Caco Barcelos flagra compra de votos para Bolsonaro no Mato Grosso do Sul

Ana Gabriela Sales
Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.
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Suposto caso de assédio eleitoral, por meio do Auxílio Brasil, aconteceu a menos de 48h para o segundo turno

Imagem: Reprodução/Profissão Repórter/TV Globo

A menos de 48 horas para a realização do segundo turno das eleições, os jornalistas Caco Barcellos e Chico Bahia flagraram um suposto caso de assédio eleitoral, no município de Coronel Sapucaia, em Mato Grosso do Sul. O episódio foi exibido no programa Profissão Repórter, da TV Globo, na noite desta terça-feira (1). 

O caso ocorreu em uma reunião que contava com beneficiários do Auxílio Brasil. Eles foram convocados, segundo moradores da região, para serem pressionados a votar no atual líder do Executivo e então candidato a reeleição Jair Bolsonaro (PL) – derrotado no pleito pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com a gravação, ao ver Caco entrando no local da reunião, uma mulher que disse ser assessora da secretária que organizou o encontro, afirmou: “ [A reunião] tem a ver de demonstrar o que o presidente [ Bolsonaro] e o governador [Eduardo Riedel (PSDB)] estão fazendo pelas pessoas”. 

Já a secretária, ao ser questionada sobre o motivo da reunião com os beneficiários na semana do segundo turno, afirmou: “porque tem que mandar as listas”. “Nós mandamos a lista para o MDS [Ministério do Desenvolvimento Social]”, completou. 

Em meio a ação da reportagem, todas as pessoas que estavam no local se levantaram para ir embora. Quando Caco tentou entrevistá-las, um homem tentou impedi-lo: “É melhor vocês ficarem na sua”, esbravejou. 

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Relatos

Segundo testemunhas que aceitaram falar com a reportagem,  as reuniões teriam sido iniciadas três dias antes da realização do segundo turno, que aconteceu no último domingo (30).

“Antes não tinha essa reunião não. Disse que era para assinar o negócio do Bolsa Família. Aí ontem, eu ouvi falando que, quando acaba a reunião, o Rudi [Rudi Paetzold (MDB)] dá R$ 50 para cada um. Rudi é o prefeito daqui”, contou uma mulher, que é vizinha do local. 

Uma outra moradora, que chegou a ir no encontro, explicou melhor sobre as reuniões. “Eu fui. Chegamos lá; eles, sinceramente, falaram sobre o Auxílio Brasil, porém a parte foi só sobre política. Que teria que votar no 22, porque se não, no caso, não teria mais verba para vir para cá, né? Aí pararia com tudo: pararia de fazer o asfalto, as escolas”, contou. 

“Você chega lá, se você está precisando… Vamos supor: você precisa para sobreviver o auxílio e o vale renda, você muda seu voto na hora com medo de perder o benefício. Pediram para colocar o nome, colocar o documento, o número de celular. Porque, no caso, esses nomes iriam lá não sei para onde. Para mim, aquilo foi uma pressão sobre as pessoas. Isso é promoção do prefeito, né?”, continuou. 

A reportagem foi até um local onde estava o prefeito da cidade, que não reagiu bem aos questionamentos e negou a ação. 

Ameaças

Horas depois de coletar as declarações das moradoras, uma pessoa ligou para Caco alertando a reportagem para sair da cidade.

“Fiquei preocupado, extremamente preocupado. Eu sugeriria para vocês terminar a pauta o quanto antes. Se você quiser continuar aqui na cidade trabalhando, é o teu trabalho. É assim: sua conta e risco. Mas eu conheço bem aqui a cidade. É complicado”, disse.

Assista:

https://twitter.com/delucca/status/1587653596794994689?s=46&t=VWOGpiQaQEaiXv3CwBbsCQ
Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 8 anos. Graduada em Jornalismo pela Universidade de Santo Amaro. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

2 Comentários

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  1. Não foi somente no Mato Grosso; acho que no Brasil inteiro, a começar pelo comportamento estranho em algumas igrejas evangélicas e até em paróquias católicas, mais discretas, obviamente há suspeitas de muito maior “assistência social” nos últimas 15 dias que antecederam as eleições.

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