5 de junho de 2026

Kane e seleções desistem de braçadeira LGBT+ após FIFA ameaçar com cartão amarelo

Catar proíbe relações homossexuais e tem sido alvo de críticas
Harry Kane com braçadeira da campanha One Love, em favor da comunidade LGBT+. Foto: Reprodução/Instagram

Inglaterra e Irã estão em campo neste momento, em duelo válido pela primeira rodada do Grupo A da Copa do Mundo. No entanto, quem chama a atenção é o capitão inglês. O centroavante Harry Kane prometeu utilizar braçadeira em favor da comunidade LGBT+.

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No entanto, o atacante optou por não utilizar o objeto. No lugar, ele optou por vestir faixa com o escrito “Não à descriminação”.

A situação mudou após a entidade máxima do futebol se posicionar. A FIFA ameaçou punir com cartão amarelo os atletas que utilizassem a braçadeira com as cores do arco-íris.

Após a medida, sete seleções assinaram comunicado pedindo que seus jogadores desistissem da ação.

“A Fifa tem deixado muito claro que imporá sanções esportivas se nossos capitães usarem as braçadeiras no campo de jogo. Como federações nacionais, não podemos colocar nossos jogadores em uma posição em que possam enfrentar sanções esportivas, incluindo cartões amarelos, por isso pedimos aos capitães que não tentem usar as braçadeiras nos jogos da Copa do Mundo”, diz o documento.

Alemanha, Bélgica, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, País de Gales e Suíça assinam o texto. Anteriormente, as equipes haviam se comprometido a arcar com multas pelo uso da braçadeira. No entanto, a posição mudou quando a punição passou a ser esportiva.

Vale lembrar que dois cartões amarelos a um mesmo jogador resultam em sua expulsão. Ou seja, ao iniciar a partida amarelado, o atleta passa o resto da partida pendurado, o que pode comprometer o desempenho coletivo de todo o time.

O capitão Harry Kane atua pelo Tottenham, de Londres. Foto: Reprodção/Instagram

Estávamos preparados para pagar multas que normalmente se aplicariam a violações dos regulamentos do kit e tínhamos um forte compromisso de usar a braçadeira. No entanto, não podemos colocar nossos jogadores na situação em que possam receber um cartão amarelo ou até mesmo serem forçados a deixar o campo de jogo“, explicam as seleções.

Por outro lado, o comunicado fala em mostrar apoio à causa “de outras maneiras”.

“Estamos muito frustrados com a decisão da Fifa, que acreditamos ser sem precedentes – escrevemos à Fifa em setembro informando sobre nosso desejo de usar a braçadeira ‘One Love’ para apoiar ativamente a inclusão no futebol, e não tivemos resposta. Nossos jogadores e treinadores estão desapontados – eles são fortes defensores da inclusão e mostrarão apoio de outras maneiras”.

Sede polêmica

A decisão da FIFA tem a ver com a legislação e os costumes do país sede do evento. O Catar proíbe relações homossexuais, que podem levar até a possível pena de morte.

O local tem sido criticado pela imprensa mundial por conta de desrespeito aos direitos humanos, tanto na convivêncial social catari quando na construção dos estádios.

Em 2013, o jornal britânico The Guardian revelou condições de trabalho dos operários envolvidos: “escravidão moderna”. Para saber mais, clique aqui.

LEIA: Lula tem alta hospitalar após exame não apontar tumor na garganta

Porém, o espetáculo de abertura da Copa realizado neste domingo (20) no confrontro entra Catar e Equador teve dom de diversidade e inclusão social.

Aliás, o adversário da Inglaterra na estreia, o Irã, também sofre críticas semelhantes. Desde 1979, o país tem regime político teocrático, com base em interpretação radical do islamismo.

Johnny Negreiros

Estudante de Jornalismo na ESPM. Estagiário desde abril de 2022.

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