A menos de 48 horas para a realização do segundo turno das eleições, os jornalistas Caco Barcellos e Chico Bahia flagraram um suposto caso de assédio eleitoral, no município de Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul. O episódio foi exibido no programa Profissão Repórter, da TV Globo, na noite desta terça-feira (1).
O caso ocorreu em uma reunião que contava com beneficiários do Auxílio Brasil. Eles foram convocados, segundo moradores da região, para serem pressionados a votar no atual líder do Executivo e então candidato a reeleição Jair Bolsonaro (PL) – derrotado no pleito pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com a gravação, ao ver Caco entrando no local da reunião, uma mulher que disse ser assessora da secretária que organizou o encontro, afirmou: “ [A reunião] tem a ver de demonstrar o que o presidente [ Bolsonaro] e o governador [Eduardo Riedel (PSDB)] estão fazendo pelas pessoas”.
Já a secretária, ao ser questionada sobre o motivo da reunião com os beneficiários na semana do segundo turno, afirmou: “porque tem que mandar as listas”. “Nós mandamos a lista para o MDS [Ministério do Desenvolvimento Social]”, completou.
Em meio a ação da reportagem, todas as pessoas que estavam no local se levantaram para ir embora. Quando Caco tentou entrevistá-las, um homem tentou impedi-lo: “É melhor vocês ficarem na sua”, esbravejou.
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Relatos
Segundo testemunhas que aceitaram falar com a reportagem, as reuniões teriam sido iniciadas três dias antes da realização do segundo turno, que aconteceu no último domingo (30).
“Antes não tinha essa reunião não. Disse que era para assinar o negócio do Bolsa Família. Aí ontem, eu ouvi falando que, quando acaba a reunião, o Rudi [Rudi Paetzold (MDB)] dá R$ 50 para cada um. Rudi é o prefeito daqui”, contou uma mulher, que é vizinha do local.
Uma outra moradora, que chegou a ir no encontro, explicou melhor sobre as reuniões. “Eu fui. Chegamos lá; eles, sinceramente, falaram sobre o Auxílio Brasil, porém a parte foi só sobre política. Que teria que votar no 22, porque se não, no caso, não teria mais verba para vir para cá, né? Aí pararia com tudo: pararia de fazer o asfalto, as escolas”, contou.
“Você chega lá, se você está precisando… Vamos supor: você precisa para sobreviver o auxílio e o vale renda, você muda seu voto na hora com medo de perder o benefício. Pediram para colocar o nome, colocar o documento, o número de celular. Porque, no caso, esses nomes iriam lá não sei para onde. Para mim, aquilo foi uma pressão sobre as pessoas. Isso é promoção do prefeito, né?”, continuou.
A reportagem foi até um local onde estava o prefeito da cidade, que não reagiu bem aos questionamentos e negou a ação.
Ameaças
Horas depois de coletar as declarações das moradoras, uma pessoa ligou para Caco alertando a reportagem para sair da cidade.
“Fiquei preocupado, extremamente preocupado. Eu sugeriria para vocês terminar a pauta o quanto antes. Se você quiser continuar aqui na cidade trabalhando, é o teu trabalho. É assim: sua conta e risco. Mas eu conheço bem aqui a cidade. É complicado”, disse.
Assista:
José de Almeida Bispo
2 de novembro de 2022 10:24 amNão foi somente no Mato Grosso; acho que no Brasil inteiro, a começar pelo comportamento estranho em algumas igrejas evangélicas e até em paróquias católicas, mais discretas, obviamente há suspeitas de muito maior “assistência social” nos últimas 15 dias que antecederam as eleições.
Eunice
2 de novembro de 2022 11:51 amA tentativa de reeleição mais suja da história. E mesmo assim perdeu.