O ex-ministro da Justiça, Eugênio Aragão, disse em entrevista exclusiva ao canal TV GGN [assista abaixo] que o acampamento bolsonarista em frente ao quartel general do Exército, em Brasília, é um “poleiro de terroristas armados” e deve ser desmobilizado pelo governador Ibaneis Rocha antes da posse de Lula, em 1º de janeiro.
“Me parece obrigação do governador retirar esse pessoal antes do 1º de janeiro. Com esse pessoal acampado ali, o risco será grande”, disse Aragão na conversa com Luis Nassif, na noite de terça (27).
Para Aragão, “depois que flagraram aquele terrorista [George Washington Oliveira de Sousa] tentando explodir um caminhão com líquido inflamado no aeroporto, ficou claro que aquele acampamento é um poleiro de terroristas armados e prontos para qualquer coisa.”
O ex-ministro avaliou que há indícios suficientes demonstrando que o acampamento, forjado para questionar a vitória eleitoral de Lula, abriga radicais armados e inclinados a usar violência para provocar uma tentativa de golpe de Estado.
“Não são pessoas exercendo direito à livre manifestação. Aquela bagunça que aconteceu [no dia da diplomação de Lula] saiu toda do QG. Esse pessoal tinha coquetéis molotov, botijões de gás, rojões e coisas do gênero. Aquilo não é sinal de reunião pacífica e desarmada”, disse Aragão.
O ex-ministro ainda defendeu que não pode haver tolerância com os golpistas. “Daqui a pouco, vão fechar as ruas, vão fazer o que a Carla Zambelli fez: dizer ‘deitem no chão’, apontando uma arma, como se ela fosse policial.”
Aragão também comentou, na entrevista ao GGN, a postura do futuro ministro da Defesa, Jorge Múcio, que tratou os acampamentos bolsonaristas como legais.
Para Aragão, Múcio não deveria entrar nesse mérito, pois o problema não é da alçada da Defesa, mas sim das forças de segurança do Distrito Federal e da Polícia Federal. “A Defesa tem que garantir a ordem dos militares, e isso está garantido”, pontuou.
Assista abaixo:
Fábio de Oliveira Ribeiro
28 de dezembro de 2022 11:17 amQuando foi Ministro da Guerra, Benjamim Constant (1837- 1891) fez uma distinção primorosa entre patriotas e “pratiotas”. Os “pratiotas”, aqueles que só querem encher os próprios pratos, o procuravam no Ministério para pedir cargos, prebendas e favores pessoais, como se a República recém proclamada pudesse ser baseada no “cunhadismo” vigente entre os indígenas. Bolsonaro reabilitou o “pratiotismo”, mas os “pratiotas” da atualidade chamam a si mesmos de patriotas e a imprensa não foi capaz de fazer a distinção feita por Benjamim Constant.