Doutores convocados, no entanto, não prestam depoimento; entre os julgados está o último presidente da ditadura argentina, Reynaldo Bignone
Pela primeira vez na história da Argentina, médicos acusados de terem colaborado com o desaparecimento de bebês durante a ditadura militar foram chamados pela Justiça. Eles deverão esclarecer o ocorrido em nove casos de apropriação de filhos de jovens sequestradas e desaparecidas pela ditadura. Destes, cinco já recuperaram a identidade.
Agência Efe
Reynaldo Benito Bignone, Santiago Omar Riveros e a Luisa Yolanda Arroche na última quarta-feira (17/09)
Dos cinco médicos convocados para prestar depoimento nesta segunda-feira (22/09), nenhum deu declarações.
Reynaldo Bignone, ex-presidente argentino, de 86 anos, e Santiago Riveros, de 91, foram os primeiros a se sentar diante dos juízes, mas só ofereceram dados pessoais. Norberto Biano somente lembrou que cumpriu uma condenação de “11 anos, cinco meses e 19 dias” por apropriação e ocultamento de menores.
Os três são acusados de ter participado em partos clandestinos onde guerrilheiras detidas ilegalmente deram a luz e seguiram desaparecidas após terem os filhos subtraídos do convívio delas.
Agência Efe
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Neste caso, Bianco responde por ter sido o responsável pela maternidade que funcionou no centro clandestino de detenção no Campo de Maio e é considerado peça-chave para entender como funcionava o esquema de sequestro de bebês. Bignone e Riveros cumprem pena de prisão perpétua por distintos crimes de lesa humanidade.
O médico clínico Raúl Martín, de 75 anos, que era chefe do serviço da clínica médica do hospital militar do Campo de Maio, e a obstetra Luisa Yolanda Arroche de Salas Garcia, de 85 anos, não compareceram para prestar depoimento.
Alan Iud, advogado das Avós da Praça de Maio, afirmou que a importância do julgamento reside no fato de que, “até agora, apenas julgamos os apropriadores dos bebês… há alguns anos começamos também a julgar os organizadores do plano sistemático de apropriação, mas o elo intermediário, sem o qual não teriam ocorrido essas subtrações, (são) os médicos”.
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