O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não descartou a possibilidade de declarar uma emergência de segurança nacional para ampliar o controle do governo federal sobre as eleições legislativas de 2026. A hipótese foi apresentada ao presidente pelo apresentador conservador Wayne Allyn Root, da Real America’s Voice, durante uma entrevista recente.
Root sugeriu que Trump poderia recorrer a uma declaração de emergência caso o Congresso não aprove o chamado SAVE America Act, projeto defendido pelo presidente que prevê, entre outras medidas, exigência de identificação para votar e comprovação de cidadania no registro eleitoral.
Segundo o apresentador, uma emergência permitiria ainda limitar o voto por correspondência. Trump não confirmou que pretende adotar a medida, mas também não a rejeitou. “Coisas mais estranhas já aconteceram”, respondeu.
A declaração não significa que uma emergência será decretada. A possibilidade, contudo, ganha relevância diante das iniciativas da Casa Branca para ampliar a participação do governo federal em um processo eleitoral administrado principalmente pelos estados.
Trump já enfrenta resistência judicial
A disputa mais concreta ocorre em torno do voto por correspondência. Em março, Trump assinou uma ordem executiva que buscava estabelecer regras federais para o registro de eleitores e condicionar a entrega de cédulas pelo correio ao cumprimento de determinadas exigências do governo.
Tribunais federais bloquearam partes da medida. Na terça-feira (11), uma juíza federal voltou a impedir a implementação das restrições ao voto por correspondência, afirmando que o governo federal não possui autoridade para assumir o controle da administração eleitoral dos estados. Nesta quarta-feira (12), a administração Trump recorreu à Suprema Corte para tentar derrubar o bloqueio.
O voto pelo correio é um dos principais alvos de Trump, que há anos associa a modalidade, sem apresentar evidências de fraude generalizada, a irregularidades eleitorais. O mecanismo é mais utilizado por eleitores democratas em diversas regiões, o que faz com que eventuais restrições tenham também impacto político.
A Casa Branca enfrenta ainda dificuldades para aprovar o SAVE America Act no Senado. Com a via legislativa travada, o governo tem recorrido a ordens executivas e à Justiça para tentar avançar sua agenda eleitoral.
Limites constitucionais
A possibilidade de Trump “nacionalizar” as eleições, entretanto, está longe de ser juridicamente estabelecida. A Constituição americana atribui aos estados e ao Congresso responsabilidades centrais sobre a organização das eleições, e especialistas questionam se uma declaração de emergência poderia conferir ao presidente poderes para alterar unilateralmente as regras eleitorais.
A hipótese também se soma a outras declarações de Trump. Em fevereiro, ele defendeu que os republicanos “assumissem o controle da votação” em pelo menos 15 locais e falou em “nacionalizar” as eleições.
Ainda não é possível afirmar que o presidente pretende declarar uma emergência nacional. Trump costuma evitar rejeitar categoricamente hipóteses extremas apresentadas em entrevistas. O que já está em curso, porém, é uma disputa entre a Casa Branca, estados e tribunais sobre os limites da autoridade federal.
Caso Trump efetivamente recorra aos poderes de emergência para tentar ampliar seu controle sobre as eleições de 2026, a medida deverá enfrentar novos questionamentos judiciais. A questão central, portanto, não é apenas se o presidente deseja interferir mais diretamente no processo eleitoral, mas até onde o sistema constitucional dos Estados Unidos permitirá que ele avance.
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