Bomba em Brasília: confira detalhes do plano terrorista narrado em depoimento à Polícia Civil

Cintia Alves
Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.
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Influenciado por Bolsonaro, homem que fabricou bomba encontrada em aeroporto também comprou arsenal capaz de produzir um massacre

Consta em depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal [leia a íntegra abaixo] detalhes do frustrado plano para explodir uma bomba em Brasília no intuito de provocar o “caos que levaria ao estado de sítio” e justificar uma eventual “intervenção federal” às vésperas da posse de Lula (PT).

O plano foi interceptado no dia 23 de dezembro e a bomba, embora acionada, não chegou a explodir no Aeroporto Internacional de Brasília, e acabou sendo removida pela Polícia Militar. A Polícia Civil prendeu, na noite do dia 24 de dezembro, George Washington de Oliveira Sousa, responsável por produzir o artefato.

Sousa, 54 anos, morador da cidade de Xinguá, no Pará, se apresentou à Polícia Civil como “gerente de posto de gasolina”, mas segundo apuração do Metrópoles, ele também é paraquedista. Apoiador de Jair Bolsonaro, ele estava acampado no Distrito Federal desde novembro, esperando para “pegar em armas e derrubar o comunismo”.

“A minha ida até Brasília tinha como propósito participar dos protestos que ocorriam em frente ao QG do Exército e aguardar o acionamento das forças armadas para pegar em armas e derrubar o comunismo.”

Sousa virou CAC por influência de Bolsonaro – a quem chamou de “patriota e honesta” no depoimento – e desde então comprou R$ 160 mil em armas.

“O que me motivou a adquirir as armas foram as palavras do presidente Bolsonaro que sempre enfatizava a importância do armamento civil dizendo o seguinte: ‘Um povo armado jamais será escravizado’ e também a minha paixão por armas que tenho desde a juventude.”

Munição para um massacre

Frustrado com a vitória de Lula, Sousa levou 8 armas de fogo na viagem à Brasília e munição para um verdadeiro massacre.

“Eu vim a Brasília com a minha caminhonete Mitsuishi Triton levando comigo 2 escopetas calibre 12; 2 revólveres calibre .357; 3 pistolas, sendo 2 glocks e 1 CZ Shadow 2; 1 fuzil Springfield calibre .308; mais de mil munições de diversos calibres e cinco bananas de dinamite (emulsão)”, relatou à Polícia Civil.

Em frente ao QG do Exército, Sousa passou a se relacionar com outros bolsonaristas ansiosos por um golpe que impedisse a posse de Lula. No depoimento, ele relatou que colegas sugeriram plantar bombas no estacionamento e na área de embarque do Aeroporto Internacional de Brasília, ou então explodir a rede de distribuição de energia elétrica. O objetivo, em ambos os casos, era provocar desordem e viabilizar a intervenção.

Sousa foi o responsável por montar a bomba que foi encontrada no aeroporto. Ele alegou à Polícia que entregou o artefato a um homem chamado Alan, acreditando que este último usaria a bomba contra postes de luz.

A relação dos golpistas com as autoridades em Brasília

Sousa também forneceu à Polícia Civil informações que dão conta de que parte das forças de segurança de Estado estão dando suporte aos golpistas acampados no DF.

Ele disse, por exemplo, que acionou um “importante general do Exército” para remover supostos infiltrados nas manifestações.

Além disso, confirmou que PMs e bombeiros decidiram cruzar os braços diante vandalismo que assolou Brasília no dia da diplomação de Lula.

“Ali ficou claro para mim que (…) estavam ao lado do presidente e em breve seria decretada a intervenção das forças armadas. Porém, depois de um mês nada aconteceu e eu resolvi elaborar um plano com os manifestantes do QG para provocar a intervenção e decretação de estado de sítio para impedir a instauração do comunismo no Brasil.”

Preso preventivamente e transferido para a Papuda no domingo (25), Sousa ainda admitiu que pretendia distribuir parte do seu arsenal a outros colecionadores ou atiradores bolsonaristas.

Leia o depoimento abaixo:

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Cintia Alves

Cintia Alves é graduada em jornalismo (2012) e pós-graduada em Gestão de Mídias Digitais (2018). Certificada em treinamento executivo para jornalistas (2023) pela Craig Newmark Graduate School of Journalism, da CUNY (The City University of New York). É editora e atua no Jornal GGN desde 2014.

3 Comentários

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  1. A história pregressa desse cidadão? O que fez há 5, 10, 15, 20 anos?
    QUAL A SUA UNIDADE de origem (PM, PC, PF, Exército, Marinha, Aeronáutica, etc)? Qual religião e status religioso (o nome sugere americanização-raiz, não os Estados Unidos de Lincoln; mas o de Ted Roosevelt)? Enfim,como um relés gerente de posto possui tanta “gordura”? SIGA O DINHEIRO!

  2. Quando era jovem, Bolsonaro não se notabilizou por ser um terrorista habilidoso, sofisticado e bem sucedido. Ele obviamente foi incapaz de confeccionar e mandar para a OAB aquela carta que explodiu apenas quando foi aberta. O plano dele para explodir a adutora do Baixo Guandu era grosseiro; o desenho que Bolsonaro fez para representá-lo pode ser chamado de vulgar e infantil. Nesse sentido, pode-se dizer que o terrorista de Brasília é tão amador quanto seu mestre. A PF deve se preocupar com os outros terroristas, aqueles que sob o comando dos generais bolsonaristas tem o “know how” necessário para realmente praticar atos de terror.

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