. Presidente, sabe como se proteger. Rejeitamos, lutamos e não abrigamos grupos terroristas “, disse ela.

    Conforme declarou a Presidente Dilma, “Sem o direito à privacidade não há verdadeira liberdade de opinião e não há democracia. (…) Não se sustentam argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo”. Voltando-se a Barack Obama, completou dizendo que “o Brasil, senhor presidente, sabe proteger-se. O Brasil, senhor presidente, repudia, combate e não dá abrigo a grupos terroristas”. Este discurso, cabe ressaltar, foi aplaudido por Snowden, delator das ações ilegais da NSA. Em entrevista, disse Snowden: “foi um discurso incrível, porque ela (Dilma) foi a primeira presidente que tomou a liderança para dizer ‘Temos o direito de falar, de nos comunicarmos sem sermos espionados’. E esses não são direitos de um país. São direitos humanos. Não há justificativa para espionar a Petrobras. Por que o presidente americano quer ler os e-mails da Dilma Rousseff? Obama disse que não sabia.

    rousseff

    Dilma Rousseff do Brasil olha pela janela de um avião da Força Aérea Brasileira, ao deixar o Palácio da Alvorada, em Brasília, no dia 29 de outubro de 2014. Reuters / Ueslei Marcelino

    O Brasil já mudou seu sistema de e-mail dominante do Microsoft Outlook para uma plataforma desenvolvida pelo Estado chamado Expresso, e em novembro passado exigiu que todos os órgãos do governo usem empresas estatais para os seus serviços de tecnologia.

    O Brasil é a sétimo maior economia do mundo e as empresas americanas poderiam perder até US $ 35 bilhões em receita nos próximos dois anos, enquanto os compradores possam duvidar da segurança de suas conexões, de acordo com o grupo de pesquisa Tecnologia da Informação & Innovation Foundation.

    O cabo está previsto para ser construído no início de 2015, supervisionado pela empresa estatal Telecomunicações Brasileiras SA, conhecida como a Telebrás.

    Informações:

    http://www.ibtimes.com/brazil-builds-internet-cable-portugal-avoid-nsa-surveillance-1717417

    https://onial.wordpress.com/author/onialufsc/

  3. CB

    3 de novembro de 2014 10:36 pm

    “Ele também reprimiu

    “Ele também reprimiu demonstrações populares de movimentos de esquerda, notoriamente os de junho de 2013. ” Parei por aí.

    1. irala

      4 de novembro de 2014 12:31 am

      Também quase parei…

      Também quase parei quando li essa parte, mas consegui chegar até o fim. Bem no finzinho, uma ameaça de que o jogo ainda não terminou. Acho que vi esse filme… 

  4. NICKNAME

    3 de novembro de 2014 11:44 pm

    A. Ateu, maravilha de contribuição !

    A. Ateu, maravilha de contribuição !

  5. Ricardo CP

    3 de novembro de 2014 11:49 pm

    EUA se tornam bolivarianos!

    EUA se tornam bolivarianos! Vejam:

    http://osamigosdopresidentelula.blogspot.com.br/2014/11/bolivarianismo-invade-os-eua-146.html

  6. valter r vidal

    3 de novembro de 2014 11:51 pm

    sério?

    Vão trazer consequências mundiais a eleição da Dilma? Fanatismo não tem limites mesmo. rsrs

     

    1. Alexandre VI

      4 de novembro de 2014 12:57 am

      AA – MA

      deve estar se contendo…

  7. christiane marques

    4 de novembro de 2014 1:23 am

    Parabens ao Walertein sobre a

    Parabens ao Walertein sobre a analise politica.  Imanuel tem muitas analises historicas sobre ciclos de crises do capitalismo e  globalizacao.

  8. Lidia Zorrilla

    4 de novembro de 2014 1:34 am

    outro engano

    Em Uruguai, o partido Colorado foi o que desenvolveu a socialdemocracia na primeira metade do século XX. Depois, foi se transmutando até o que é hoje, conservando igual só o nome.

  9. Alex4499

    4 de novembro de 2014 1:36 am

    O Brasil passou por um

    O Brasil passou por um momento de crescimento de importância no cenário mundial, mas não conseguiu sustentar a tendência, e já há um bom tempo se encontra em declínio. Culpa de uma política internacional falha, uma diplpmacia fraca e uma economia pífia.

  10. Gilson AS

    4 de novembro de 2014 1:39 am

    “Ele( PT) também reprimiu

    “Ele( PT) também reprimiu demonstrações populares de movimentos de esquerda, notoriamente os de junho de 2013. Apesar disso, os movimentos sociais da esquerda uniram forças de maneira muito forte com o partido no segundo turno.”

    Êpa, êpa, êpa !

    Péra lá cidadão.

    O PT não reprimiu movimento nenhum.

    A segurança coube às PMs dos estados.

    Quando houve a quebradeira nas agência do Banco Itau, as PM estaduais é que metinham a  porrada nos blacks bostas.

    Tire o PT dessa.

     

     

    1. ana s.

      4 de novembro de 2014 5:49 am

      Pois é, Gilson!

      Essa história do PT reprimindo as manifestações de 2013 ficou para o mundo! Venho chamando atenção pra isso faz tempo, inclusive no blog daquele correspondente do LA Times, Vincent Bevins. Mas a gringada é impermeável à informação de que a violência em SP, MG e RJ veio da polícia militar tucana e peemedebista, ou seja, da oposição oficial e da oposição disfarçada. Em Brasília, por exemplo, a coisa correu tão solta que quase invadiram o Itamaraty.

  11. joao

    4 de novembro de 2014 2:24 am

    as formas reprimir e o PT.
     

    Significado de Reprimir

    Controlar o ato ou a movimentação de; conter ou suster: reprimir a evolução. 
    “Permanecer escondido; não demonstrar; guardar: reprimir uma paixão.
    Conter (algo ou alguém) através de ameaças e/ou punição; proibir: reprimiu os movimentos populares.
    Instituir castigo; punir: reprimir os transgressores dos bons costumes. 
    Jurídico. Controlar, manter, penalizar ou combater através de uma ação penalizadora. 
    v.pron. Guardar para si mesmo; dominar-se: reprimiu-se ao falar daquele assunto.” da web fraquinho

    Aqui foi claro a reação dos apoiadores a reprimir.

    chamar a policia

    e não podemos perder a memoria para não cair no erro novamente.

    revejam os arquivos da época aqui e na web. 

    O PT não apoiou e nenhum partido ou organização representativa. Só a mídia e depois recuou.

    “A intenção real é evidente: a partir dos temas genéricos explorados nas manifestações e justificados pela grande mídia monopolista, o Governo busca um pacto geral para tentar acalmar o clima de instabilidade criado no País, oferece “alternativas” para que tudo se mantenha como está. Apresenta a ideia de transformar a corrupção em crime hediondo, que ameaça uma punição mais severa aos corruptos, mas se cala sobre os corruptores e o sistema que produz tais relações necessariamente.COLETIVO BANDEIRA VERMELHA”

     

  12. joao

    4 de novembro de 2014 2:31 am

    É preciso separar terrorismo, vandalismo e manifestação

    Nao esquecam, nao esquecam……por favor nao esqueca….a materia toda esta aqui

    http://www.conjur.com.br/2014-fev-19/leonardo-yarochewsky-preciso-separar-terrorismo-vandalismo-manifestacao

    O terrorismo é previsto na Constituição Federal (CF) como uma prática inafiançável. “A lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores e os que, podendo evitá-los, se omitirem” (artigo 5º, XLIII da CF). Apesar disso, a CF não definiu o crime de “terrorismo”, deixando sua definição para lei ordinária.

    Todavia, uma lei anterior à própria CF, a Lei 7.170, de 14 de dezembro de 1983 — que define os crimes contra a segurança nacional, a ordem política e social —, sancionada ainda na ditadura pelo general João Figueiredo, em seu artigo 20 prevê pena de reclusão de até 30 anos para caso de morte relacionada ao terrorismo. “Devastar, saquear, extorquir, roubar, sequestrar (sic), manter em cárcere privado, incendiar, depredar, provocar explosão, praticar atentado pessoal ou atos de terrorismo, por inconformismo político ou para obtenção de fundos destinados à manutenção de organizações políticas clandestinas ou subversivas”. A mesma lei prevê pena de reclusão de três a dez anos para atos de terrorismo. No caso de lesões corporais graves, a pena dobra. No caso de morte, triplica.

    Atualmente, o Congresso discute o anteprojeto do novo Código Penal — Requerimento 756, de 2011, do senador Pedro Taques, aditado pelo Requerimento 1034, de 2011, do senador José Sarney e com aprovação dos senadores da República em 10 de agosto de 2011 — que no Título VIII trata dos crimes contra a paz pública e prevê no art. 239 o “terrorismo”.

    Contudo, a morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Rede Bandeirantes, atingido por um rojão durante manifestação no Rio de Janeiro, acirrou ainda mais os debates dentro e fora do Congresso sobre a lei “antiterrorismo”. O Projeto de Lei 499, de 2013, apresentado pelo senador Romero Jucá (PMDB/RR), que passou a ser tratado como prioridade depois da morte do cinegrafista Santiago Andrade, aponta como crime inafiançável “provocar ou infundir terror generalizado”, “terrorismo contra coisa”, e estabelece como grupo terrorista a reunião de três ou mais pessoas “com o fim de praticar o terrorismo”.

  13. Zé das Cuecas

    4 de novembro de 2014 2:34 am

    O PT REPRIMIU QUEM????

    Digna opinião de um gringo que só conhece o Brasil pela TV. Como o PT reprimiu as manifestações de 2013, alguém pode me esclarecer? 

    Se eu me lembro bem, especialmente em SP, as manifestações foram reprimidas pela polícia militar, correto? E de quem é o comando da polícia militar? Dos Estados! E quem eram os governadores dos Estados? Bingo! PSDB na lata! Excessão pro RJ que era PMDB.

    E se não me falha a memória, após os manifestantes chegarem finalmente aos microfones da Globo (que tanto criticaram), exigiram uma reforma política, certo? A presidente Dilma concordou e o que aconteceu depois? Nada! 

    Os manifestantes sumiram do mapa! Talvez porque as lideranças não quisessem reforma nenhuma. Sem esse papo furado de que não havia lideranças, pois se a polícia não as encontrou é porque não bateu no escritório do George Soros.

    Aliás, conheci aquele japonês que foi preso em SP. Desde seus tempos de CAASO fingia-se de esquerda para sua própria promoção social, mas é um racista que odeia pobres e tudo o que se refere a distribuição de renda.

    E o PT, como diz a Veja, é o grande vilão da história que reprimiu violentamente os manifestantes? Poupem-me! 

  14. Maria Luisa

    4 de novembro de 2014 7:53 am

    Sem repressão

    Ele precisa corrigir a tal repressão às manifestações de 2013 por parte do PT. O PT não reprimiu absolutamente nada nem o governo federal. Alias, a manifestações em Brasilia foram violentas e vadalizaram muitos bens publicos. Nos somos uma federação e para alguns fica essa confusão entre governo federal e governos estaduais, sendo os ultimos os que controlam a segurança nos Estados e em casos de manifestação, enviam ou não policiais. 

  15. Marcia F.

    4 de novembro de 2014 10:35 am

    Ele está equivocado em alguns
    Ele está equivocado em alguns pontos cruciais, como os das manifestações de junho.

  16. Motta Araujo

    4 de novembro de 2014 1:09 pm

    Wallerstein é um dos grandes

    Wallerstein é um dos grandes pensadores de nossos tempos, critico da globalização, tem solidas teorias sobre a construção do mundo moderno. Assisti uma conferencia dele há muitos anos na Universidade de Binghampton, no norte do Estado de Nova York, quando lá estive visitando meu primo irmão Richard Antoun, professor e chefe de departamento naquela universidade onde Wallerstein era tambem professor.

    Wallerstein obviamente constroi teorias e nesse trabalho comete erros de inforamção mas sua visão geral é o que importa, ele é um pensador consistente e com sólida base cultural.

    Sua visão do SISTEMA MUNDO descontroi percepções primitivas como esaa de “”terceiro mundo”, que ele rejeita.

    Wallerstein é um dos principais teoricos anti-sistema da atualidade, não só nos EUA mas tambem na Europa, onde é antiga sua ligação com a EHESS, a Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales, um  dos templos do pensamento politico francês anti-conservador, a EHESS é uma das ágoras das ideologias mais sofisticadas sobre a mundialização.

    Como é visceralmente anti-mainstream, a reeleição de Dilma só o pode ter encantado Wallerstein , o que é preocupante, aquilo que Wallerstein elogia é exatamente o oposto do que o establishment politico e financeiro mundial gosta, Dilma deve estar preocupada, Wallestein é lindo mas quem manda no mundo é o contrario dele.

  17. jluizberg

    4 de novembro de 2014 3:06 pm

    Mais Consequencias Mundias

    Na verdade, essa é uma análise bastante superficial, feita por um ocidental que é informado pela mídia.

    As consequências mundiais são muito maiores do que sobre a América Latina: os BRICS estão se organizando, com a China como centralizadora das intenções de outros países asiáticos, o Brasil na América Latina e a Russia em conversações com a Alemanha, que normalmente não aparecem na mídia.

    Existem várias informações que indicam que o dilema na Alemanha hoje não é SE eles vão abandobnar os EUA, mas sim QUANDO e com que velocidade isso vai ser feito. No momento em que a Alemanha aderir aos BRICS, o resto da Europa vai junto, em um movimento que vai deixar os EUA isolados no mundo.

    Aos EUA, vão sobrar duas opções: tentar agir militar e financeiramente em um conflito que eles provavelmente vão perder (a não se que usem armas nucleares, quanto todos perderão), ou jogar a toalha, engolir em seco e aderir aos BRICS, tentando preservar alguns privilégios que possuem hoje. Talvez por isso já estejam tentando uma reaproximação com o Brasil, que seria o caminho mais indicado para alcançar esse objetivo.Só que essa reaproximação agora não é mais como a superpotência que ordena, mas como um grande player que negocia sua participação.

    O mundo está caminhando lentamente para o Oriente, para uma configuração multipolar que vai reorientar todas as relações em torno de entidades organizadas, sem nenhum dono do mundo ou xerife com poder de veto.

    Torci muito para a Dilma nestas eleições, não tanto pelo Brasil, mas principalmente pelo mundo, pois caso o PSDB ganhasse as eleicões e afastasse o Brasil dos BRICS, esse processo seria pelo menos retardado.

    1. Motta Araujo

      5 de novembro de 2014 12:56 am

      A “”Alemanha aderir aos

      A “”Alemanha aderir aos BRICS”” quer dizer, a Alemanha deixa de ser o centro da Europa, desliga-se da Aliança Atlantica, mada fechar as 16 bases americanas em seu terriotorio, mada de volta 44.000 soldados americanos, deixa de

      ter os EUA como seu maior parceiro comercial, abandona US$1,2 trilhão de dolares de suas companhias investidos nos EUA para se ligar à China e India, paises com os quais não tem nenhuma sinergia ou interesse comum.

      É viagem demais, ida e volta para Juazerio do Norte, não dá para acreditar em tanta bobagem

      BRICS não é um BLOCO GEOPOLITCO, BRICS não é regorosamente nda, é uma sigra inventada em Wall Street, os paises do BRICS não tem absolutamente nada em comum, nem cultura, nem objetivos, nem demografia nem geografia, nem Historia, , NADA.

      1. jluizberg

        5 de novembro de 2014 4:55 pm

        Ao contrário do que você lê

        Ao contrário do que você lê nos jornais, o volume de negócios da Alemanha com a Russia é maior do que com os EUA, além da imensa dependência energética, principalmente quanto ao aquecimento. Nós não sabemos o que é isso em nosso país tropical, mas por lá, aquecimento das casas no inverno é item de primeira necessidade.

        A Alemanha suportou todos os problemas Europeus, e só entrou em recessão depois das medidas de sanção contra a Russia impostas pelos EUA, que cairam como uma bomba sobre uma economia mais fragilizada.

        Recentemente a Alemanha pediu aos EUA para repatriarem 140 toneladas de ouro em barras que estão guardadas no banco central americano, e a resposta foi simplesmente não. Se não me engano, pediram 7 anos para repatriar o ouro que deveria estar somente guardadinho para eles. Isso e outros fatos acenderam a luz vermelha na cúpula do governo Alemão.

        Atualmente existem 2 projetos bilionários sendo negociados pela Russia e China: um gasoduto ligando os países produtores da Asia diretamente para a Europa, e uma estrada de ferro de alta velocidade ligando a China a… Berlim. Ou você acha que as sanções impostas pelos EUA tem algo a ver com a Ucrania, e a guerra contra o ISIS é para defender a liberdade?

        Mas se você realmente acha que é tudo besteira, e que os BRICS não são nada, tudo bem, enfie a cabeça em um buraco lá de Juazeiro do Norte e espere tudo passar.

         

  18. Pedro II

    4 de novembro de 2014 6:13 pm

    Intelectual??????

     Esse ” intelectual”, caiu de algum caminhão!!!nunca lí tanta asneira  de uma só vez!!! Quem reprimiu  o movimento de junho de 2013 foi a nova máfia que esta se instalando em nosso congresso  tentando isolar a Dilma , e com isso deflagar uma crise institucional, quem  foi contra o decreto 8243/2014 e o derrubou ??? é uma pena que os 48% de  ESCRAVOS GLOBAIS que apoiaram o  o MARIONETE AÉCIO NEVES  já tenham voltado para a SENZALA  e não lhes será permitido ver ou saber a grande PORCARIA  que fizeram . Mas, fiquem tranquilos  ESCRAVOS VENTRÍLOCOS daqui a 2 anos  os senhores verão a luz do sol novamente , pois as portas da senzalas se abrirão e o imenso rebanho de gado com as marcas da  veja, estadão, fsp e principalmente globo se manifestarão novamente..

  19. altamiro souza

    4 de novembro de 2014 7:30 pm

    lamentável que até um

    lamentável que até um inteletual importante de

    esquerda como ele confunda

    as coisas e diga que a repressão foi do governo federal,

    quando foi de são paulo e do rio.

    a  questã da egurança legal é dos estados.

  20. Arthur Moreno

    6 de novembro de 2014 3:46 pm

    Dizer que a nossa politica

    Dizer que a nossa politica externa vai sendo gerida corretamente é olhar os acontecimentos sem o enfoque geral…..

    A Presidente e seu partido estão apoiando Cuba, Irã, Bolívia, Venezuela, Perú, e outras ditaduras falidas……. Não entendo que este é o Brasil que foi duramente construido nos anos 60 a 80 na luta contra a ditadura de direita.

    Construido com luta …de palavras e idéias….. com ações e com a política na sua correta expressão.

    Entendo que por Vontade da Obra do ETERNO na face da Terra o Brasil é o país do futuro……..só estamos adiando um pouco isto.

     

     

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