10 de junho de 2026

O hábito não faz o monge… Nem o Papai Noel, por Jorge Alberto Benitz

Entrei em uma roubada. Adolescentes não gostam de ser tratados como crianças. Papai Noel é coisa de criança

O Hábito Não Faz O Monge… Nem O Papai Noel

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por Jorge Alberto Benitz*

Conto do meu livro Conversas de Livraria&Avulsas, Editora Palmarinca, seção Conversas Com Taxistas.

À Leonardo, Thiago, André e Matheus.

Esperava causar surpresa. Não foi o que aconteceu. Começou com a chegada do taxi, todo cheio de luzes natalinas, que contratei. As caras dos guris não manifestavam surpresa e sim estranhamento. Naquele momento, me dei conta que entrei em uma roubada. Adolescentes ou pré-adolescentes não gostam de ser tratados como crianças. Papai Noel é coisa de criança.

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Talvez, começando a viagem naquele enfeitado taxi, tudo melhorasse. Ao entrar no mesmo se depararam com o motorista vestido de Papai Noel. Um oi contido seguido de um oi protocolar, não de um  “Papai Noel” mas de um  taxista qualquer, foi só o que se ouviu, frustrando de vez minhas expectativas e aprofundando um clima que era mais constrangedor do que divertido. Aliás, era totalmente constrangedor. Bastava observar a troca de olhares sacanas e cúmplices entre os jovens. Olhares cheios de deboche e escárnio. Obstinado e ainda disposto a mudar para melhor a situação, tentei quebrar o gelo, comentando que estava fazendo muito calor. Pouco original. A pergunta padrão de todo o usuário de taxi. O que eu não contava era com a resposta padrão do Papai Noel. No mesmo descolorido tom de meu comentário, ele respondeu que estava mesmo fazendo muito calor esta noite. Fiquei puto! Um cara que se veste de Papai Noel, tem que fazer valer o papel que resolveu encarnar. O mínimo que poderia responder era, alem de dar o tradicional Oh!Oh!Oh! Típico ou, pelo menos, dizer que pior estava sendo duro agüentar o calor com aquela roupa toda. Não sei bem se seria esta a resposta adequada, mas, pelo menos, deveria de algum modo fazer jus a condição de Papai Noel, figura bondosa e bonachona. Para piorar a conversa continuou neste mesmo diapasão. Estava ali na direção do taxi um motorista fantasiado de Papai Noel, falando como taxista.

A falta de graça, o desconcerto, era patente na cara de todos nós. Ainda bem que a corrida era curta.

*Jorge Alberto Benitz é engenheiro e escritor.

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem um ponto de vista diferente? Mande seu artigo para [email protected].

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