As políticas adotadas pelo governo Donald Trump contra universidades, centros de pesquisa e agências científicas federais podem provocar uma perda duradoura da capacidade de inovação dos Estados Unidos, abrindo espaço para que China e países da Europa passem a liderar áreas estratégicas do conhecimento.
O alerta é do pesquisador Steven Cohen, diretor do programa de Sustentabilidade da Universidade Columbia, que vê uma contradição crescente entre o discurso de fortalecimento econômico da atual administração e as medidas que atingem o sistema científico norte-americano.
Em artigo publicado no site da Universidade Columbia, Cohen afirma que a economia contemporânea é baseada cada vez mais em conhecimento, tecnologia e inovação, e que setores como inteligência artificial, armazenamento de energia, biotecnologia e computação avançada dependem diretamente de investimentos contínuos em pesquisa básica e aplicada.
Porém, as ações tomadas pela administração Trump estão enfraquecendo essa estrutura, incluindo cortes orçamentários, atrasos na liberação de recursos para pesquisas e restrições à imigração de cientistas estrangeiros. O resultado, afirma, é um ambiente de crescente insegurança para pesquisadores e universidades.
Além da redução dos chamados custos indiretos e do corte de 40% no orçamento dos Institutos Nacionais de Saúde, Cohen destaca a decisão da Fundação Nacional de Ciência (NSF) de desmantelar grande parte da Ocean Observatories Initiative, uma rede composta por mais de 900 sensores oceânicos que monitora circulação marítima, ecossistemas, mudanças climáticas e eventos extremos há mais de uma década. O sistema custou cerca de US$ 386 milhões e estava projetado para operar por mais 15 a 20 anos.
Na visão do pesquisador, a raiz do problema está em uma visão econômica que supervaloriza a manufatura tradicional e subestima a importância da inovação.
O pesquisador argumenta que a riqueza das economias avançadas depende cada vez mais de ativos intangíveis, software, propriedade intelectual, pesquisa científica e criatividade. Nesse contexto, reduzir investimentos em ciência significa comprometer justamente os fatores que sustentaram a liderança econômica norte-americana nas últimas décadas.
Na avaliação do especialista, a combinação de cortes científicos, ataques às universidades, restrições à imigração qualificada e questionamentos à produção de conhecimento pode gerar consequências que vão muito além dos laboratórios.
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