5 de junho de 2026

Os golpistas continuam ameaçando jornalistas, por Marcelo Auler

Os bolsonaristas, por métodos violentos e na maioria das vezes covardes (em grupos), não reconhecem e atacam os direitos de outros.
O pensionista Eraldo, entrevistado que não soube se explicar (Foto> Marcelo Auler)

Os golpistas continuam ameaçando jornalistas

por Marcelo Auler

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A liberdade que bolsonaristas que clamam por um golpe militar no país dizem defender é, no mínimo, relativa. Eles a defendem para si e os seus, notadamente aqueles que desfraldam as bandeiras antidemocráticas (como a da anulação das eleições desse ano).

Mas os mesmos, por métodos violentos e na maioria das vezes covardes (em grupos), não reconhecem e atacam os direitos de outros. Em especial os dos jornalistas, que os manifestantes tentam censurar, na tentativa de impedir que reportem o que acontece nos atos que eles promovem, desde o dia 30, na porta dos quartéis.

Na tarde dessa terça-feira (15/11), data comemorativa da Proclamação da República, um grupo desses manifestantes tentou me forçar a apagar a entrevista que acabara de gravar com um deles: o aposentado Eraldo, de 74 anos, reservista do Exército Brasileiro, participante da manifestação defronte ao Palácio Duque de Caxias, sede do Comando Militar do Leste, no centro do Rio de Janeiro.

Capitaneados por um bolsonarista mais raivoso e violento, que mesmo diante da minha garantia de não deixar o local me aplicou uma gravata para supostamente impedir que eu me afastasse, um grupo deles exigia que eu apagasse a gravação. Diante do meu posicionamento firme de que não os atenderia, tentaram inutilmente me intimidar.

Ameaças se espalharam pelo país

Isaac Risco da agência alemã Deutsche Presse Agentur (DPA) foi obrigado a apagar uma entrevista (Foto: reprodução)

As ameaças não se resumiram ao meu caso no Rio de Janeiro. Repetiram-se em Brasília, por manifestantes que estavam no Setor Militar com os mesmos protestos, onde uma equipe da rádio Jovem Pan saiu escoltada por policiais militares, como noticiou o 247. Ainda em Brasília, outras equipes de jornalistas também teriam sido ameaçadas. Os ataques e ameaças também aconteceram em Belém do Pará, com jornalistas de O Liberal, conforme denúncia do Sindicato dos Jornalistas do Pará.

Sem falar que, na véspera (14/11) Isaac Risco, correspondente espanhol da agência alemã Deutsche Presse Agentur (DPA), viveu situação idêntica quando circulou por rodovias ocupadas por manifestantes no Paraná. Ele foi obrigado a apagar uma entrevista que tinha feito ali, com um dos insurretos, como narra no vídeo (https://www.youtube.com/watch?v=SGqxUu_DIgk)

As perguntas é que incomodaram

Aqui no Rio, o bolsonarista mais raivoso/virulento criticava o fato de eu ter questionado o reservista sobre o silêncio do presidente Jair Bolsonaro e a passividade das Forças Armadas, ao longo dos últimos 15 dias, sobre os pleitos que fazem. Na realidade eles se recusam a perceber que, embora sejam muitos, acabam clamando no deserto. Pregam ao léu. Não querem ver que a sucessão presidencial já está em curso, inclusive apoiada pelo próprio governo bolsonarista, como mostram as nomeações daqueles que compõem o governo de transição, já publicadas no Diário Oficial.

De forma bizarra me acusaram de ter abusado da inocência do entrevistado. De ter induzido respostas quando, na realidade, como repórter, após o consentimento do entrevistado, apenas lhe dirigi as questões que necessitam respostas dos manifestantes. Perguntas de difíceis explicações para aqueles que há quinze dias clamam por golpe sem que haja nenhuma resposta. Sem sequer receberem o apoio do “mito” que eles defendem (adoram? Idolatram?).

O que devem ter estranhado foi a reação firme de quem não se dobra a ameaças, venham de onde vier. Deixei claro que não apagaria a entrevista. Notaram que eu não reagi às agressões, não bati boca, nem recuei. Não me amedrontei, mas também não provoquei. Partiu de mim mesmo a proposta de buscarmos a intermediação da Polícia Militar. Mostrei que eu não tinha receio, pois estava certo que agi com ética, dentro da lei e dos meus direitos.

Continue lendo no blog de Marcelo Auler.

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3 Comentários
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  1. Fábio de Oliveira Ribeiro

    16 de novembro de 2022 10:46 am

    Existe uma ironia profunda no que está ocorrendo.

    Os nazistas acreditavam que eram superiores e discriminaram os judeus acreditando que eles eram Untermensch ou seres inferiores.

    Seus duplos brasileiros pós-modernos foram reduzidos à condição de apêndices biológicos dos algoritmos que radicalizaram a sociedade para extrair lucro impulsionando o discurso de ódio, teorias da conspiração, meias verdades, falsificações e Fake News. Mesmo assim, eles acreditam que são seres superiores e que os votos deles em Bolsoanaro tem mais valor do que os votos atribuídos à Lula.

    Karl Marx disse que a tragédia se repete como farsa. Apesar de odiarem o comunismo, os bolsonaristas estão comprovando essa teoria marxista. O que nós estamos vendo é o nascimento do TechnoUntermensch com complexo de superioridade.

  2. Rui

    16 de novembro de 2022 12:23 pm

    Olha o que disse o fóssil General Cagão Villas Boas:

    “A população segue aglomerada junto às portas dos quartéis pedindo socorro às Forças Armadas. Com incrível persistência, mas com ÂNIMO ABSOLUTAMENTE PACÍFICO, pessoas de todas as idades, identificadas com o verde e amarelo que orgulhosamente ostentam, protestam contra os atentados à democracia, à independência dos poderes, ameaças à liberdade e dúvidas sobre o processo eleitoral”.

    Esses sanguessugas da Nação vão dar trabalho para largar o osso. O difícil não é abater um monstro, o difícil é remover sua carcaça pútrida da frente das casernas.

  3. Rui

    17 de novembro de 2022 8:34 am

    Perdeu, Mané Villas, não amola. Bota tua viola no saco e vai com tua cantilena pro inferno. Tu não vai mais roer o osso. Tu agora vai comer filé de bode.
    Pobre do bode que é morto para saciar o apetite voraz dessas carniças

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