4 de junho de 2026

O que Ibaneis Rocha disse em depoimento à Polícia Federal

Afastado após o "capitólio brasileiro", governador do DF tenta provar que foi abastecido de informações erradas
O futuro da Defesa José Múcio Monteiro e da Justiça, Flavio Dino, falam à imprensa após reunião com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha

Afastado do governo do Distrito Federal por decisão do Supremo Tribunal Federal, Ibaneis Rocha prestou depoimento à Polícia Federal nesta sexta-feira, 13, sobre a invasão da sede dos Três Poderes por bolsonaristas golpistas, em 8 de janeiro.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O depoimento, divulgado em primeira mão pela jornalista Daniela Lima na CNN Brasil, mostra que Ibaneis tentou provar que recebeu informações erradas e foi pego de surpresa pelos fatos que levaram ao “capitólio brasileiro”.

O que Ibaneis disse à PF

Ibaneis começou o depoimento contanto que após a diplomação de Lula, o governo do Distrito Federal (GDF) marcou a data de 29 de dezembro de 2022 para remover o acampamento bolsonarista em frente ao QG do Exército. Mas, segundo o governador, o próprio Exército não deixou a Polícia Militar (PM) terminar o desmonte.

Ibaneis defendeu que o GDF trabalhou com êxito pela segurança no dia da posse de Lula. Depois disso, houve movimento espontâneo de desmobilização dos acampamentos, com bolsonaristas deixando o QG, e o GDF até chegou a pagar passagem de ônibus para quem quisesse ir embora.

Relatórios de segurança

O governador afirmou à PF que recebia informes sobre as questões de segurança, mas nenhum deles tratou de possíveis “ações radicais”.

Ibaneis afirmou que não tinha acesso integral aos relatórios de inteligência, que ficavam restritos à Secretaria de Segurança Pública (SSP). Só chegava ao governador o que realmente importava para sua tomada de decisões, disse ele.

Na primeira semana de 2023, Ibaneis alegou que deixou todo o planejamento de segurança em Brasília a cargo da SSP, porque estava ocupado participando de eventos de posse de ministros e secretariado.

Anderson Torres assumiu a SSP-DF em 2 de janeiro e cuidou “integralmente” do planejamento que falhou em 8 de janeiro.

Senado e Câmara estavam no plenajemento

Além do GDF, participaram do planejamento da equipe de segurança do Senado, Câmara e a Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Constava no plano que a PM-DF deveria utilizar todo o contingente necessário para assegurar os prédios dos Três Poderes. Ibaneis alegou que não conferiu detalhes do plano porque não cabe ao governador “analisar as minúcias”, jogando a responsabilidade sobre o comando da PM-DF.

A véspera da invasão

Na sexta-feira à noite, 6 de janeiro, Ibaneis recebeu uma mensagem do ministro da Justiça Flávio Dino, dizendo que estava preocupado com a chegada de vários ônibus com manifestantes bolsonarista a Brasília. A mensagem só foi lida por Ibaneis no dia 7.

Após ser procurado por Dino, Ibaneis ligou para Anderson Torres, que havia acabado de chegar aos EUA e imediatamente repassou ao governador o número de telefone de um terceiro: o delegado Fernando de Souza Oliveira, secretário interino de Segurança Pública.

Ibaneis ligou para Fernando, o interino, ainda no sábado. O substituto de Torres tranquilizou o governador dizendo que os manifestantes chegavam tranquilamente para a manifestação na frente do QG do Exército. Ibaneis repassou a mensagem a Dino.

O dia do vandalismo

No dia 8 de janeiro, pela manhã, o delegado Fernando mandou nova mensagem de áudio ao governador falando que estava tudo tranquilo. Ibaneis pediu a juntada do áudio ao inquérito.

Por volta das 13 horas, Ibaneis recebeu novo áudio do interino dizendo, de novo, que estava tudo tranquilo, que os bolsonaristas estavam dentro do setor militar urbano de forma pacífica, organizada e acompanhada. Disse que a inteligência monitorava e não tinha nenhum sinal de agressividade à vista. Todas as mensagens eram imediatamente encaminhadas para Flávio Dino.

Às 13h39, foi iniciado um início de tumultuo perto do Congresso, que Ibaneis acompanhou pela televisão. Ibaneis, então, determinou ao delegado Fernando para mandar todas as tropas para a rua. “Tira esses vagabundos do Congresso e prendam o máximo possível”, teria dito Ibaneis.

A invasão televisionada

Ibaneis disse que assistiu pela TV os manifestantes furando o bloqueio da PM. Foi quando recebeu nova mensagem do interino Fernando, afirmando que as coisas saíram do controle. Ibaneis solicitou apoio do Exército e outras forças de segurança. Somente à noite, os golpistas são detidos.

A sala de crise

Ibaneis disse à PF que criou uma “sala de crise” para controlar a situação, da qual participou a vice-governadora, a bolsonarista Celine Leão, o chefe da Casa Civil e o consultor jurídico do DF para tomada de decisão imediata.

Ibaneis, então, exonerou Anderson Torres, alegando que perdeu a confiança nele. Ibaneis disse também que tomou ciência de que estava sendo “gestada” no Ministério da Justiça a intervenção federal na segurança do DF.

Informado da intervenção, Ibaneis mandou a vice Celina Leão e o chefe da Casa Civil prestarem apoio necessário ao governo federal. Em entrevista ao canal Brasil 247, Flávio Dino relatou que recebeu a vice em seu gabinete e ficou sem saber porque Ibaneis não compareceu.

Lavando as mãos

Por fim, Ibaneis ressaltou que todos os comandantes de forças de segurança envolvidos no protocolo tinham poder para dar ordens e retomar o controle na Esplanada dos Ministério e na Praça dos Três Poderes.

O governador ainda disse que a “escolta” realizada em torno dos manifestantes golpistas era uma forma de controlar a manifestação, não de evitar prisões. Ele disse que ficou revoltado quando viu cenas de PM confraternizando com golpistas.

O governador afastado disse que houve sabotagem no plano de segurança e defendeu que seja investigado.

Ele ressaltou que respeita o resultado das eleições e a democracia, e frisou que não se encontrou mais com Jair Bolsonaro desde a eleição.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

4 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Pedro Holanda

    13 de janeiro de 2023 8:31 pm

    Quem tem C tem medo.

  2. Anônimo

    14 de janeiro de 2023 11:31 am

    Falar, papagaio também fala. O que vale e a atitude e o comportamento. O cara foi conivente e omisso. Cabe a ele provar o inverso disso. Com as atitudes que tomou , não com palavras.
    Daqui ha pouco vai valer governar por audio de whatsapp e não por decreto

  3. Baader

    14 de janeiro de 2023 4:33 pm

    Como deu ferias p o golpista logo apos ser nomeado? Por que nao pôs a cara durante terrorismo? Por que re nomeou o golpista qdo.mtos.diziam p nao fazê-lo? Que especie de polícia está colhendo depoimento?

  4. Vladimir

    15 de janeiro de 2023 10:14 am

    A Situação era tão tranquila que estava sendo monitorada a cada minuto.Acredito que as mensagens de Zap do filhote do Pinguim estavam em código e,quando diziam que estava tudo tranquilo e pacífico queria,na verdade,dizer tranquilo e pacífico para os golpistas dos quais,até prova em contrário, o filhote do Pinguim fazia parte.

Recomendados para você

Recomendados